10 sites onde procurar emprego fora do Brasil

Do Nômades Digitais

Se o seu sonho é ter a experiência de morar fora e ainda assim conseguir se sustentar, arranjar um emprego em outro país talvez seja um dos primeiros passos que você dará em busca dessa nova empreitada. E para te ajudar, separamos 10 países com indicações de por onde começar a sua pesquisa.

1. Alemanha

Stepstone – mais de 60 mil vagas em diversas categorias.

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2. Argentina

Bebee – registro grátis para busca de empregos, além de apps também gratuitos para iOS e Android.

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soyalexreyes.com via Visualhunt.com / CC BY

3. Austrália

Careerone – grandes empresas e franquias são o diferencial deste site.

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Visualhunt

4. Canadá

Job Bank – aqui você pode filtrar por profissão, salário, recomendação dos contratantes…

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Visual Hunt

5. Estados Unidos

Craigslist – um site em que você pode encontrar absolutamente de tudo!

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A. Duarte via Visualhunt / CC BY-SA

6. Uruguai

Buscojobs – além de muitas oportunidades, há dicas que vão desde como fazer um CV até sobre leis trabalhistas.

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Nando.uy via Visualhunt.com / CC BY-NC-SA

7. Portugal

Bep – é um site do governo que disponibiliza vagas públicas e privadas

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8. Japão

Daijob – em inglês, esse site indica filtros de serviços e até línguas usadas no job

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VisualHunt.com

9. Israel

Israemploy – também em inglês e em outras línguas, aqui você pode pesquisar por datas das ofertas e em diversas línguas.

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VisualHunt.com

10. Inglaterra

Reed – por cidade ou companhia, aqui não vai ser difícil encontrar algo que lhe agrade!

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Visual Hunt

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Tango nas águas: o lado argentino das Cataratas

 

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Puerto Iguazú – Poucos são os brasileiros que vão a Foz do Iguaçu e visitam o lado argentino das Cataratas. Se você é um desses, saiba que vacilou. Agora, se ainda não visitou essas que são umas das maiores maravilhas da natureza, aqui vai uma dica preciosa: não só cruze a fronteira como durma por lá uma ou duas noites.

Puerto Iguazú, a menor das três cidades da tríplice fronteira, não é bonitinha nem charmosa. No entanto, é uma pequena cidade do interior com uma grande concentração de ótimos bares e restaurantes, e toda a estrutura necessária para o turista aproveitar com conforto os passeios às Cataratas.

Diferentemente de Foz, Puerto Iguazú dispensa veículo para o lazer noturno. Ficando em uma acomodação na cidade, é possível ir a pé às melhores casas. Por isso, já vale uma noite na cidade. Outra é necessária caso queira conhecer todo o lado argentino das Cataratas. O parque dos hermanos é tão grande e tem tantas atrações que são necessárias duas visitas para aproveitar tudo.

Ônibus saem da rodoviária (perto da maioria dos hotéis) a cada 20 minutos, tanto para o parque brasileiro quanto para a reserva argentina. O tempo de viagem até eles é o mesmo. Se procura luxo, Puerto Iguazú conta com bem equipados hotéis e resorts em meio à selva, o que Foz do Iguaçu não oferece, assim como cassinos, duche de leite, empanadas, bife de chorizo, vinhos bons e baratos…

No meio da selva

Do que restou de mata nativa ao redor das Cataratas, a maior parte está no lado argentino. Daí o motivo de haver hotéis de selva em Puerto Iguazú e da área do parque hermano ser bem maior, com muito mais trilhas e o que se ver. Também é a razão dos passeios por lá serem mais roots. Enquanto no lado brasileiro o visitante praticamente não faz esforço, com o ar-condicionado dos ônibus e as sombras das árvores nas trilhas, na Argentina é bem diferente.

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A experiência tem os seus aspetos positivos e negativos. Os deslocamentos no lado argentino chegam a ser chatos, principalmente em dias de muito sol ou de chuva. Para se movimentar entre as áreas do parque é preciso tomar um trenzinho. Ele para em três estações. As partidas podem ter até meia hora de intervalo. E não te deixa pertinho de nenhum dos mirantes com vista para as quedas d’água. É preciso caminhar até chegar até todos eles.

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Mas é aí é que está um dos pontos altos do lado argentino. Você caminha sobre o Rio Iguaçu e em meio a uma floresta. Vê animais selvagens, plantas e insetos que valem, além da contemplação, muitas fotos. E, nas trilhas enas estações do trem, há pontos de descanso, banheiros, lanchonetes, lojas de lembrancinhas e até de joias, de pedras preciosas. Também, cafeterias e soverterias da Havanna e do Freddo, com todas aquelas delícias tipicamente argentinas, com os preços locais.

Aliás, os preços são outros pontos fortes do lado argentino das Cataratas. Primeiro: não é necessário comprar visita guiada. Segundo: com o mesmo bilhete (cerca de R$ 50) você passa o dia no parque, com o transporte do trenzinho garantido. Terceiro: todos os passeios oferecidos no lado argentino são mais em conta e mais radicais do que no oposto. Por fim, só andando na reserva argentina é possível visitar ilhas, ver determinadas quedas d’água e pisar na Garganta do Diabo.

Entrando na Garganta do Diabo

No lado argentino, os visitantes costumam começar o passeio pelo fim. Depois de cruzar os portões do parque e tomar assento no trenzinho, o melhor é descer só na última estação. Ela fica ao lado do Rio Iguaçu, em frente à trilha de acesso à Garganta do Diabo, a principal atração. É 1,1km de caminhada em uma passarela de ferro suspensa, construída sobre ilhotas e o leito da parte superior do rio.

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Com pontos de descanso, dotados de bancos de madeira sob árvores, a trilha leva o turista ao ponto mais alto, mais caudaloso e mais deslumbrante do conjunto de cataratas. Apesar da caminhada chata, ela é segura. Tanto que pela passarela caminham jovens mochileiros, idosos em excursões, casais com filhos pequenos (inclusive bebês). Não há barreiras nem para pessoas com dificuldades de locomoção. Elas são levadas em cadeiras com rodinhas.

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O passeio é recomendado mesmo para quem tem vertigem. A imensa e densa nuvem de spray esconde o que há no fundo, impedindo a visão toral da queda. Isso, porém, não torna o cenário menos impressionante. O volume de água e o barulho intermitente e ensurdecedor das quedas mantêm a beleza e a sensação de perigo.

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Exclusividade

De volta ao trenzinho, desça na estação seguinte escolha a próxima caminhada. Há dois circuitos de trilhas. Com 700m de extensão, o Circuito Superior permite uma visão das cataratas por cima, caminhando em uma passarela construída na beira do precipício. Já o Circuito Inferior, com 2,5km, é o mais desgastante (com escadas) e mais atraente. Ele passa por dentro da mata fechada e leva a pequenas cachoeiras, até chegar a uma área do conjunto das cataratas que não se vê direito do Brasil.

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Aldeia indígena aberta aos turistas

O que poucos sabem sobre Puerto Iguazú é que a cidade abriga comunidades indígenas em meio aos luxuosos hotéis de selva. Uma delas está aberta aos turistas desde 2012, com visitas guiadas, performances de dança e música e demonstrações do modo de vida mantido ao longo de séculos, mesmo com a urbanização da localidade.

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A aldeia que recebe turistas regularmente é ocupada pelo povo mbya guarani. A primeira empresa de turismo administrada por índios na província de Misiones é uma alternativa encontrada pelos integrantes da comunidade yyryapú – som das águas, em português – para arrecadar recursos extras e ajudar no desenvolvimento da tribo.

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A reserva fica em uma área do Parque Nacional Iguazú. Além das visitas, os turistas podem comprar peças de artesanato produzidas pelo grupo, assistir à apresentações culturais e saber mais sobre os costumes e a fauna e a flora da região em incursões por trilhas abertas na selva.

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Na aldeia moram 17 famílias, divididas em pequenos lotes, sem a separação de cercas ou outras barreiras. Elas se abrigam em casebres de madeira e de pau-a-pique, com telhado de palha. Vivem da agricultura de subsistência, com pequenas hortas. Cerca de 20 pessoas trabalham na empresa comunitária que também beneficia diretamente mais de 50 artesãos.

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Os guias foram formados por uma escola montada na própria aldeia em 2007 com recursos e organizações não governamentais e dos governos da Argentina e do Canadá. Parte do dinheiro arrecadado com os ingressos são destinados a um fundo comunitário para as necessidades da tribo.

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DICAS

Como chegar

Há voos diários (com e sem conexão) de Brasília para Foz do Iguaçu, operados pela Gol e pela TAM.

Para chegar ao lado argentino, há serviços de táxi, de traslados exclusivos de alguns hotéis e  a opção de se alugar um carro – os da Avis e da Hertz cruzam a fronteira para a Argentina sem problemas.

No lado brasileiro, agências oferecem passeio nas Cataras argentinas com transporte em ônibus (ingressos e passeios não-incluídos; o ingresso ao parque deve ser pago em moeda argentina).

Para quem está hospedado em Foz, há ainda a opção de freta um táxi brasileiro, combinando horário de voltar. Informe-se sobre preços atuais na recepção do seu hotel.

Os mochileiros acomodados em solo brasileiro preferem pegar o ônibus internacional (Crucero del Norte) em frente ao hotel Bourbon (mas do outro lado da estrada, no sentido centro-parque) que leva à rodoviária de Puerto Iguazú. De lá sai a cada meia hora o El Práctico, ônibus que faz a linha do parque argentino – cerca de R$ 25, ida e volta. Quem está em Puerto Igauzú, só precisa pegar essa condução.

Onde ficar

No centro de Puerto Iguazú, as acomodações são albergues e hotéis de, no máximo, quatro estrelas. O mais bem localizado para quem deseja ficar na muvuca é o hotel Saint George, em frente à rodoviária. A 1km e um pouco mais caro, há o hotel Panoramic, à beira-rio. Para quem quer ficar perto de um cassino, a opção é o Iguazu Grand (longe do centro). Já aos amantes da natureza e os que querem mais sossego e conforto (e estão dispostos a pagar bem mais por isso), os melhores endereços estão à margem da estrada que leva às Cataratas argentinas, os hotéis de selva, como o Loi Suites (foto abaixo) e o Iguazú Grand Resort Spa & Casino. Dentro do parque argentino, a única opção é o Sheraton Iguazú Resort & Spa.

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Onde comer

Os restaurantes mais recomendados em Puerto Iguazú são o Terra (Av. Misiones, 125), o Aqva, o El Quincho del Tío Querido e o Il Fratello.

Onde se divertir

Puerto Iguazú lota de jovens brasileiros nas noites de fim de semana. Eles vêm de Foz e se concentram na rua Brasil (entre Misiones e Félix Azara), onde há bares como o Jackie Brown (Brasil esquina Paraguay), La Tribu (Brasil 149) e Quita Penas (Brasil, 126). Na avenida Córdoba há ainda uns trÊs bares bons, como o Von Hafen (Córdoba com Bompland). Há ainda as danceteria, como a Cuba Libre (Paraguay esquina com Brasil) e a La Barranca, na avenida Costanera. O cassino abre das 18h às 5h. É proibida a entrada de quem tem menos de 18 anos.

Doze dicas para redescobrir Buenos Aires

'Tour' ciclístico guiado da empresa Biking Buenos Aires, na capital argentina
Tour ciclístico guiado da empresa Biking Buenos Aires 

Do Lonely Planet

Nem Caminito, nem Recoleta, nem Plaza de Mayo. Tudo isso é para a primeira vez que se viaja a Buenos Aires, mas as visitas seguintes à capital argentina convidam a descobrir algo novo entre mil lugares e propostas que não nos farão sentir como um turista. Sexy, animada e segura de si, sempre há motivos para redescobrir a cidade.

01 Gastronomia em movimento

Feira Masticar.

Os argentinos levam a arte da parrilla a níveis inimagináveis, suas melhores pizzas e massas rivalizam com as de Nova York e Nápoles, elaboram vinhos fabulosos, sorvetes deliciosos e a cozinha étnica causa furor em Buenos Aires. Na realidade, come-se tão bem que o tempo entre comida e jantar devemos usar para dar bons passeios, queimar calorias e abrir espaço no estômago.

As parrillas representam a tradição gastronômica e são uma aposta segura, mas os portenhos estão continuamente inovando e os fogões não escapam disso, com tendências semelhantes às europeias. Por exemplo, as novas propostas de cozinheiros experimentais com restaurantes pop-up, que podemos conhecer por intermédio da organização GAJO.

Outra tendência em alta é a gastronomia molecular, na moda no mundo todo, com grandes chefs em contínua experimentação e pratos com porções muito pequenas para propiciar experiências únicas e inesquecíveis por meio de combinação de sabores, texturas e atração visual. Podemos prová-la em La Vinería de Gualterio Bolivar, onde o chef Alejandro Digilio segue a linha do espanhol Ferran Adrià.

Os festivais gastronômicos se incorporaram recentemente à cena gastro com dois novos eventos: a Feira Masticar, organizada por alguns dos chefs mais famosos de Buenos Aires e que incorporou os tão na moda foodtrucks, assim como a Feira Raiz, dedicada à gastronomia argentina.

Quem continua preferindo a tradição gastronômica –garçons servindo malbec (vinho) e generosas fatias de carne de primeira qualidade em algum dos numerosos asadores portenhos–, mas com um toque diferente, pode reservar lugar em Adentro, um restaurante a portas fechadas no qual a pessoa se sente como na casa de um bom amigo, ou no Argentine Experience, onde se aprende a história da carne argentina e como preparar empanadas e alfajores, além de comer bifes muito tenros.

02 Aprender a cozinhar

Restaurante NOLA.

Continuamos sem sair das cozinhas, mas agora em ambiente privado, já que em Buenos Aires estão na moda os restaurantes a portas fechadas: locais que só abrem um par de dias na semana, somente com reserva e, geralmente, por um preço fixo (só aceitam dinheiro, por sinal). São estabelecimentos sem placas ou sinais e requerem que se toque a campainha para entrar. Aliás, o endereço não é informado ao comensal enquanto não for concluída a reserva por telefone. A sensação de descobrir uma joia fora dos círculos turísticos e de provar algumas das melhores cozinhas da cidade os transforma em uma experiência e tanto.

Existem duas possibilidades nesse tipo de restaurante, muitos deles localizados no bairro de Palermo. A primeira delas é jantar, diretamente, na casa do chef, em torno de uma grande mesa comunitária. Permite conhecer gente, com frequência viajantes interessantes ou estrangeiros, e é algo excelente para quem viaja sozinho. A segunda opção se assemelha mais a um restaurante convencional, com mesas separadas para diferentes grupos de comensais, só acessíveis, claro, mediante reserva.

Alguns dos melhores são iLatina, que serve deliciosa comida colombiana; Casa Saltshaker, onde se pode provar as criações culinárias do nova-iorquino Dan Perlman, radicado em Buenos Aires; NOLA, que serve pratos de fusão de Nova Orleans; Casa Felix, o paraíso dos peixetarianos (vegetarianos que comem peixe e frutos do mar), e Cocina Sunae, com pratos de fusão asiática.

Para quem estiver só alguns dias de passagem pela cidade, uma boa opção para adentrar a tradição culinária argentina são as aulas particulares de cozinha, ou em grupos pequenos, como as de Norma Soued, que permitem aprender a fazer pratos como empanadas, guisados e alfajores. Também Cooking with Teresita permite que nos iniciemos nos assados e empanadas, comprando todos os ingredientes em mercados locais. Quem dispuser de um pouco mais de tempo ou até mesmo pretende dedicar-se profissionalmente à cozinha, pode recorrer ao prestigiado Instituto Argentino de Gastronomia (IAG).

03 Villa Crespo, o bairro da moda

Este bairro, ao sul de Palermo, a cada dia está mais em voga. Continuamente surgem novos restaurantes, lojas, hotéis e pousadas –à medida que os aluguéis de Palermo se encarecem–, e é possível encontrar boas opções de hospedagem, muito perto da praça Serrano (coração comercial e social de Palermo Viejo). O sul de Palermo oferece gratas surpresas ao turista, como galerias de arte, cafés renovados ou interessantes outlets, e Villa Crespo pode ser um bom ponto de partida para descobri-los.

Puerto Madero. / PATRICIA HAMILTON

Basta caminhar um pouco até o sul para encontrar Caballito, zona tranquila e agradável que abriga o grande parque circular do Centenário, com o Museu Argentino de Ciências Naturais. Para leste se estendem os bairros de Abasto e Once, destinos multiculturais que atraíram uma numerosa população de judeus, peruanos e coreanos, que desenvolveram ali suas respectivas gastronomias. Em Abasto há muitos teatros alternativos e também o Museu Casa de Carlos Gardel, mas o principal lugar de interesse é o mercado do bairro, remodelado e transformado em um dos centros comerciais mais atraentes da cidade.

Ao sul se encontra o Once e sua concorrida estação de trens, rodeada de centenas de vendedores ambulantes de roupas e aparelhos eletrônicos baratos. Esse bairro tem um ambiente pitoresco, agradável, embora seja uma área a ser evitada à noite. O Cidade Cultural Konex é um centro vanguardista que oferece espetáculos fusion: arte+cultura+tecnologia. Por último, vale a pena conhecer Boedo, um bairro boêmio ao sul do Once, com alguns cafés interessantes.

04 Faena Arts Center

A última novidade de Puerto Madero é o Faena Arts Center, um espaço instalado em um antigo moinho de farinha. Grande e amplo, abriga os sonhos contemporâneos de artistas e designers nacionais e estrangeiros. As exposições mais vanguardistas tiram proveito do espaço, com cordas penduradas no teto ou pirâmides de luz que se elevam até o céu.

É um incentivo a mais para se achegar a Porto Madero, ladeado por armazéns de tijolo restaurados e repleto de luxuosos lofts e prédios de apartamentos, além de alguns dos restaurantes mais caros (demais, segundo dizem) da cidade. Livre de veículos, é um lugar muito bonito para passear ao longo da margem do rio.Os amantes da arte não devem perder a Coleção de Arte Amalia Lacroze de Fortabat, que abriga a mostra da mulher mais rica da Argentina. E embora não possamos permitir-nos pagar por seus caríssimos quartos, é quase obrigatório chegar perto do Faena Hotel+Universe, um fantástico hotel projetado por Philippe Starck em um armazém reformado.

05 Tomar um café

Uma das coisas mais típicas que alguém pode fazer em Buenos Aires é sentar-se em um café e, especialmente, em alguns que são pura história portenha. Os mais tradicionais são Las Violetas, Café de los Angelitos, La Biela, Tortoni e Esquina Homero Manzi.

Café Tortoni. / GABRIEL ROSSI

Las Violetas pode ser considerado, provavelmente, o café mais bonito da cidade, com vitrais e um luxuoso chá da tarde. O Café de los Angelitos, famoso por seu espetáculo de tango, tem esse nome como uma irônica referência aos delinquentes que o frequentavam. Outros dois clássicos são La Biela, excelente para observar as pessoas a partir do pátio dianteiro nos dias ensolarados, e oCafé Tortoni, histórico, pitoresco e, também, muito turístico. Ainda assim, não deve ser ignorado.

Se queremos sair do circuito mais popular, podemos sentar-nos naEsquina Homero Manzi, um café tradicional, de ambiente encantador.

06 O novo ponto cultural

Usina del Arte.

A Boca não se caracteriza pela elegância de seus edifícios, mas conta com novo espaço de concertos, a Usina de Arte, alojada em uma usina de energia remodelada, que pretende iniciar a regeneração de um dos bairros mais deteriorados de Buenos Aires. Trata-se de um bonito edifício de tijolos vermelhos com uma pitoresca torre de relógio, cuja nova sala de concertos é a atual sede da orquestra sinfônica nacional e da filarmônica de Buenos Aires. A Usina, de acústica excelente, tem capacidade para 1.200 espectadores e acolhe também espetáculos de dança, teatro e exposições de arte.Só abre durante os concertos e para as visitas guiadas. A programação pode ser consultada em sua página na Internet.

07 Nos museus de Palermo

O bairro de Palermo, visita imprescindível para todos que viajem a Buenos Aires, convida também a uma revisita obrigatória para os amantes da arte. Aqui se encontram alguns dos melhores museus da cidade, como o Malba, um edifício contemporâneo impressionante dedicado à arte moderna argentina e latino-americana e que abriga a coleção do mecenas Eduardo F. Costantini, com obras modernistas, vanguardistas, surrealistas e abstratas, incluindo algumas de Frida Kahlo e Diego Rivera. Também há exposições temporárias de arte internacional e um bom café-restaurante com pátio, perfeito para almoçar.

Fundação Proa. / GETTY

Os fãs de Evita Perón não devem perder o Museu Evita, que fica próximo e repassa a vida da mulher argentina mais conhecida internacionalmente. E já que estamos em Palermo, não é demais dar um passeio a pé ou de bicicleta pelo parque 3 de Fevereiro, onde também se pode visitar um zoo, um jardim botânico e um jardim japonês. Repleto de ciclovias, aos domingos o entorno do jardim de rosas fica fechado para os carros.

Outros museus portenhos que não convém perder são o Nacional de Arte Decorativa, uma bela mansão beaux arts que contém luxuosos objetos de um aristocrata chileno; a Fundação Proa, museu-galeria de vanguarda que expõe arte contemporânea e oferece um café no terraço com vista para La Boca, e o Palácio Paz, de estilo europeu, cujos quartos ornamentados, salões e detalhes dourados remetem ao ambiente mais clássico do velho continente.

Casa Gardel. / MARTIN ZABALA

08 Visitar os mortos

É certo que a visita ao Cemitério da Recoleta figura em quase todos os itinerários turísticos, mas é igualmente imprescindível. Só em Buenos Aires os ricos e poderosos conservam seu status depois da morte e gerações da elite descansam eternamente nesse labirinto de ruelas repletas de ostentosos mausoléus ornamentados que acomoda, provavelmente, a necrópole mais luxuosa do mundo.

Túmulo de Eva Perón no cemitério de La Recoleta. / JON HICKS

La Recoleta foi o primeiro cemitério público da cidade, embora logo se tornasse exclusivo; os personagens históricos mais ilustres da Argentina estão enterrados aqui e uma infinidade de estilos decora os túmulos; art nouveau, art déco, neoclássico, neogótico… Também há belas e extravagantes estátuas para descobrir. Depois de apresentar seus respeitos a Evita, o visitante pode se perder entre anjos de mármore.Uma versão maior, menos ostentosa, menos acessível e menos turística é o cemitério de la Chacarita, no bairro do mesmo nome. Foi inaugurado na década de 1870 para dar sepultura às vítimas da febre amarela de San Telmo e La Boca. Embora seja muito mais democrático e modesto, os túmulos mais elaborados de Chacarita são equiparáveis aos mais singulares de La Recoleta. Um dos mais visitados é o de Carlos Gardel, considerado quase um santo a quem muitos argentinos guardam uma devoção quase religiosa. Ao lado de sua estátua há placas de agradecimento de visitantes de todo o mundo e nos aniversários de seu nascimento e morte milhares de peregrinos visitam o cemitério.Outra personalidade espiritual de Chacarita é a madre María Salomé, discípula do famoso curandeiro Pancho Sierra. Todos os dias, mas especialmente no dia 2 de cada mês (morreu em 2 de outubro de 1928), fiéis a seu culto cobrem seu túmulo de cravos brancos.

09 Outras formas de ver Buenos Aires

Todas as cidades inventam novas formas para mostrar o melhor de si mesmas. Em Buenos Aires inventaram todo tipo de circuitos temáticos para os visitantes: de fotografia, de tango, de parrillas, de ciclistas… Esta é nossa seleção:

Biking Buenos Aires.

Biking Buenos Aires: para pedalar pelas ciclovias e pelos parques de Palermo.

Graffitimundo: Buenos Aires em sua colorida e dinâmica arte de rua.

Foto Ruta: um singular circuito autoguiado baseado em fotografar as ruas pelos bairros portenhos.

The Man Tour: propõe uma visão masculina da cidade, com as melhores bodegas para se fumar charutos, barberias para fazer a barba com navalha ou onde comprar um chapéu feito à mão.

Parrilla Tour: um guia para explorar parrillas fora dos circuitos turísticos e aprender sobre a cultura e a gastronomia da Argentina.

Narrative Tango Tour: para conhecer o tango com aulas, milongas e espetáculos.

Urban Running Tour: correr e conhecer Buenos Aires, com um guia que se adapta ao ritmo de cada um.

10 Buenos Aires a cavalo

Campo Argentino de Polo. / DANIEL SEMPE

Quase todos os argentinos gostam de cavalos, e embora não estejam no Pampa fazem o possível (e o impossível) para que esses animais façam parte da vida portenha. Basta se aproximar de uma partida de polo, ou jogo do pato, ou passar um dia nas corridas de cavalo para se dar conta disso. Como simples viajantes também podemos participar dessa paixão equestres e até – por que não?– aprender a jogar polo durante as férias.

O polo é um esporte muito popular em todo o país e conjuga a tradição equestre dos gauchos com a influência britânica, algo que explica por que aqui se joga o melhor polo do mundo. A argentina domina esse esporte há mais de 70 anos e conta, praticamente, com todos (ou quase todos) os melhores jogadores. Nada de príncipes britânicos. A principal figura é Adolfo Cambiaso. A temporada de polo em Buenos Aires vai de setembro a meados de novembro e culmina a cada ano com o Campeonato Argentino Aberto, o torneio mais prestigiado do mundo, realizado no Campo Argentina de Polo, em Palermo (esse esporte pode ser acompanhado por intermédio daAssociação Argentina de Polo).

Mais original e desconhecido é o pato, um jogo de origem gaucha semelhante ao polo e cujo nome vem das primeiras bolas usadas: um saco de couro com um pato vivo dentro. A infeliz ave foi depois substituída por uma bola com alças de couro e os jogadores já não correm perigo no que antigamente era um jogo muito violento. As partidas e torneios de pato costumam ser realizados no Campo Argentino de Pato, a uns 30 quilômetros da cidade, embora os torneios nacionais (em dezembro) sejam em um lugar mais central: o campo de polo de Palermo.

Por fim, convém ir ao Hipódromo Argentino, majestoso edifício projetado pelo arquiteto francês Louis Fauré Dujarric em 1908, com lugar para 100.000 espectadores. As corridas mais destacadas são organizadas em novembro, tanto nessa sede como no famoso hipódromo de grama de San Isidro.E se o que queremos é tomar as rédeas diretamente, uma boa opção, além das turísticas estâncias (fazendas), é consultar Caballos a la Par, que organiza saídas guiadas por um parque da província de Buenos Aires, a uma hora de carro do centro da capital. São excursões privadas (nada de grupos em excursão) que percorrem caminhos entre bosques e campos, nas quais se aprende a montar e até mesmo a galopar no lombo de magníficos animais.

11 Visitar a catedral (do futebol)

Em um país em que Maradona é Deus, ir a uma partida de futebol é uma experiência quase religiosa. O superclássico entre Boca Juniors e River Plate se encontra entre os eventos esportivos mundiais a que se deve assistir antes de morrer, mas até outras partidas de menor ressonância servem para o visitante mergulhar em uma das grandes paixões argentinas.

Jogo do Boca Juniors na Bombonera. /FRANCO ORIGLIA

Pode-se contemplar La Bombonera, o estádio do Boca Juniors, a equipe de Maradona, durante uma visita ao Museu da Paixão Boquense. Se o visitante quer assistir a um clássico (partida entre duas equipes grandes), conseguir entradas será mais complicado: O Boca Juniors não põe ingressos à venda para suas partidas mais importantes, já que todos são para os sócios. É possível conseguir por intermédio de alguma agência mediante organizações como a Buenos Aires Futebol Amigos. Não será barato, claro, mas mais fácil (e seguro).

Em Buenos Aires o futebol não é só um esporte. O passatempo nacional inspira uma paixão quase religiosa: as ruas se esvaziam e os espectadores, apinhados diante da televisão ou nos estádios abarrotados, sofrem ataques de êxtase e angústia. O ambiente é especialmente barulhento (isto é, descontrolado) quando os arquirrivais River Plate e Boca Juniors se enfrentam. A tensão é palpável no ambiente e durante essas duas horas do domingo nada mais importa.Se depois de ver um desses superclássicos ficamos com vontade de jogar, é possível participar de alguma partida com os moradores, residentes estrangeiros ou outros viajantes, organizada pela Buenos Aires Futebol Amigos. Por uma pequena quantia se joga futebol e, depois da partida, costuma haver um churrasco e recordações impagáveis.

12 Redescobrir o tango

O que a princípios do século XX era uma dança marginal relegado aos bordéis de Buenos Aires experimentou grandes altos e baixos durante sua agitada vida. Hoje, essa sensual dança volta com força. De Seattle a Xangai, todo o mundo tenta dominar ritmo e os passos, tão difíceis de executar.A popularidade do tango disparou entre fãs e profissionais, tanto que é praticado por pessoas de todas as idades e classes sociais. Mas o tango de verdade está nas milongas, encontros onde se vai exclusivamente para dançar. O ambiente dessas salas pode ser informal ou tradicional, em quase todas há um encarregado da seleção musical e algumas (poucas) contam com orquestra ao vivo. A pista de baile está rodeada de mesas e cadeiras, e costuma haver um bar na lateral.As milongas começam pela tarde (até as 23 horas) ou à meia-noite, estendendo-se até o amanhecer (quando se chega tarde, tudo está mais animado). São acessíveis e com frequência há aulas antes.Para viver uma experiência única ao ar livre pode-se ir à glorieta de Barrancas de Belgrano, onde aos sábados e domingos ao entardecer (por volta das 19 horas) há uma milonga informal, a glorieta. Também há aulas de tango.Os favoritos do LonelyPlanet para apreciar o tango portenho mais clássico são o Café de los Angelitos, com um espetáculo imaginativo e bem organizado; o Rojo Tango, espetáculo íntimo no estilo de cabaré, El Viejo Almacén, um local pequeno e em parte folclórico, e La Ventana, cuja proposta inclui gauchos cômicos e boleadores (instrumento típico dos gauchos).

Tango no Café de los Angelitos. /CHRISTIAN ENDER

Mais simples e informal é o tango de rua no mercado do domingo de San Telmo; o espetáculo de tango do sótão do Café Tortoni, o café mais antigo e tradicional de Buenos Aires, ou o do Los 36 Billares, outro café com história e espetáculo de tango, mas menos turístico que o Tortoni.As melhores milongas são as do Salon Canning, uma milonga tradicional muito popular e bem situada, em Palermo, para onde acorrem os melhores dançarinos; a da Confitería Ideal, o local portenho de tango mais histórico, cenário de Uma Lição de Tango, de Sally Potter, ou La Catedral, informal e boêmio, parecido com um armazém, que atrai jovens dançarinos modernos.Há aulas de tango em muitos lugares, desde albergues juvenis até academias de dança, centros culturais, quase todas as milongas e mesmo em alguns cafés e salas de espetáculos de tango. Em Buenos Aires também há várias escolas mais formais, como a Escola Argentina de Tango.

Más informação no guia de Buenos Aires de Lonely Planet e emwww.lonelyplanetbrasil.com.br

Mimos e facilidades de hotéis pelo mundo

Eliane Moreira

Bruxelas

Uma das principais reclamações quando se avaliam hotéis é o tempo que se perde com funcionários mal preparados ou incapazes de agilizar os processos de check in e check out. Não seria ótimo eliminar essa parte ou fazer tudo sozinho? No Max Hotel, em Bruxelas, você pode.

Max Hotel

Hotel boutique com móveis de design e localizado a poucos minutos de caminhada do Grand Place, principal ponto turístico da capital belga, quiosques semelhantes a caixas  eletrônicos permitem check in e check out em velocidade recorde, sem contato com atendentes. Eles estão lá, e se houver dúvida, são bastante solícitos em esclarecê-las. Mas o serviço é tão auto explicativo que dificilmente serão chamados.

Amesterdã

Seguindo essa linha faça você mesmo, no aconchegante B&B Flynt, em Amsterdã, o próprio hóspede prepara seu café da manhã. Ou o lanche no meio da tarde. Ou o da noite, quando voltar dos passeios. Silencioso e próximo aos principais museus e ao Vondelpark, uma cozinha bem abastecida com pães, ovos, queijos, embutidos, cafés, chás e outras guloseimas está disponível aos hóspedes 24h por dia. Não é preciso pagar nada além da própria diária. É chegar, preparar e se servir. Além disso, o Flynt conta com apenas três quartos, o aconchego e sensação de estar em casa é imediato.

B&B Flynt

Pirenópolis

Similar ao Flynt, hospedagem com os chamados “bares amigos” estão se tornando cada vez mais comuns. Na pousada O Casarão, na histórica Pirenópolis, em Goiás, o hóspede pode se servir de um freezer abastecido com cervejas, refrigerantes e outras bebidas, bem ao lado da piscina. A diferença é que aqui se paga o que se consome. Mas na base da confiança: quem controla o consumo é o próprio hóspede, que anota tudo em uma cartelinha.

O Casarão

Buenos Aires

O argentino Casa Calma também adota essa espécie de frigobar fora do quarto e além de bebidas oferece também lanches rápidos. Basta anotar o consumo. Aliás, seguindo o conceito de hotel dedicado à cultura do bem-estar, os confortáveis quartos do Casa Calma, no bairro do Retiro, em Buenos Aires, são todos equipados com aparelhos de DVD. Filmes sucessos de bilheterias estão acessíveis na recepção. Ótima pedida para dias frios e chuvosos na capital portenha.

Casa Calma

Bogotá

Agora confesse, mesmo que você seja um viajante habitual, tem sempre a expectativa de chegar ao hotel e ver o que ele oferece de shampoos, cremes e loções. Em hotéis luxuosos ou de roteiros de charme, essas amenidades de boa qualidade são obrigação. Mas encontrar produtos da francesa e cara L’occitane, em um hotel nem luxuoso, nem de charme, na Colômbia, supera todas as expectativas. Se bem que conforto é o carro chefe do Cité Hotel em Bogotá, na badalada Zona T. Talvez por isso ele permita, sem custo adicional, check out às três da tarde.

Cite Hotel

Lima

Viajar em datas comemorativas também pode revelar boas surpresas. Na páscoa, o Hotel Bisonte, também em Buenos Aires, deixa ovos de chocolate nos quartos. Com o detalhe de ser imbatível no quesito custo-benefício. Já o Hotel Mariel, em Lima, presenteia com mini panetones no Natal.

Hotel Mariel

Na hora de escolher sua hospedagem, pesquise bem e, principalmente, leia atentamente os comentários dos hóspedes. Com tanto esforço em agradar o cliente, hotéis, pousadas e variações estão se tornando verdadeiras atrações turísticas.

Aerolineas já vende passagem de voo direto BH-Buenos Aires

Aerolineas Argentinas2

Belo Horizonte vai ganhar voo direto e diário para Buenos Aires. A Aerolineas Argentinas vai realizar as operações a partir de primeiro de junho. As passagens começam a ser vendidos a partir desta quarta-feira (20/3), no site da empresa. Diariamente, um voo com aeronave Embraer, como capacidade para 96 passageiros, partirá do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, com destino à capital da Argentina.

O anúncio foi feito nesta terça-feira, pelo governador Antonio Anastasia, durante coletiva à imprensa na Cidade Administrativa. Ele foi comunicado oficialmente pela diretoria da empresa, que ainda acerta os detalhes para a nova operação.

Segundo Antonio Anastasia, a conexão direta e diária para Buenos Aires é uma boa notícia para Belo Horizonte e Minas Gerais. A partir de 2008, o Estado intensificou os esforços para atrair voos internacionais, sem conexões, para Belo Horizonte. “A atração de voos internacionais, partindo e chegando a Belo Horizonte, é mais uma estratégia do Governo de Minas para o processo de internacionalização do Estado. Já temos voos diretos para os Estados Unidos e para Portugal, nossa porta de entrada para a Europa. A ligação direta com Buenos Aires, certamente, vai contribuir para que Minas Gerais seja cada vez mais inserida no mercado turístico da América Latina”, disse o governador.

Desde 2008, foram implantados em Minas voos internacionais sem conexões, com destino a Miami – diário pela American Airlines e três vezes por semana, pela TAM -, Panamá – seis vezes por semana – e Lisboa – quatro vezes. O resultado da revitalização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, foi o crescimento expressivo de passageiros rumos às rotas internacionais. No acumulado de 2008 a 2012, a movimentação no terminal de passageiros somou mais de 1,5 milhão de usuários.

De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), no período, o número de embarques e desembarques internacionais cresceu 178,4%, passando de 160 mil passageiros, em 2008, para 445,6 mil usuários, no ano passado. Em 2006, por exemplo, a movimentação não chegava a 10 mil pessoas.

Regras ditam ritmo de visitas à Antártida

Pinguins na Antártida

Um tratado internacional regula o turismo na Antártida. Ele inclui uma série de normas: antes de desembarcar, lavar as botas com desinfetante; nas ilhas, só se pode andar nas trilhas; os bichos têm prioridade e é proibido retirar qualquer coisa da Antártica, menos gelo. Enfim, um cruzeiro no continente gelado deve ser encarado como uma expedição e uma aula de bons modos em um ambiente e de populações especiais.

Embora o navio tenha uma programação dia a dia, ela pode não se concretizar por causa do clima. É ele quem manda na Antártida. Visitas ou desembarques podem ser suspensos por causa de péssimas condições, como nevascas ou ventos fortes, que impedem os botes infláveis de navegar com segurança. Mas o pessoal de bordo tem sempre uma carta na manga, com outra opção de passeio ou desembarque sem riscos.

O controle de entrada e saída do barco é eletrônico, feito com um cartão de identificação, com foto e código de barras. É proibido o uso de sapatos. Os expedicionários usam botas de borracha, desinfetadas exteriormente tanto na saída como na chegada. Fumar só é permitido em certos lugares do barco. Nem pense em jogar a bituca no mar. Não leve suvenires da natureza, como pedras, areia e conchas.

Por que tal restrição? O material usado pelos pinguins para fazer seu ninhos é justamente a pedra, por exemplo. Além da memória, as melhores lembranças da viagem são fotografias e vídeos de paisagens e seres exuberantes. Suvenires são vendidos nas bases dos países ou na loja do navio, além de centenas de lojas e bancas de feiras em Ushuaia e Punta Arenas, as cidades argentina e chilena, respectivamente, de onde parte a maioria dos cruzeiros.

Não toque

Já em terra, recomenda-se não fazer barulho que perturbe a paz dos animais nem dar de comer a eles. Tocá-los, manejá-los, nem pensar. Pode até matá-los de estresse. Também não é aconselhável ficar perto demais deles ou fazer algo que modifique seu comportamento. Tenha ainda cuidado ao pisar nas rochas. Sempre veja se não há algum tipo de vegetação nela, como líquen ou musgo — indícios de que a vida está lutando para crescer ali, e isso leva tempo, anos.

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Os ambientalistas não escondem a preocupação com o impacto do turismo na Antártida. “Se respeitadas todas as normas, o turismo na Antártida é um instrumento importante para divulgar a pesquisa e a conservação do local”, comenta o glaciólogo gaúcho Jefferson Simões, 54 anos. Desde 1990, já esteve no continente 21 vezes. Entre 1º de dezembro de 2008 e 13 de janeiro de 2009, liderou a expedição Deserto de Cristal, a primeira incursão brasileira ao interior do continente antártico.

Sujeira

Cientista com doutorado no Instituto de Pesquisa Polar Scott da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Simões é o primeiro brasileiro a especializar-se em glaciologia, a ciência do gelo em todas as suas formas e seu papel no sistema ambiental. Portanto, entende como poucos as peculiaridades da Antártida. “Barcos naquela região com mais de 150 pessoas, além de isolar o turista do ambiente antártico, podem trazer impactos indesejáveis à região”, alerta. Um dos impactos é lixo, que demora muito mais tempo para se decompor no clima seco e frio do continente.

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De acordo com as normas internacionais, todos os resíduos produzidos na Antártida devem retornar, dentro dos navios, ao país de origem para serem, enfim, descartados. Portanto, além de não jogar nada na terra gelada, quem se aventura por lá é orientado a recolher qualquer sujeirinha que encontrar pela frente.

Educação 

O turismo na Antártida começou no fim dos anos 1950, quando o Chile e a Argentina levaram mais de 500 turistas às Ilhas Shetlands do Sul, mas a atividade somente se estabeleceu em 1966, quando o tema educação ambiental foi incorporado ao slogan “você não pode proteger o que você não conhece”. Acreditava-se que vivenciar a Antártida levaria as pessoas a uma consciência ecológica, uma vez que passariam a compreender o papel importante que o continente tem no ambiente global.

Heróis mundiais

Neste mundo gélido, desbravadores como o inglês R. F. Scott e sua equipe perderam a vida no início do século passado. E outros, como o norueguês Roald Amundsen — primeiro homem a chegar ao Pólo Sul, em 14 de dezembro de 1911 – e o inglês Ernest Shackleton, encontraram a glória.

Shackleton é conhecido por qualquer velejador. Após seu navio, o Endurance, ser esmagado pelo gelo antártico e naufragar, sua tripulação sobreviveria por mais de um ano em situações precárias, com combustível, alimento e abrigos precaríssimos. Shackleton então protagonizou um dos maiores feitos da história da navegação, cruzando 1,3 mil km do violento mar da região em um pequeno bote-salva vidas adaptado em busca de socorro até as Ilhas Geórgias do Sul.

Chegando lá e após uma épica travessia pelas montanhas da ilha, conseguiu alcançar a uma estação baleeira e organizar o resgate de seus companheiros. Todos os homens de sua tripulação sobreviveram.

Turismo na Antártida e na Patagônia chilena

Renato Alves (texto e fotos)

Localizada no extremo sul do planeta, a Antártida tem 13,6 milhões de quilômetros quadrados de neve e água congelada, cobrindo 99,5% do continente. Trocar sol e praia por um verão ali parece uma escolha improvável. Mas, cada vez mais gente lá desembarca atrás de uma sensação única. Alguns a comparam a pisar na Lua. Lembram algumas semelhanças, como o solo escuro e pedregoso — no verão — e uma grande área inabitada.

Para chegar até esse lugar, onde cientistas registraram a menor temperatura da história, somente por meio de voos militares ou em cruzeiros para turistas. Há quem pague mais de R$ 20 mil para passar algumas horas na parte mais inexplorada da Terra. Mas há opções mais baratas e menos aventureiras para conhecer maravilhas parecidas com as encontradas na Antártida. Na Patagônia, última região habitada antes do continente gelado, há milhares de pinguins e glaciais de encher os olhos.

Prazer para poucos

Um século após os primeiros navegadores identificarem a Antártida, o continente continua sendo o lugar mais selvagem da Terra. Pisar nele é para poucos. Mesmo com os avanços tecnológicos, são necessárias logística e infraestrutura adequados, além de disposição, paciência e um estômago forte. Os voos limitam-se praticamente às forças aéreas. Aos turistas, o único caminho passa pelo Drake, o trecho de mar mais temido do mundo. As longas e cansativas horas em navio e bote são recompensadas pelo cenário e a façanha e de passear por um dos mais hostis e menos explorados destinos do planeta.

Como repórter do Correio Braziliense, cheguei à Antártida em uma expedição da Marinha, com jornalistas, militares e cientistas brasileiros. Os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram os primeiros a desembarcar na Estação Comandante Ferraz após o incêndio que destruiu 70% das suas instalações, em 25 de fevereiro de 2012. A nossa jornada teve início em Punta Arenas, no extremo sul do Chile. Lá, embarcamos em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Os aviões C-130 (Hércules) da FAB pousam na base chilena Eduardo Frei (fotos acima e abaixo), levando também suprimentos, entre outubro e fevereiro. Mas esse trajeto de 1,2 mil km, em um voo de três horas, só é realizado quando o clima permite.

Quase não há teto para a aeronave pousar no aeródromo chileno. Quando aparece o que os pilotos chamam de janela, ela tem que ser aproveitada. Nessas condições, as mínimas em uma semana, após duas tentativas de pouso frustradas, o repórter do Correio chegou à Antártida em 7 de fevereiro, com mais de 40 cientistas e militares. Na noite daquele dia, ele fez a travessia de 500m na Baía do Almirantado, entre o navio Ary Rongel e a Ferraz. Por causa da ausência de portos no continente, as embarcações ficam estacionadas no meio do mar. Só pequenos botes chegam às praias das ilhas. Os jornalistas visitaram a base mais uma vez e passaram quatro dias na embarcação da Marinha brasileira.

Cruzeiros

A outra forma de chegar à Antártida é em um dos 45 navios de Cruzeiro que fazem cerca de 250 viagens à região, com passageiros do mundo inteiro, a cada alta estação. Ela vai de novembro a março, o verão antártico, quando as temperaturas são suportáveis a um ser humano e as águas dos canais e baías não estão congeladas, permitindo a passagem de navios que não sejam quebra-gelos. Identificada por navegadores pela primeira vez em 1820, a Antártida atrai cada vez mais turistas interessados em ver de perto os pinguins, focas, geleiras, icebergs e montanhas cobertas por neve. Até o começo da década de 1980, havia menos de mil visitantes por ano. Hoje, passam de 35 mil. Antes da crise mundial, eram mais.

Apesar do turismo na Antártida ser ainda muito caro, 35 operadoras de 10 países atuam com navios no continente. Elas levam visitantes a curtas incursões nas regiões costeiras. Cerca de 150 sítios, incluindo 20 estações científicas estão nos roteiros das visitas. Alguns sítios recebem até 7 mil visitantes. Os turistas que ano a ano vêm popularizando a Antártida como destino turístico não sofrem tanto quanto os militares, cientistas e jornalistas. Os cruzeiros que chegam à região têm uma boa infra-estrutura de acomodação e alimentação. Eles levam a estações científicas, monumentos históricos e colônias de animais. Entre as atividades estão também alpinismo, acampamento e mergulho.

Na época das visitas, o clima costuma ficar nublado. A temperatura, em 1ºC, em média. Mas, os ventos, que ultrapassam corriqueiramente os 100km/h, podem levar a sensação térmica a -12ºC. Nessas condições, só mesmo com trajes especiais: botas pesadas, macacão corta vento, casaco, gorro, óculos escuros,. Tudo grande, pesado e a prova d’água. Misturados à paisagem e às instalações das estações científicas, contribuem para um cenário de outro mundo.

Cuidados
As atividades são supervisionadas pela tripulação do navio, que inclui ornitologistas, biólogos marinhos, geólogos, glaciologistas, historiadores e naturalistas. Todos os cuidados com o ambiente são devidamente tomados.

Variações
Com tanto gelo, as temperaturas antárticas são baixíssimas. Na região central, os termômetros oscilam entre -30ºC e -65ºC e, em 21 de julho de 1983, a base russa de Vostok, localizada a aproximadamente 3,4 mil metros de altitude, registrou aquela que até hoje é a menor temperatura registrada no planeta: -89,2ºC.

Qual o nome certo?
Antártica ou Antártida? Tanto faz. O nome vem do grego antarktikos, que significa oposto ao ártico, ou seja, na extremidade sul do planeta. Os portugueses adotaram a forma Antártida, também admitida no Brasil, mas menos popular no resto do mundo. O continente é o único no planeta que jamais foi manchado por uma guerra ou qualquer tipo de conflito armado. Embora militares de vários países tenham equipes trabalhando em diversos pontos da Antártida e haja reivindicações sobre a propriedade das terras, não ocorrem demonstrações de animosidade. Por enquanto, toda a massa de 14 milhões de km², o equivalente à soma das áreas do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia — mas que pode chegar a 32 milhões de km² no inverno, com o congelamento dos mares —, pertence simplesmente à humanidade, com base em um acordo firmado em 1961 e conhecido por Tratado da Antártida.

Reportagem completa na edição de 27 de fevereiro de 2012 do caderno de Turismo do Correio Braziliense e nos próximos post deste blog