Um tour pelas obras art déco de Goiânia

 

 

Fachada do Teatro Goiânia

Assim como Brasília, Goiânia é uma cidade planejada e símbolo de modernidade. Mas a capital goiana surgiu três décadas antes da nova capital do Brasil. E, para deixar uma marca, os construtores da cidade distante 210km do Distrito Federal escolherem o art déco para definir a fisionomia dos primeiros prédios daquela que viria a ser a primeira metrópole do Centro-Oeste, hoje com quase 1,5 milhão de habitantes.

Teatro GoiâniaNo entanto, essa riqueza é desconhecida da maioria dos brasileiros, inclusive dos goianienses. Para resgatá-la, o artista plástico e guia turístico Gutto Lemes criou um roteiro dos principais prédios e monumentos com traços do estilo da época da inauguração de Goiânia. Ele acompanha grupos, com direito a aula de história e arquitetura dos anos 1930. O passeio pode ser feito de carro, van, ônibus, bicicleta e até a pé.

Lemes ressalta que, do ponto de vista arquitetônico, Goiânia foi a primeira cidade moderna do Brasil. “A cidade tem uma importância muito grande para o estilo art déco, maior até que Miami, já que a cidade dos Estados Unidos não foi construída, como aqui, durante o período do art déco”, garante. Ele não está exagerando, apesar de Miami ter o maior acervo art déco do mundo, que é um roteiro turístico, atraindo visitantes o ano todo.

Nascido das artes decorativas, o art déco ficou conhecido em 1925, na feira mundial realizada em Paris, a Arts Décoratifs et Industriels. Na década de 1930, o estilo começou a ganhar um aspecto mais suave aproximando-se da morfologia modernista. Para o déco, o que se desejava de efeito visual não necessariamente haveria de almejar o emprego de racionalidade, o que justificava o emprego de ordens ornamentais e até a limpeza visual, a exemplo dos edifícios do Roquefeller Center, nos EUA, onde o déco fez grande sucesso.

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Portanto, não havia melhor estilo para os construtores de Goiânia escolherem para definir a fisionomia dos primeiros prédios da cidade planejada para substituir Goiás, ou Goiás Velho, a primeira capital do estado. Afinal, o art déco representava o que de mais moderno havia na arquitetura da época. A capital goiana ainda abriga uma importante herança art déco em suas ruas, avenidas, praças e até parques. É o mais representativo acervo art déco do Brasil.

Palacio das EsmeraldasTombamento

Goiânia tem 22 edificações em art decó tombados pelo Instituto Nacional do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan). A Praça Cívica, onde fica a administração do estado, concentra a maioria dos prédios art decó da cidade. São 11, incluindo o Palácio das Esmeraldas (foto ao lado), sede do governo estadual. Perto dali, ficam o Lyceu de Goiânia e a Estação Ferroviária. Ambos, porém, alvos constantes de vandalismo, por causa do abandono, apesar do tombamento.

Gutto Lemes dedica-se à divulgação desse patrimônio desde 2004, quando montou a sua primeira exposição de desenhos dos prédios ícones dessa arte na cidade — obras de sua autoria. “Eu já pintava e desenhava, mas decidi estudar turismo. Ao fim do curso, uni tudo, criando o city tour”, conta ele, que realiza os passeios guiados há cerca de um ano. Ele dura, em média, três horas e meia, com parada em três museus no estilo art decó.

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Para conscientizar o goianiense da importância de se preservar o conjunto urbano da cidade, Lemes, que nasceu em Morrinhos (GO) mas mudou-se para a capital do estado com um ano, ainda ajudou a criar a Sociedade Art Déco de Goiânia. Ela é formada por um grupo de arquitetos, artistas, empresários e pessoas ligadas ao turismo. A iniciativa mais recente do grupo foi a participação, em 2016, no III Concurso de Fotografia AdbA — sigla de uma associação argentina que promove a arquitetura Art Déco no país vizinho. 

Programe-se

City tour em Goiânia

O passeio guiado pode ser feito de carro, van, ônibus, de bicicleta e até a pé. O modelo de transporte e o preço depende do tamanho e do interesse do grupo. Ele tem que ser agendado direto com o guia e artista plástico Gutto Lemes:  (62) 99943 3338 / 62 99823 1164 / guttolemes@hotmail.com

O QUE VER

Confira as principais construções art déco de Goiânia e seus endereços:

Na Avenida Goiás: Grande Hotel e Torre do Relógio

Na Praça Cívica: Coreto, Agência de Cultura, Delegacia de Administração, Museu Zoroastro Artiaga, Palácio das Esmeraldas, Procuradoria-Geral do Estado e Tribunal Regional Eleitoral

No restante do Centro: Estação Ferroviária, Praça do Trabalhador; Fórum e Tribunal de Justiça; Instituto Federal de Goiás (antigo Cefet), Rua 66; Lyceu de Goiânia, Rua 21; Museu Casa Pedro Ludovico, Rua 26; Teatro Goiânia, Avenida Tocantins

No bairro Campinas e Setor Oeste: Subprefeitura, Praça Joaquim Lúcio; Palace Hotel, Avenida 24 de outubro; Trampolim e mureta do Lago das Rosas

MEMÓRIA

Homenagem à Revolução de 30

Goiânia foi planejada e construída para ser a capital de Goiás, por iniciativa do político goiano Pedro Ludovico Teixeira, em consonância com a Marcha para o Oeste – estratégia desenvolvida no fim dos anos 1930, pelo governo de Getúlio Vargas, para acelerar o desenvolvimento e incentivar a ocupação do Centro-Oeste.

Em 24 de outubro de 1933, em local escolhido por Corrêa Lima, — um planalto onde atualmente se encontra o Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica —, Pedro Ludovico lançou a pedra fundamental de Goiânia. A data homenageava os três anos do início da Revolução de 1930.

O município começou a ter suas atividades executadas em novembro de 1935. No mês seguinte, Ludovico enviou o decreto que estabeleceu a transferência da Casa Militar, da Secretaria Geral e da Secretaria do Governo da cidade de Goiás para Goiânia. Nos meses posteriores, outras secretarias foram transferidas e essas ações reafirmavam ainda mais a mudança da capital.

Em 23 de março de 1937, o decreto de número 1.816 oficializava definitivamente a transferência da capital da cidade de Goiás para Goiânia. Mas o evento oficial que sacramentou a transferência da capital aconteceu só em 5 de julho de 1942, no Cine-Teatro Goiânia, um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos da construção da nova capital.

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Como é uma visita ao Palácio Itamaraty

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Entrada lateral do Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

O Palácio Itamaraty encanta quem passa pela Esplanada dos Ministérios. Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, o edifício também impressiona por dentro. O seu interior conserva centenas obras de arte e mostra a complexidade e a leveza daquela que é considerada uma das maiores maravilhas da arquitetura moderna.

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Painel de Athos Bulcão em corredor do Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

O acesso ao rico acervo do Ministério das Relações Exteriores (MRE) não está restrito aos diplomatas brasileiros e estrangeiros. No dia seguinte à cerimônia oficial de inauguração do Itamaraty, em 14 de março de 1967, o prédio foi aberto ao público, tradição que permanece inalterada nesses 50 anos.

Especializados em história, arte e arquitetura, servidores muito bem treinados do MRE comandam visitas todos os dias da semana. O turista estrangeiro pode agendar uma visita guiada em inglês, francês e espanhol, muitas vezes para o mesmo dia. Tudo de graça.

Informalidade

A entrada é pela lateral do prédio, passando pelos jardins e entre o Itamaraty e o Ministério da Saúde. Ao entrar no palácio, funcionários dão as boas-vindas e informam o horário do próximo tour. O visitante é convidado a assinar um livro de presença e dispensado de qualquer revista. Apesar da pomposidade do prédio, pode-se entrar inclusive de sandálias, saia e bermuda no fim de semana. Itens vetados durante a semana.

Após a espera sentada em uma das confortáveis cadeiras com almofadas de couro, desenhadas especialmente para a decoração do palácio, o guia se apresenta ao grupo. A visita começa no térreo, no maior vão da América Latina. Com 2,8 mil metros quadrados, além de não ter uma coluna, ele só possui paredes nas laterais. Esse também é um dos espaços dedicados às fotos dos visitantes. Além do vão, só em outra área aberta à visita é permitido fazer imagens no interior do palácio.

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As paredes são cobertas por alguns dos tantos paineis de Athos Bulcão espalhados pelo palácio e por outros prédios de Brasília. Todo o piso também é assinado pelo autor dos azulejos que revestem diversos monumentos da capital. Marca das suas obras, as pedras por onde andam os visitantes têm tamanhos diferentes e foram instalados de forma descontinuada.

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A famosa escada do Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

A frente do vão é cercada pelos vidros que se vê da rua. Ao fundo, fica um jardim aquático de Burle Marx, com plantas da Amazônia, que ameniza o calor e a seca. No centro do salão se encontra a famosa escada e obras de diversos artistas. Uma delas, a escultura Ponto de Encontro, de Mary Vieira, é interativa. Qualquer um pode alterar a posição das pesadas chapas de ferro da obra.

Mesa dos tratados

Subindo a escada helicoidal sem corrimões, os visitantes chegam ao segundo piso. Nele são realizadas entregas de medalhas e da Condecoração da Ordem do Rio Branco. Após essa explicação, o turista é convidado a observar a obra Metamorfose, de Franz Weissmann. Formada por placas de ferro cortadas, a escultura dá a sensação de movimento conforme o espectador anda.

Um painel em madeira de Athos Bulcão divide o espaço com a sala dos tratados. Os detalhes coloridos (preto, vermelho e amarelo) da Treliça representam os povos que formaram o brasileiro: o negro, o indígena e o europeu. Atrás dela fica a mesa onde são firmados os acordos e tratados internacionais. Nela, a Princesa Isabel assinou a abolição da escravatura no Brasil, em 13 de maio de 1888.

Niemeyer projetou essa sala para ficar de frente para o Ministério da Justiça (Palácio da Justiça), com vista geral graças à parede de vidro do Itamaraty. A ideia é que a Justiça brasileira testemunhe todos os tratados firmados pelo Brasil com outros países. Nesse andar ficam também o gabinete do ministro e do secretário-geral (inacessíveis aos visitantes).

Coquetéis e jantares

O tour segue por outra escada. Ela leva ao terceiro andar,destinado às recepções das comitivas internacionais, que podem ir de um simples coquetel a um completo jantar. Mas há muito mais do que mesas e cadeiras. Os salões desse pavimento são tomados por obras de arte brasileiras e alguns presentes oferecidos por outros países ao Brasil.

No primeiro dele, a Sala Dom Pedro I, estão expostas uma peça de óleo sobre tela retratando a coroação do mesmo, uma miniatura do Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, a Pomba da Paz, de João Alves Pedrosa, e um dos maiores tapetes persas do mundo (70m²), oferecido pela Rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Ao lado, fica a Sala Portiniari, a maior de coquetel do Itamaraty, onde duas obras representam o Sul e o Nordeste do Brasil: Os Gaúchos e Os Jangadeiros. Há ainda dois anjos talhados em madeira do estilo barroco. Feitos em 1.737, eles pertenciam à Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida para a abertura da avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro

A sala seguinte, batizada de Duas épocas, mescla móveis do século 18, como o jogo de cadeiras da Princesa Isabel e cômodas do Barão de Rio Branco, com obras de arte contemporâneas, como A Mulher e sua Sombra, de Maria Martins.

Contemplação

Depois, o visitante tem um momento para descanso, contemplação e mais fotos. O guia faz uma parada de até 10 minutos, no terraço, onde ficam diversas esculturas e um jardim suspenso de Burle Marx. Dali também tem uma vista espetacular da Esplanada dos Ministérios.

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Jardim suspenso de Burle Marx no Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

Em seguida, o grupo é reunido e levado à Sala Brasília, a maior do andar, destinada às recepções mais numerosas. Ela comporta 234 pessoas sentadas para refeições servidas com uma obra de Burle Marx em tapeçaria ao fundo e um biombo chinês da Dinastia Myng do século 14 (obra mais antiga do acervo do Palácio).

É o ponto final do tour. Mas o guia ainda permite mais uma parada para os turistas admirarem de perto o quadro de Pedro Américo que serviu de estudo para a sua obra-prima, a gigantesca tela Grito do Ipiranga, exposto no Salão Nobre do Museu Paulista, em São Paulo, e onipresente nos livros de história do Brasil.

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Corredor no Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

Programe-se

As visitas ao Palácio Itamaraty ocorrem todos os dias e são gratuitas.

Durante a semana: às 9h, 10h, 11h, 14h, 15h, 16h e 17h.

Nos fins de semana e feriados: às 9h, 11h, 14h, 15h e 17h.

Agendamento

É recomendável agendar a visita, já que as vagas são limitadas. Para isso, mande um email para visita@itamaraty.gov.br ou ligue para (61) 2030-8051. Você precisará informar o nome das pessoas que vão participar do tour e um telefone para contato.

Uma pousada charmosa em Brasília

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Os brasilienses têm um lugar para descansar nos fins de semana e feriados prolongados dentro do próprio Distrito Federal. Uma pousada que não deve nada à maioria das de Pirenópolis e da Chapada dos Veadeiros, os dois destinos preferidos dos candangos.  Ao contrário, ela oferece instalações e serviços superiores do que a média das instaladas nas duas localidades e com a vantagem de estar mais próxima da capital.

Distante 55km da área central de Brasília, a Villa Triacca Eco Pousada fica às margens da BR-251 (Brasília-Unaí), com acesso em frente à cooperativa do PADDF. Apesar de estar na área rural, em meio a uma fazenda de grãos, ela segue um conceito diferente de hotel-fazenda.

A hospedaria tem um lago para pesca e oferece passeio a cavalo e em trilha, mas para por aí. O hóspede não encontra a contumaz barulheira, confusão de um hotel-fazenda, como música alta, bebedeira com churrascada, partidas de baralho.

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Os donos e os funcionários da Villa Triacca prezam pelo conforto e pela tranquilidade do cliente. Tanto que não permitem que ninguém ligue aparelho sonoro em nenhum ponto da propriedade. Também não há TVs nas áreas comuns, como na recepção, no bar ou no restaurante. Tampouco existe churrasqueira, campo de futebol ou quadra esportiva.

O som ambiente dos dois restaurantes e do bar à beira da piscina toca em um volume que permite manter a conversa em um nível normal e até a concentração na leitura de um bom livro, atividade muito apreciada por boa parte dos hóspedes, muitos casais maduros. As caixinhas de som costumam ser alimentadas por clássicos da MPB e do rock internacional. Em feriados e nos fins de semana, há apresentação de músicos, com repertório de ótimo gosto, no bar da piscina e no jantar.

Vista privilegiada

Feitas de pedra, alvenaria, vidro e muita madeira, as instalações da Villa Triacca são, ao mesmo tempo, simples, charmosas e aconchegantes. Elas foram construídas em um lugar de rara beleza, em meio à mata de cerrado virgem e muitas nascentes de água. Um oásis em uma região onde o cerrado foi dizimado para dar lugar a plantações de soja e feijão, em sua maioria.

As duas alas com 18 apartamentos, separadas por um prédio central onde ficam a recepção e o restaurante (com um enorme salão e uma varanda suspensa), ficam de frente para dois lagos. Há ainda cinco bangalôs, também de frente para um lago.

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Todas as acomodações da pousadas têm porta de blindex na sacada e paredes revestidas de pedra para dar mais conforto térmico e acústico. (Clique aqui para ver as diferenças de cada tipo de hospedagem)

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Pesca e mergulho

No maior dos lagos, pode-se praticar a pesca esportiva. O reservatório de 9 mil metros quadrados tem peixes como matrinchãs, tilápias, pacus ,tucunarés, dourados e pintados. Ainda nele, também é possível andar de pedalinho, disponível de graça aos clientes. Em forma de cisne, os pedalinhos ainda ficam à espera de um  hóspede no outro lago. Em ambos, qualquer um pode nadar e mergulhar, em meio aos peixes. As crianças são incentivadas  a alimentar os bichos com porções de rações vendidas em saquinhos.

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Mas, para quem gosta de nadar, o melhor é a área de piscinas. Ao lado de um dos lagos e de um bar, elas são aquecidas e com piso de pedra, no estilo rústico que combina com uma área rural. Uma delas, com cascata, é o xodó das crianças. A outra, de 150 m², linda, é ideal para adultos.

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Em torno de ambas, cadeiras e meses de ferro e de plástico, mas de bom gosto, confortáveis. Espreguiçadeiras ficam sob cobertura de palhoças, dando um clima de praia, alimentado pelo bar, também feito de madeira e palhoça, onde são servidos drinques diversos, além de cerveja, refrigerantes,sucos, aperitivos, salgados, sanduíches, picolés e sorvetes.

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Vizinha à piscina menor, há o parquinho infantil. Ele tem pula-pula, mini arvorismo, casinha da árvore, balanço, entre outros atrativos. Tudo sob uma enorme mangueira, que propicia a devida sombra em dia de sol forte.

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De dar água na boca

A gastronomia é outro ponto forte da Villa Triacca. Em um ambiente rústico e acolhedor, com paredes revestidas de pedras e um deck sobre o lago, onde se pode apreciar peixes e uma bela vista, o Restaurante da Villa (foto abaixo) oferece um farto café da manhã e um saboroso jantar, sempre elaborado pelo chef tunisiano Naceur Ben Rhouma. Além de bom de serviço, ele é bom de papo. Faz questão de agradar os clientes. E adora falar dos seus pratos e da sua terra.

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Os almoços são servidos no restaurante Das Águas Bistrô Rural, próximo da área das piscinas. Os hóspedes podem saborear pratos da cozinha regional goiana, mineira e sulista, preparados pelos donos, gaúchos descendentes de alguns dos primeiros moradores do PADDF e servidos em um incomum imponente fogão a lenha de aço. Os legumes e verduras são em sua maioria orgânicos. O Das Águas Bistrô Rural também atende o público externo.

Falta café!

Claro, o Villa Triacca Eco Pousada tem os seus defeitos. A maioria, por não oferecer serviços e produtos elementares em um estabelecimento que se propõe a acolher o hóspede com o máximo de paz e conforto, em uma região quase desabitada, sem centros de compras por perto.

Faltam, por exemplo, os produtos e serviços como os de uma cafeteria e os de uma chocolateria. Não são oferecidos espresso, capuccino, chocolate quente. Tampouco chocolates finos. Nem mesmo qualquer tipo de chocolate ou doce. Há só café coado e chá em sachês, à disposição dos hóspedes, de graça, na recepção. Mas eles não suprem as necessidades de quem deseja consumir um café ou um chá de qualidade, após o jantar ou em um dia chuvoso, frio.

No bar à beira da piscina e no restaurante da pousada também não há sucos naturais. Nem mesmo de laranja e limão. Um pecado para um ambiente pensado para parecer com o de uma praia e que atrai tantas famílias com crianças pequenas, gente avessa a refrigerantes, em sua maioria.

Os donos se comprometeram a reparar tais falhas ainda nesta ano, com a compra de uma moderna máquina de café espresso e a instalação de uma pequena cafeteria.

(Realizada no período do carnaval de 2017, a viagem teve todas as despesas custeadas pelos administradores do blog)

 MAIS INFORMAÇÕES

Site oficial // e-mail // Facebook // Instagram

Telefones: (61) 4103-2792 e (61) 98463-1939

COMO CHEGAR

Passando a Ponte JK, em Brasília, siga pela avenida principal do Jardim Botânico, passando pela Escola Fazendária (Esaf), até o trevo da BR-251, no sentido Unaí. Ao avistar um posto de gasolina, o Pedrão (único no percurso), continue na rodovia federal por mais 8 km e estará em frente à Pamonharia Kiosque PadBier, já na fazenda (à esquerda); á direita a Coopa-DF, a Emater-DF e o Supermercado Egon’s e uma parada de ônibus. Siga até o próximo retorno à esquerda, retorne mais alguns metros no sentido Brasília e encontrará uma entrada à direita para a fazenda (não seguir para Palmital-MG, também à direita). Após entrar na fazenda, siga mais 1 km, observando as placas de identificação, e chegará À pousada. Para fazer todo esse percurso de carro, com trânsito normal, gasta-se em torno de 45 minutos.

Confira mapa clicando aqui

 

Três lugares para acampar perto de Brasília

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Salto de Corumbá: queda de 50m e boa estrutura

Quem está acostumado sabe como acampar em qualquer canto — seja na beira da estrada, seja no meio de uma floresta — sem qualquer estrutura de apoio. Iniciantes não precisam correr tanto risco. Ter a primeira experiência em campings pode ser valiosa, pois há o mínimo de conforto — terreno plano, banheiro e cozinha. Alguns alugam barracas com colchões e oferecem atividades guiadas.

Há áreas com vocação natural, como Corumbá de Goiás. O município a 130km de Brasília foi destaque quando uma de suas cachoeiras ilustrou a capa da revista Traveler em dezembro de 2015. A publicação da National Geographic elegeu a cachoeira do Salto Corumbá (a mais alta entre as sete da região) como um dos 20 lugares obrigatórios para conhecer em 2016. A queda d’água de 50 metros de altura fica no Salto Corumbá Camping, Clube e Hotel, que recebe em média 46 mil hóspedes por ano.

Poços

Turistas vão ao local desde a década de 1970. Na época, uma das cachoeiras estava seca porque um trecho do leito do rio Corumbá foi desviado, no século 19, para a exploração de ouro no fundo de poços onde, hoje, os visitantes mergulham.

As barracas ficam perto das cachoeiras, protegidas pela sombra das árvores. Há banheiros, duchas externas com água quente, energia elétrica e tanques à disposição. As refeições podem ser feitas na lanchonete ou no restaurante do hotel.

Experimente

Salto Corumba
Preço: Diárias no camping a partir de R$ 60

Chapada Imperial
Preço: R$ 220 por dois dias no camping. Inclui pensão completa, atividades e guias

Chapada Imperial / Foto de Breno Fortes
A Chapada Imperial fica dentro do DF

Cataratas dos Couros
De Alto Paraíso de Goiás, são 16km até a estrada de chão que leva às cataratas
Informações: Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Telefone: (62) 3446-1159.

Um roteiro pelas vinícolas de Goiás

O site Curta Mais, que sempre traz dicas preciosas de cultura e lazer no Distrito Federal e em Goiás,  trouxe uma matéria deliciosa e surpreendente sobre a produção de vinho no Centro-Oeste do Brasil. Um roteiro de vinícolas localizadas em Goiás, em meio a paisagens muito diferentes daquelas que nos remetem às fazendas de vinhedos. São quatro as opções:

Pireneus Vinhos e Vinhedos, em Colcalzinho

Vêm lá do município de Cocalzinho de Goiás, às margens do Rio Corumbá, premiados vinhos produzidos aqui no cerrado com uvas europeias. Na Pireneus Vinhos e Vinhedos, do médico e sommelier Marcelo Souza, são produzidos os vinhos Bandeiras e Intrépido: premiado com o título de melhor tinto pelo Anuário de Vinhos Brasileiro do Instituto Brasileiro de Vinhos de 2012, o Bandeiras é produzido com a italiana uva barbera, e recebeu o nome em homenagem aos bandeirantes, que descobriram a região onde as uvas são cultivadas. O Intrépido, por sua vez, é produzido com uvas francesas syrah, e representa a iniciativa corajosa e pioneira em produzir vinhos em uma região improvável.

A safra acontece sempre nos meses de agosto e setembro, e é possível agendar visitas em grupos de até dez pessoas para conhecer os vinhedos e participar de degustação harmonizada com os vinhos. Para maiores informações e agendamentos, é só entrar em contato pelo email pireneusvinhos@gmail.com.

Fazenda

Fazenda

Grupo participa de visita e refeição harmonizada na Fazenda Pireneus Vinhos e Vinhedos

Onde: Cocalzinho de Goiás, Serra dos Pirineus – a 129km de Goiânia

Agende uma visita pelo email: pireneusvinhos@gmail.com

Vinícola Serra das Galés, em Paraúna

Vinícola

Localizada no município de Paraúna, a vinícola Serra das Galés é a responsável pela produção dos vinhos Cálice de Pedra rosado, branco e tinto, elaborados a partir de variedades das uvas Isabel, Violeta, Niágara e Lorena. Tanto os vinhos quanto a vinícola fazem homenagem à Pedra do Cálice, principal monumento natural de Paraúna e símbolo da Serra das Galés, localizada no município. É possível visitar tanto a fábrica quanto a vinícola (o período ideal para conhecer a plantação são os meses de junho e julho, período das uvas), basta fazer agendamento prévio. Não é cobrada taxa e as visitas recebem até 35 pessoas. Para visitar a plantação, é preciso ir de transporte próprio, já que ela fica a 40km da fábrica.

Onde: Rodovia GO 320, s/n, km 1 – Setor Ponte de Pedra, Paraúna – GO

Informações: (64) 3556-1000

Fazenda & Vinícola Jabuticabal, em Hidrolândia

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A história da Fazenda & Vinícola Jabuticabal e antiga: em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, Antônio Batista da Silva plantou os primeiros pés de jabuticaba na área que daria origem à vinícola. Mas, foi apenas em 2000 que a fazenda deu início ao processo de industrialização da jabuticaba, dando início às atividades da vinícola, e assim, produzindo fermentados e cachaça de jabuticaba.

A fazenda é uma das maiores produtoras de jabuticaba do Brasil e do mundo, com mais de 38 mil pés, e é a única a aproveitar o fruto e transforma-lo em produtos industrializados, como o Javine, fermentado tinto produzido com jabuticaba, com 11% de teor alcoólico; e a Aguardente, cachaça derivada da destilação da casca da fruta.

O espaço está aberto à visitação do público nos períodos de safra, que têm início em setembro. Na época, é possível passar o dia por lá e comer quantas jabuticabas puder. É permitido levar comida pronta e bebida para fazer piquenique às sombras das frondosas árvores. Vale tomar também um bom banho no Rio Dourado que conta com uma prainha de areia bem convidativa.

Fazenda

 

Onde: Rodovia GO-319, KM 18, Distrito de Nova Fátima, Hidrolândia – GO

Informações: (62) 3505-9576 | 3505-9549

Vinícola Goiás, Itaberaí

Conhecer a Vinícola Goiás é como dar um passeio pelas grandes colônias italianas aqui no centro-oeste e ser transportado no tempo e no espaço. Pioneiros no projeto do enoturismo no estado, a vinícola tem instalações, roteiros e paisagismo projetados especialmente para promover uma experiência única para os visitantes.

Criada em 1998, a vinícola produz o suco natural Dell Nonno, elaborado com uvas Bordô e Isabel, sem aditivos químicos e conservantes na composição. A vinícola também comercializa uvas e geleias. Para conhecer, basta agendar uma visita por telefone.

Vinícola

 

Onde: Rua 1, s/n, Jardim Esmeralda, Itaberaí – GO

Informações: (62) 9934-4231 | (62) 8548-3392

Fazendinha JK, última morada de Juscelino, reabre ao público

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Renato Alves (texto) e Marcelo Ferreira (fotos)

Uma relíquia da história e da arquitetura nacional está em reforma para ser reaberta ao público, após quase cinco anos fechada. Última moradia do ex-presidente Juscelino Kubitschek, morto em 1976 em um acidente automobilístico, a Fazendinha JK receberá convidados em uma festa programada para setembro, quando o antigo dono faria 114 anos.

O imóvel conserva todos os móveis, artigos pessoais e itens de decoração de quando a família do político vendeu a propriedade, em 1984, a um ex-deputado paranaense, aliado dele. Além disso, localizada em Luziânia, distante 13km do centro da cidade goiana e a 60km de Brasília, a residência é a única obra de Oscar Niemeyer na zona rural.

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Juscelino comprou o imóvel em 1972, após ter o mandato cassado pela ditadura militar e de ser proibido de entrar em Brasília. Queria um lugar onde pudesse passar os dias, reunir os amigos e, de lá, ao entardecer, ver as luzes da capital que ergueu no Planalto Central. Encantou-se com a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista. Decidiu comprá-la e a apelidou de fazendinha. Virou a Fazendinha JK.

Ali, Juscelino se tornou produtor rural. Usou modernas práticas de irrigação. Plantou soja, arroz, café, eucalipto, na intenção de provar que o solo do cerrado era fértil.

Quando JK adquiriu a propriedade, ela tinha 310 alqueires e nenhuma moradia. O casarão só seria inaugurado em 12 de setembro de 1974. No quintal, o ex-presidente costumava reunir os amigos para almoçar ao redor de uma mesa de pedra.

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Na sala de jogos e na discoteca, Juscelino organizava festas regadas a pinga e embaladas por violeiros. A mesa de pôquer, com 11 cadeiras, continua intacta. As prateleiras são enfeitadas por presentes, como uma porcelana japonesa e uma licoeira com os traços do Palácio do Alvorada.

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Mineira e moderna

Com janelas grandes, o casarão parece uma antiga casa de fazenda mineira, mas com características modernas de Niemeyer. “Como Juscelino havia sido cassado pela ditadura e não tinha dinheiro algum, ela foi construída com doações de amigos. Por isso, é feita de materiais baratos, como o piso de ardósia da varanda. No entanto, a pedido de Niemeyer, a ardósia foi colocada como uma obra de arte, um jogral”, ressalta uma das administradoras da propriedade, Rosana de Queiroz Servo, 48 anos.

As grossas paredes de concreto também receberam um tratamento artístico. Com uma intervenção em baixo-relevo, ela ficou parecendo ser feita de tijolo. Todo o exterior é pintado nas cores branca e azul.

Dentro, ficam as maiores preciosidades. Entre outras coisas, os cômodos abrigam presentes dados a JK por chefes de Estado. Também guardam móveis luxuosos e de traços modernistas e raridades colecionadas pelo fundador de Brasília, como 1,8 mil livros expostos em sua biblioteca e organizados conforme a cor da capa. A maioria tem dedicatórias dos autores para o presidente.

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Nos quartos, além das camas originais e dos forros delas, há curiosidades da arquitetura, como a banheira da suíte de Juscelino e da mulher dele, dona Sarah. Na verdade, uma parte do piso de concreto liso, um desnível sob o chuveiro. Uma moderna banheira econômica. Joia de Niemeyer.

Os vidros envelhecidos e o tom alaranjado estão por toda parte. Eram moda na época. Uma lareira divide as salas de estar e jantar, de onde é possível ver o jardim com estilo de bosque e uma das três represas da fazenda, todas com água potável. Nas paredes, há pinturas de diversas cidades brasileiras, principalmente das mineiras Ouro Preto e Diamantina.

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Por um corredor de carpetes verdes, chega-se às quatro suítes. Três são iguais: armários revestidos com papel de parede floral, banheiros brancos e duas camas de solteirão, com colchões semiortopédicos sob um colchonete de 3cm de espessura — exigência de dona Sarah.

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O quarto dela e de JK tem uma cama de casal de pelo menos 80 anos, um crucifixo e um terço pregados na parede, e uma maleta de pôquer. Na cozinha, fogão industrial de seis bocas e panelas de pedra-sabão.

Compromisso

Com a morte do presidente, o imóvel ficou para a família Kubitschek. Oito anos mais tarde, ela o vendeu a Lázaro Servo, deputado estadual pelo Paraná e amigo de Juscelino, e à mulher dele, Walkíria Ganassin Servo. Na negociação, Sarah pediu aos novos donos para manter a casa e, principalmente, os móveis e objetos pessoais do marido dela como originais. Era um acordo verbal, mas Lázaro e Walkíria seguiram o desejo.

Sarah se mudou com as filhas para o único imóvel da família, um apartamento no Rio de Janeiro. Os seis filhos, os 13 netos e os quatro bisnetos de Lázaro e dona Walkíria, hoje com 82 anos, cresceram naquele ambiente de história viva.

Morando na Fazendinha, Lázaro morreu de infarto, em 1999. Tempos depois, quatro dos seis filhos dele decidiram fracionar parte da propriedade. Sobraram 78 alqueires, incluindo a área onde ficam os lagos a mansão e uma ermida — também projetada por Niemeyer, é uma réplica reduzida da capela do Palácio do Alvorada, com vitrais de Marianne Peretti, a autora dos vitrais da Catedral de Brasília.

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Desde então, Antônio Henrique Belizário Servo, caçula de Lázaro, e a mulher dele, Rosana, se dedicam a preservar o imóvel e a memória de JK, com o aval da matriarca Walkíria. Eles buscaram apoio, fizeram treinamentos e abriram a fazenda à visitação, em 2009, após ampla reforma. Mas as visitas guiadas, com média de mil pessoas por ano, foram insuficientes para manter a casa. Com isso, o casal encerrou a atividade em 2012.

Seresta

Agora, com a ajuda dos três filhos, Antônio e Rosana se preparam para retomar o tour turístico, com maior oferta de serviços. Após obras de manutenção, principalmente em função de vazamentos no casarão, ocorrerá a festa de reabertura, em 17 de setembro. Com uma seresta, celebrará também o nascimento de JK. A partir de então, a família Servo passará a receber grupos pré-agendados, de, no mínimo, 20 pessoas.

“Elas poderão escolher, ainda, tomar um café da manhã na varanda, almoçar, fazer um lanche da tarde ou mesmo todas as refeições, em um dia inteiro de visitação”, adianta Rosana. O preço, segunda ela, vai variar de acordo com a quantidade de visitantes e dos serviços contratados.

Além da visita guiada pelo interior da casa, que deverá durar duas horas, será possível fazer caminhada pela mata preservada da fazenda, conhecer e apreciar frutas típicas do cerrado, subir o morro onde está a ermida de Niemeyer e ainda ver — e até entrar — na Mercedes Benz 1963 usada na campanha presidencial de JK. Restaurado pelo Exército, o veículo luxoso conserva pneus originais, bancos de couro e volante de osso. Ele fica guardado em uma garagem coberta da Fazendinha JK.

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SERVIÇO
Grupos interessados em conhecer a Fazendinha JK mesmo em obras, ou em agendar o tour para a partir de setembro podem entrar em contato com os organizadores pelos telefones  (61) 98199-9206, 98247-0397 e 99845-9030, ou pelo e-mail rosana.servo@gmail.com

NÃO DEIXE DE CONFERIR

1,8 mil livros
Incluindo coleção rara de medicina, da época em que Juscelino fez pós-graduação em Paris

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Mercedes Benz 1963
Usada na campanha presidencial, com os pneus originais, bancos de couro e volante de osso

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Cadeira de JK
Ele usou quando governou Minas Gerais

Duas máquinas de escrever Olivetti
Também usadas pelo ex-presidente

Caixa de pôquer
Com a inscrição “20/11/1971” na tampa de madeira, dia em que JK estava jogando e fez um royal de copas

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Mesa de pôquer
Com 11 cadeiras intactas

Presentes de embaixadores
Ficam nas prateleiras da sala de jogos, como uma porcelana japonesa e uma licoeira com os traços do Palácio do Alvorada

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Quadros de fotos
Em preto e branco, da época da construção de Brasília, de JK e de dona Júlia, mãe de Juscelino

Roupas de cama
Todas originais

Pratarias, louças e cristais
Tudo também original

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Mesa de jantar
Com tampo de vidro

Cadeiras
Forradas com veludo alemão

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Uma expedição para fotografar a vida noturna no cerrado

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Luiz Calcagno
(texto) e Ed Alves (foto)
Do Correio Braziliense

A vontade de ensinar fotografia em meio à natureza nasceu de expedições divertidas com amigos e da sensação de pertencimento ao mundo “como ele é”. É assim que o fotógrafo Henrique Ferrera descreve o início de um antigo projeto. Ele leva profissionais e amadores para clicar a natureza e a via láctea em passeios que duram, pelo menos, dois dias. Viagens de carro, longas caminhadas, trilhas sinuosas, aclives, declives, risco de quedas, barracas, rios, cachoeiras e madrugadas estreladas estão nos roteiros. Um dos lugares preferidos para a excursão é a fazenda Indaiá, na GO-118, a caminho de São Gabriel (GO), a pouco mais de 70km do Distrito Federal, onde a nossa equipe participou da expedição.

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Nascido em Brasília, Ferrera conta que passou boa parte da infância no cerrado, à beira de rios da região, e conhece todas as cachoeiras da capital e dos municípios goianos mais próximos. A expedição fotográfica, ele admite, era um risco, já que, no início, apenas três ou quatro amigos se reuniam para peregrinar por cenários distantes no Planalto Central. “Quem sabia sobre as minhas saídas sempre pedia para ir junto, para fazermos algo maior. Eu comecei a convidar grupos, fazer algo mais organizado e a coisa tomou forma espontaneamente. Agora, de dois em dois meses, fazemos uma saída”, explica.

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Nas viagens mais longas, Henrique conta que já contratou cozinheiros e auxiliares para carregar bagagem ou material fotográfico de parte dos integrantes do grupo. “Já fizemos a Chapada dos Veadeiros; a Cidade de Pedra, em Pirenópolis; e outras cachoeiras do Entorno. Estamos com uma viagem ao Peru marcada para abril, com Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu no roteiro. Rodaremos por sete dias”, conta. “Agora, estou no estágio de ser mais seletivo. Organizamos as saídas de acordo com o nível de dificuldade, a fim de que as pessoas se adaptem melhor e tenham mais energia para aproveitar as caminhadas e ficarem mais tempo fazendo foto”, completa.

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Mais do que aprender sobre fotografia, Henrique destaca que os participantes aprendem a se sintonizar com a natureza, o que vai desde os cuidados com a preservação e a limpeza dos locais que visitam, a atenção com a segurança e com animais silvestres, até os momentos de contemplação. “Por gostar de mato, eu me perco na imensidão, em lugares maravilhosos. Depois, compartilho isso com as outras pessoas. Você vê o planeta como uma coisa maravilhosa. É impossível não repensar nossas vidas, não repensar valores. Naquele momento, não há medo: você faz parte da natureza” garante.

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Outro céu

Fotógrafo amador, o funcionário público Anderson Duarte, 33 anos, concorda com Henrique. Ele participou pela primeira vez da expedição fotográfica. E conta que, longe das cidades, se espantou com a quantidade de estrelas no céu. “Descobri a expedição por colegas fotógrafos. Eu clico como hobby e gosto de fotos de paisagem. Faço muitas imagens de Brasília. O legal foi ter contato com pessoas de diferentes níveis de experiência se ajudando. No dia a dia da cidade, não vemos o céu tão estrelado, não escutamos o barulho da cachoeira. Nunca tinha ficado tanto tempo percebendo isso”, destaca.

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A servidora pública Helena Oliveira, 42, destaca os desafios da empreitada. Ela lembra que não é a mesma coisa “enfiar o pé na água da cachoeira no meio da madrugada”. Além da escuridão, há o frio e a umidade. Longe de ser um problema, os percalços se tornaram um incentivo e parte da diversão. “Eu amo natureza e fotografia. Unir as duas coisas é a combinação perfeita. Como fotógrafa amadora, já fiz vários cursos relacionados ao tema, mas foi a primeira vez que fotografei de madrugada e com muito tempo dedicado a isso. Eu nunca tinha ido para um ambiente desses de madrugada também. É mais frio que tudo”, recorda.
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