Como é uma visita ao Palácio Itamaraty

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Entrada lateral do Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

O Palácio Itamaraty encanta quem passa pela Esplanada dos Ministérios. Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, o edifício também impressiona por dentro. O seu interior conserva centenas obras de arte e mostra a complexidade e a leveza daquela que é considerada uma das maiores maravilhas da arquitetura moderna.

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Painel de Athos Bulcão em corredor do Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

O acesso ao rico acervo do Ministério das Relações Exteriores (MRE) não está restrito aos diplomatas brasileiros e estrangeiros. No dia seguinte à cerimônia oficial de inauguração do Itamaraty, em 14 de março de 1967, o prédio foi aberto ao público, tradição que permanece inalterada nesses 50 anos.

Especializados em história, arte e arquitetura, servidores muito bem treinados do MRE comandam visitas todos os dias da semana. O turista estrangeiro pode agendar uma visita guiada em inglês, francês e espanhol, muitas vezes para o mesmo dia. Tudo de graça.

Informalidade

A entrada é pela lateral do prédio, passando pelos jardins e entre o Itamaraty e o Ministério da Saúde. Ao entrar no palácio, funcionários dão as boas-vindas e informam o horário do próximo tour. O visitante é convidado a assinar um livro de presença e dispensado de qualquer revista. Apesar da pomposidade do prédio, pode-se entrar inclusive de sandálias, saia e bermuda no fim de semana. Itens vetados durante a semana.

Após a espera sentada em uma das confortáveis cadeiras com almofadas de couro, desenhadas especialmente para a decoração do palácio, o guia se apresenta ao grupo. A visita começa no térreo, no maior vão da América Latina. Com 2,8 mil metros quadrados, além de não ter uma coluna, ele só possui paredes nas laterais. Esse também é um dos espaços dedicados às fotos dos visitantes. Além do vão, só em outra área aberta à visita é permitido fazer imagens no interior do palácio.

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As paredes são cobertas por alguns dos tantos paineis de Athos Bulcão espalhados pelo palácio e por outros prédios de Brasília. Todo o piso também é assinado pelo autor dos azulejos que revestem diversos monumentos da capital. Marca das suas obras, as pedras por onde andam os visitantes têm tamanhos diferentes e foram instalados de forma descontinuada.

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A famosa escada do Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

A frente do vão é cercada pelos vidros que se vê da rua. Ao fundo, fica um jardim aquático de Burle Marx, com plantas da Amazônia, que ameniza o calor e a seca. No centro do salão se encontra a famosa escada e obras de diversos artistas. Uma delas, a escultura Ponto de Encontro, de Mary Vieira, é interativa. Qualquer um pode alterar a posição das pesadas chapas de ferro da obra.

Mesa dos tratados

Subindo a escada helicoidal sem corrimões, os visitantes chegam ao segundo piso. Nele são realizadas entregas de medalhas e da Condecoração da Ordem do Rio Branco. Após essa explicação, o turista é convidado a observar a obra Metamorfose, de Franz Weissmann. Formada por placas de ferro cortadas, a escultura dá a sensação de movimento conforme o espectador anda.

Um painel em madeira de Athos Bulcão divide o espaço com a sala dos tratados. Os detalhes coloridos (preto, vermelho e amarelo) da Treliça representam os povos que formaram o brasileiro: o negro, o indígena e o europeu. Atrás dela fica a mesa onde são firmados os acordos e tratados internacionais. Nela, a Princesa Isabel assinou a abolição da escravatura no Brasil, em 13 de maio de 1888.

Niemeyer projetou essa sala para ficar de frente para o Ministério da Justiça (Palácio da Justiça), com vista geral graças à parede de vidro do Itamaraty. A ideia é que a Justiça brasileira testemunhe todos os tratados firmados pelo Brasil com outros países. Nesse andar ficam também o gabinete do ministro e do secretário-geral (inacessíveis aos visitantes).

Coquetéis e jantares

O tour segue por outra escada. Ela leva ao terceiro andar,destinado às recepções das comitivas internacionais, que podem ir de um simples coquetel a um completo jantar. Mas há muito mais do que mesas e cadeiras. Os salões desse pavimento são tomados por obras de arte brasileiras e alguns presentes oferecidos por outros países ao Brasil.

No primeiro dele, a Sala Dom Pedro I, estão expostas uma peça de óleo sobre tela retratando a coroação do mesmo, uma miniatura do Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, a Pomba da Paz, de João Alves Pedrosa, e um dos maiores tapetes persas do mundo (70m²), oferecido pela Rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Ao lado, fica a Sala Portiniari, a maior de coquetel do Itamaraty, onde duas obras representam o Sul e o Nordeste do Brasil: Os Gaúchos e Os Jangadeiros. Há ainda dois anjos talhados em madeira do estilo barroco. Feitos em 1.737, eles pertenciam à Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida para a abertura da avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro

A sala seguinte, batizada de Duas épocas, mescla móveis do século 18, como o jogo de cadeiras da Princesa Isabel e cômodas do Barão de Rio Branco, com obras de arte contemporâneas, como A Mulher e sua Sombra, de Maria Martins.

Contemplação

Depois, o visitante tem um momento para descanso, contemplação e mais fotos. O guia faz uma parada de até 10 minutos, no terraço, onde ficam diversas esculturas e um jardim suspenso de Burle Marx. Dali também tem uma vista espetacular da Esplanada dos Ministérios.

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Jardim suspenso de Burle Marx no Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

Em seguida, o grupo é reunido e levado à Sala Brasília, a maior do andar, destinada às recepções mais numerosas. Ela comporta 234 pessoas sentadas para refeições servidas com uma obra de Burle Marx em tapeçaria ao fundo e um biombo chinês da Dinastia Myng do século 14 (obra mais antiga do acervo do Palácio).

É o ponto final do tour. Mas o guia ainda permite mais uma parada para os turistas admirarem de perto o quadro de Pedro Américo que serviu de estudo para a sua obra-prima, a gigantesca tela Grito do Ipiranga, exposto no Salão Nobre do Museu Paulista, em São Paulo, e onipresente nos livros de história do Brasil.

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Corredor no Palácio Itamaraty – Foto de Renato Alves

Programe-se

As visitas ao Palácio Itamaraty ocorrem todos os dias e são gratuitas.

Durante a semana: às 9h, 10h, 11h, 14h, 15h, 16h e 17h.

Nos fins de semana e feriados: às 9h, 11h, 14h, 15h e 17h.

Agendamento

É recomendável agendar a visita, já que as vagas são limitadas. Para isso, mande um email para visita@itamaraty.gov.br ou ligue para (61) 2030-8051. Você precisará informar o nome das pessoas que vão participar do tour e um telefone para contato.

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As joias dos palácios do Planalto e do Itamaraty

Itamaraty

Eunice Pinheiro, da Encontro Brasília

A Esplanada dos Ministérios é um verdadeiro museu de arte. Não só um museu dos símbolos nacionais, que costuma atrair milhares de pessoas para o turismo cívico na capital, mas um conjunto de museus – composto por Ministérios e Palácios – que guardam obras de artistas nacionais e internacionais. São telas, esculturas, vitrais e peças de mobiliário que, muitas vezes, passam despercebidos numa visita onde a arte não é o foco principal. E o melhor: a maior parte desse acervo está aberta à visitação pública, gratuitamente.

O Palácio do Planalto e o Palácio do Itamaraty são os dois locais que concentram as obras mais famosas de toda a Esplanada. Trabalhos que chegam a valer mais de R$ 4 milhões no mercado, como o painel As Mulatas, de Di Cavalcanti, e outros, que pelo valor histórico nem podem ser avaliados, como a tela gigante de Roberto Burle Marx (14 m x 4,8 m), de 1972, criada especialmente para ocupar o Salão Oeste do Palácio do Planalto.

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Ao todo, ainda não se sabe o número exato de obras de arte que povoam a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, já que o levantamento, que está sendo feito pelo governo federal, ainda não foi concluído. Mas são dezenas de trabalhos de artistas renomados, como Djanira da Motta e Silva, Joan Miró, Frans Krajcberg, Sérgio Rodrigues e Alberto Nicola. Até 2009, a maior parte dessas obras estava perdida nos subsolos dos Palácios.

A ideia de catalogar as obras de arte dos palácios surgiu em 2009, durante a reforma do Palácio do Planalto. O projeto foi apresentado à ex-primeira dama Marisa Letícia, que aceitou o desafio e mandou abrir as portas. A partir daí, palmo a palmo dos palácios do Planalto e da Alvorada passou a ser vasculhado. “Na verdade, havia uma ideia da existência de um bom acervo de arte nos Palácios. Mas não havia um catálogo dessas obras. Tampouco se sabia com exatidão onde elas se encontravam”, conta Claudio Soares Rocha, secretário executivo da Comissão de Curadoria dos Palácios do Planalto e da Alvorada.

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A caça às obras revelou muitas surpresas. Uma delas foi um quadro do artista catalão Joan Miró, avaliado em R$ 1 milhão, pendurado na sala de suprimentos do Planalto. Durante anos, o quadro azul ficou ali, quietinho, sem ninguém imaginar a relíquia sustentada por um pequeno preguinho. Com a tapeçaria de Alberto Nicola não foi diferente. Depois de enfeitar a recepção do Palácio do Planalto, na década de 1990, foi parar no restaurante da guarda.

Mas o destino dado ao relógio Luiz XIV, confeccionado pelo relojoeiro do rei francês, Balthazar Martinot, foi demais. A peça foi parar no depósito de barcos do Palácio da Alvorada. Ninguém sabe dizer quanto tempo esse relógio ficou por lá, mas foi encontrado sob um monte de colchões velhos e precisando de recuperação. Meses depois de resgatado, ainda se buscava a cúpula dele – uma imagem do deus grego Netuno –, encontrada, posteriormente, numa caixa de ferramentas da oficina do palácio.

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Tirando esses casos mais escabrosos, a verdade é que, durante muito tempo, funcionários conviveram com obras importantes nacionais e internacionais em suas salinhas pensando que fossem obras vendidas em uma feirinha qualquer. Agora, que elas foram resgatadas, estão expostas ao grande público, devidamente recuperadas, identificadas e catalogadas. “Quando terminamos o levantamento das obras, chegamos à conclusão de que elas deveriam ser expostas ao público.

O que adianta ter boas obras se elas ficarem fechadas em salas?”, questionava Claudio Rocha. Com isso, as obras dos artistas mais renomados foram expostas nos corredores dos Palácios, no gabinete da presidente Dilma Rousseff e nos salões de reuniões, com destaque maior para os artistas nacionais.

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Assim, durante a visita guiada ao terceiro andar do Palácio do Planalto, por exemplo, podem ser vistas as obras de Di Cavalcanti, Geraldo de Barros, Frans Krajcberg, Frank Schaeffer, Alfredo Volpi, Antônio Maluf e a bela escultura de Bruno Giorgi, com o nome de O Flautista. Nos gabinetes fechados, ficaram apenas os trabalhos de artistas pouco conhecidos.

No mezanino, podem ser vistos também conjuntos de mobiliários desenhados por talentos como Sérgio Rodrigues e Jorge Zalzuspin. Aliás, o mobiliário do Palácio do Planalto é um espetáculo à parte. Peças dos designers mais importantes das décadas de 1960 e 1970 estão presentes ali. Incluindo a mesa de trabalho do então presidente Juscelino Kubitschek, desenhada por Niemeyer.

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“A restauração dos móveis e a indicação da existência de algumas obras de arte importantes seguiram os relatos de Anna Maria Niemeyer, arquiteta e filha de Oscar Niemeyer, que trabalhou na decoração dos Palácios durante a construção deles. Era ela quem, sob as ordens do presidente Juscelino Kubitschek, comprava obras de arte para decorar os palácios e, assim, começou a montar nosso acervo”, explica Claudio Ramos.

Além dos trabalhos que chegavam pelas mãos da filha de Niemeyer, o acervo dos palácios foi formado por doações de obras, presentes presidenciais e espólios, como os três quadros de Djanira, que faziam parte da massa falida do antigo Lloyd Brasileiro.

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Hoje, o governo não compra obras de arte. Por isso a carência de artistas contemporâneos nas paredes dos palácios. “Para renovarmos o acervo, precisamos que os artistas doem suas obras. Porém, isso raramente acontece”, diz Ramos.

No Palácio do Itamaraty, as obras contemporâneas já são vistas em abundância. Como cada órgão administra seu acervo artístico individualmente, o Ministério das Relações Exteriores é um dos poucos órgãos do governo que têm realizado concursos de arte contemporânea. Os trabalhos premiados são adquiridos pela instituição. Foram duas edições até o momento: em 2011 e 2012.

Com isso, qualquer visitante interessado em apreciar os trabalhos de artistas como Tomie Ohtake, Francisco Brennand, Athos Bulcão, Volpi e Emmanuel Araújo tem a chance de ver também os trabalhos de novos artistas. Aliás, um acervo impressionante, de tão bonito.

Por exemplo, logo na entrada do Palácio do Itamaraty, uma exposição apresenta as últimas 20 aquisições do ministério, fruto do concurso de 2012. São óleos sobre tela, fotografias e esculturas, como a escultura Iceberg, de Flávio dos Santos Cerqueira, que transporta o expectador para o olhar infinito de um menino.

Quais são, onde ficam e como estão as obras de Niemeyer no DF

Interior da Catedral Metropolitana de Brasília/Foto de Gustavo Moreno

Gizella Rodrigues, do Correio Braziliense

Para ser apresentado ao legado do arquiteto que desenhou curvas no concreto e revolucionou a arquitetura brasileira, é preciso subir a Plataforma Superior da Rodoviária do Plano Piloto. Lá de cima, é possível compreender a concepção da cidade estruturada sob dois eixos que se cruzam exatamente ali, no local construído para permitir os encontros dos brasilienses e das pessoas que a capital acolheu tão bem. Do alto, também se tem uma primeira e deslumbrante vista da Esplanada dos Ministérios, com seus monumentos projetados por Oscar Niemeyer. Descendo e caminhando a pé em direção ao Congresso Nacional, estão obras primas da arquitetura moderna, como o Museu Nacional, a Catedral, os ministérios e o Itamaraty. Ao chegar na Praça dos Três Poderes e admirar as colunas do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), o visitante entende porquê Brasília é uma cidade única em todo o mundo.

O percurso é óbvio e encanta turistas e brasilienses que não se cansam de contemplar a beleza da capital da República. Mas as obras de Niemeyer vão além, estão espalhadas por todos os cantos do Plano Piloto e também podem ser vistas em outras regiões administrativas, como Ceilândia e Sobradinho. Além de monumentos, Niemeyer fez prédios que nem de longe se parecem com as suntuosas edificações erguidas ao longo do Eixo Monumental, como edifícios comerciais no Setor Comercial Sul e residenciais nas superquadras 107 e 108 Sul. Projetou igrejas, casas, hospital, palácios, museus. Uma infinidade criativa que se estendeu até meses antes de sua morte. O último projeto dele construído em Brasília foi a Torre de TV Digital, concebida em 2008, quando Niemeyer já tinha 101 anos.

Ninguém sabe ao certo quantos projetos o arquiteto fez em Brasília, mas estima-se que são mais de 100. Alguns deles já sumiram, como as residências geminadas das quadras 707, 708, 711 e 712 Sul. Outros são descaracterizados aos poucos, estão em reforma e ou em péssimo estado de conservação. Com ajuda do livro Brasília 50 anos: guia de obras de Oscar Niemeyer, de Silvia Ficher e Andrey Schlee, publicado em 2010 pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e pela Câmara dos Deputados, o Correio Braziliense listou 25 obras e percorreu todas elas para mostrar como está a manutenção de cada uma.

Catetinho/Foto de Gustavo Moreno

Estação Rodoferroviária

Oscar Niemeyer quis fechar o Eixo Monumental com um edifício-barra baixo, simplesmente elevado do solo servindo de pórtico para quem chegava ou saía de Brasília. Com um desenvolvimento longitudinal acentuado – como boa parte das grandes estações ferroviárias, o prédio é marcado pela repetição das 44 aberturas quadradas no pavimento superior e pela sequência dupla de cinco pilares que apoiam a construção. O edifício foi inaugurado em 28 de abril de 1981. Originalmente, a obra servia à rede federal de estradas de ferro, mas foi adaptada para abrigar o terminal de ônibus interestaduais, antes localizado na Plataforma Rodoviário. Atualmente, o edifício é sede de órgãos do GDF já que, em 2010, a parada dos ônibus interestaduais foi transferida para a nova Rodoviária, em frente ao ParkShopping. Com a mudança, várias obras foram feitas no local. A fachada foi mantida, mas o interior do edifício foi completamente descaraterizado. O vão que antes era livre para a passagem dos passageiros está fechado por um vidro fumê que tampa toda a lateral do prédio.

Catedral Rainha da Paz

As curvas feitas com o concreto lembram uma barraca de acampamento. Inaugurada em 12 de dezembro de 1994, a Rainha da Paz, foi construída a partir da estrutura do palco montado para missa celebrada na segunda visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em outubro de 1991. O altar da cerimônia foi desenhado por Niemeyer, que fez uma base retangular coberta no formato de uma tenda militar, estrutura que foi desmontada após a missa, mas inspirou o projeto da Catedral, em ótimo estado de conservação ainda hoje, 18 anos depois da inauguração. Ângelo Nascimento, 49 anos, faz serviços voluntários em obras sociais e visita a igreja quase diariamente. Devoto de Nossa Senhora, ele vai à catedral para rezar, mas também admira as curvas de Niemeyer. “Ele fez tudo com a alma, por isso é tão bonito”, elogia.

Quartel General do Exército

De todas as obras de Niemeyer construídas durante o regime militar, o Quartel General do Exército (1967-1972) é a mais representativa. Há quem conte que o general Teixeira Lott teria perguntado ao arquiteto se os prédios do Exército seriam modernos ou clássicos e que Niemeyer, sorrindo, retrucara: “Numa guerra, o senhor prefere armas modernas ou clássicas?” Para construir o quartel rapidamente, Niemeyer foi buscar na Universidade de Brasília (UnB) um sistema de pré-fabricação que havia sido desenvolvido por João Filgueiras Lima, o Lelé. Assim foram erguidos os nove edifícios pavilhonares que abrigam as atividades administrativas e burocráticas do Exército. A arquitetura do local encantou os turistas Floraci de Oliveira Dutra, 74 anos, Anadete Marques de Jesus, 64, e Lourival Oliveira Santos, 73, que vieram à Brasília pela primeira vez visitar parentes e conhecer a capital federal. “Já tínhamos visto imagens pela televisão, mas pessoalmente me surpreendeu. É ainda mais bonita”, disse Lourival. “Niemeyer é um dos brasileiros que tínhamos orgulho de ter. Mas ele viveu o tanto que mereceu.”

Memorial JK

Funcionários do espaço, privado e administrado pela neta de Juscelino Kubitschek, Anna Christina Kubitschek, arregaçam as calças e entram nos espelhos d’água para limpa-los. O cuidado com um dos monumentos mais visitados de Brasília pode ser visto pela conservação do local, todo revestido em mármore. O memorial foi reformado em 2000, o que incluiu reconstrução do auditório e a restauração do espelho d’água e suas cascatas, há muito tempo desativadas. Em 21 de abril de 2001, foi inaugurada a nova iluminação externa do memorial que, além de promover uma rigorosa revisão nas instalações elétricas e hidráulicas, valorizou mais as formas da arquitetura do monumento. O projeto foi idealizado em 1980 e inaugurado em 12 de setembro de 1981, data em que JK teria completado 79 anos. O monumento foi realizado para homenagear a memória do ex-presidente e abrigar definitivamente seus restos mortais, antes depositados em um túmulo também desenhado por Niemeyer no cemitério Campo da Esperança. JK vigia a cidade em cima de uma torre de 28m de altura na frente do memorial dedicado a ele.

Memorial Jk - Brasília

Memorial dos Povos Indígenas

A construção circular de 70m de diâmetro e dois pavimentos é inspirada na forma de uma maloca Yanomami. O espaço do memorial, aberto ao público em 1999, inclui uma área livre para exposições e um grande terreiro livre, como as praças das adeias bororós. Assim, o coração do museu é o pátio interno onde são realizadas as apresentações e rituais indígenas, parcialmente coberto por uma casca de concreto em balanço. Por fora, o prédio é totalmente branco, assim como outros monumentos de Niemeyer. A gerente do memorial, Tânia Primo, servidora da Secretaria de Cultura, diz que o edifício recebe uma mão de tinta esporadicamente, para que o branco não fique marrom. Este ano, por exemplo, ele foi pintado em março quando a administração preparava o espaço para receber a atual exposição, que vai até o fim do ano que vem. Na ocasião, também ocorreram mudanças na iluminação, reposição do piso e reparos hidráulicos. Ano que vem deve ocorrer uma reforma no telhado. “Branco é terrível. A gente pinta e seis meses depois tem que pintar de novo. Mas estamos sempre cuidando para não ficar tão ruim”, afirma Tânia.

Touring Clube do Brasil

Quando Lucio Costa fez o projeto do Plano Piloto, destinou as áreas contíguas ao cruzamento dos dois Eixos (Monumental e Rodoviário) ao chamado centro de diversões da cidade. O Teatro Nacional ocupou o lado norte e Niemeyer projetou o edifício sede do Touring Clube do Brasil, obra que durou de 1964 a 1967. Lucio Costa desejava um pavilhão baixo “debruçado sobre os jardins do setor cultural” e Niemeyer desenhou uma pequena edificação avarandada, organizada em dois pavimentos. O piso inferior foi ocupado por um posto de gasolina, já abrigou moradores de rua e usuários de crack e, atualmente, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) aluga salas no prédio pertencente à iniciativa privada. O edifício está em péssimas condições e o Iphan questiona a venda. Os funcionários convivem com goteiras, fios expostos, teto de gesso quebrado e pintura descascada. Em 2001, Niemeyer sugeriu que o Touring fosse demolido para a construção de um centro de novas mídias no local.

Complexo Cultural da República

Desde a inauguração da capital houve várias propostas para a ocupação do local, previsto por Lucio Costa como forma de complementar o setor de diversões, mas nenhuma delas foi executada. Em 1999, Niemeyer apresentou o projeto do complexo cultural, com museu, biblioteca e restaurante (do lado sul). Uma grande praça de 91 mil metros quadrados, recebeu os três prédios. Inaugurado em 2007, o Complexo Cultural da República, formado pelo Museu Nacional e pela Biclioteca Nacional, é uma das mais recentes obras de Niemeyer em Brasília, está pronto há apenas cinco anos, mas já demanda manutenção. O forro do teto da Biblioteca Nacional está cheio de infiltrações, estufado, buracos e goteiras. A pintura está manchada, assim como a do Museu Nacional. A alça lateral do museu, que servia para a passagem dos visitantes, está fechada e cheia de rachaduras que ameaçam comprometer a estrutura. A Secretaria de Cultura tenta conseguir que a construtora faça os reparos nos edifícios, pois a obra ainda estaria na garantia de cinco anos.

Brasília, Museu da República/Foto de João Campello

Catedral Metropolitana

A estrutura da igreja – 16 colunas curvas de concreto que quase se encontram no alto – lembram duas mãos se unindo em oração. A Catedral Metropolitana de Brasília foi o primeiro monumento a ser criado na capital. O projeto é de 1958 e a igreja é uma das mais famosas expressões artísticas de Niemeyer, que era declaradamente ateu. Essa foi uma das obras que fez Brasília ser reconhecida como ícone do modernismo arquitetônico brasileiro. A catedral tem elementos típicos da arquitetura de Niemeyer: concreto armado aparente, simplicidade, curvas harmoniosas, ousadia estrutural e formas arrojadas. Cada um dos pilares da igreja pesa nove toneladas. A beleza do templo é completada por dois mil metros quadrados de vitrais azulados e esverdeados instalados no teto, obra realizada por Marianne Peretti. No centro da catedral, ficam três anjos, suspensos por cabos de aço. Nas paredes, há cerâmicas pintadas por Athos Bulcão. A via-sacra é uma obra de Di Cavalcanti. Atualmente, a igreja está em reforma: ganhou investimento de quase R$ 25 milhões, custeados pelo Governo do Distrito Federal e pela Petrobras. Mesmo assim está aberta todos os dias para visitas, à exceção dos horários de missa.

Ministérios

Em 1957, Lucio Costa desenhou o Eixo Monumental, definindo a disposição de cada prédio da Esplanada dos Ministérios. Determinou que o Ministério da Justiça e o das Relações Exteriores ocupassem os cantos inferiores contíguos ao Congresso Nacional e que os demais ministérios assumiriam um formato padrão e seriam ordenados em sequência. Em 1958, Niemeyer projetou o ministério modelo a ser reproduzido 11 vezes. Os prédios têm 10 pavimentos, é feito de uma estrutura de aço, com planta livre de base retangular. A obra é caracterizada pelas longas fachadas envidraçadas protegidas por brise-soleil – cuja tradução literal seria quebra-sol – um dispositivo arquitetônico utilizado para impedir a incidência direta de radiação solar nos interiores de um edifício. Ao todo, foram executados sete ministérios-padrão do lado sul e 10 do lado norte da Esplanada. Hoje, alguns ministérios estão reformados, mas outros estão em mau estado de conservação, com os brise-soleil, que são verde, esbranquiçados.

Igrejinha

Igreja Nossa Senhora de Fátima

Primeiro templo de alvenaria erguido no Plano Piloto, a Igrejinha também é conhecida pelos brasilienses e turistas por causa dos azuleijos de Athos Bulcão, que recobrem a fachada. O templo foi construído rapidamente para integrar a primeira unidade de vizinhança na Asa Sul. A pedra fundamental foi lançada em 26 de outubro de 1957 e inaugurada em 28 de junho de 1958, com a celebração do casamento da filha do engenheiro Israel Pinheiro e o batizado do filho de um operário, que teve como padrinho Juscelino Kubitschek. A Igrejinha tem planta triangular e cobertura em laje inclinada levemente curva. Em 2009, um incêndio destruiu pelo menos 60 azuleijos e a igreja foi toda reformada. Ano que vem deve ocorrer a pintura das colunas projetadas por Niemeyer. O pioneiro Sebastião Portela, 82 anos, mora desde 1961 na 308 Sul. Ele veio transferido do Rio de Janeiro, era servidor do Tribunal de Contas, e, ao contrário de alguns colegas, se apaixonou pela nova capital. “Todos torciam para a capital voltar para o Rio de Janeiro. Eu não. Sempre pus muita fé na cidade. Juscelino e Oscar Niemeyer construíram uma cidade linda, as obras eram muito avançadas para a época e ainda hoje é tudo muito bonito”, diz.

Superquadras 107/108 Sul

As quadras 107 e 108 Sul foram executadas pela Novacap para abrigar funcionários públicos que seriam transferidos do Rio de Janeiro por ocasião da mudança da capital. Projetadas integralmente por Oscar Niemeyer, deveriam servir de referência para as que viriam a ser construídas no futuro. Os prédios, muitos dos quais já foram bem alterados por reformas, são característicos do racionalismo carioca. Apresentam fachada principais em cortina de vidro protegidas por brise-soleil e fachadas secundárias vedadas por cobobós. Os edifícios são protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto de reforma do bloco K, por exemplo, ficou dois anos para ser aprovado pelo órgão responsável por proteger o patrimônio brasileiro. Mesmo assim, a aprovação faz uma série de restrições às modificações planejadas pelos moradores, como o fechamento da área existente entre um andar e outro, hoje fechada apenas por uma grade e conhecida como pombal. “É uma questão de saúde pública. Os pombos dormem ali, fazem barulho, transmitem piolhos e doenças”, reclama o síndico do bloco, José Lopes, 70 anos. “Faço de tudi para preservar o patrimônio, mas isso é uma arbitrariedade”, completa.

Cine Brasília

Atualmente fechado para reforma, o Cine Brasília faz parte do conceito de unidade da vizinhança pensado por Lucio Costa que previu que na confluência de quatro superquadras ficariam as igrejas e as escolas e que, na parte da faixa de serviço fronteira ao eixo rodoviário, ficariam os cinemas, para serem acessíveis a quem procedesse de outros bairros. O único cinema construído nesses moldes foi o Cine Brasília com mais de mil lugares. A restauração do Cine Brasília começou em 2011 e será entregue à população em abril do ano que vem. Diferentemente do que ocorreu nas décadas passadas, não se trata de passar apenas uma mão de tinta. O cinema está sendo completamente restaurado. Dividida em três etapas, a obra começou com a impermeabilização e a instalação de para-raios. Na segunda fase está prevista a troca das instalações elétricas, hidráulicas e mecânicas, além da substituição do sistema de ar-condicionado. A última etapa será a construção do prédio anexo, projeto original de Oscar Niemeyer, ainda em fase de detalhamento. O custo total será de R$ 8 milhões e a modernização do Cine Brasília vai manter as características importantes do projeto original. A sala de projeção, que conta com dois equipamentos de 35mm para rodar filmes em película, ganhará dois projetores digitais.

Ermida Dom Bosco

A capela foi projetada em 2004 a pedido do GDF e inaugurada dois anos depois no parque de preservação da Ermida Dom Bosco. Preocupado com a proximidade dos condomínios, Niemeyer optou por fazer sua capela em um terreno alto, protegido por densa vegetação. Só é possível chegar ao local à pé. Talvez por isso a pequena igreja esteja tão abandonada. A capela é de baixa altura, redonda, toda coberta com vidros escuros, mas faltam vidros inteiros, que parecem ter sido roubados. O local também está sujo e a parede do altar foi pintada para cobrir pichações aparentemente, mas o serviço não foi feito em toda a parede, que é cinza em uma metade e branca em outra. Um arco curvado passa em cima da capela e ele está sujo. A localização da capela permite uma vista privilegiada de toda a cidade, em especial do Palácio da Alvorada.

Igreja Ortodoxa São JorgeIgreja Ortodoxa São Jorge

Niemeyer é conhecido pelas igrejas católicas que projetou. Mas uma imponente igreja ortodoxa chama a atenção na QI 9 do Lago Sul. O concreto pintado de branco e as curvas da igreja dão uma dica de que aquela é mais uma obra do arquiteto para quem observa o trabalho dele. Niemeyer projetou o templo em 1986. Trata-se de um grande edifício cilíndrico, com trinta metros de diâmetro e sete de altura, coroado por uma cúpula. A construção tem dois níveis. O espaço de culto se localiza no primeiro pavimento e é acessado por uma rampa curva externa. O térreo foi reservado para o salão paroquial e tem acesso independente. Uma viga une o companário ao prédio principal, gerando uma espécie de pórtico que, além de marcar a entrada, tem função estrutural. Como é toda pintada de branco, a pintura do templo está visivelmente gasta.

Casa do Cantador

O próprio Oscar Niemeyer deu um puxão de orelha em Rosália Alves Bezerra, administradora da Casa do Cantador em 2007, em Ceilândia, quando ela pintou as paredes do local, originalmente brancas, de verde, amarelo e laranja para “alegrar” o espaço. Na época, ela disse que voltaria as paredes para o tom original, mas ainda hoje elas são coloridas. E o pior: a tinta está descascando, velha, assim como todo o edifício que também sofreu outra intervenção de um dos administradores anteriores. Ele fechou um vão livre com uma parede de cimento e janelas de vidro e retirou uma porta corrediça que isolava a área de refeitório. A única obra de Niemeyer em Ceilândia e uma das poucas do arquiteto fora do Plano Piloto, o espaço projetado como ponto de encontro para os imigrantes nordestinos está fechado à espera de reforma, que vai resgatar as características originais do edifício. Hoje apenas o anfiteatro ainda funciona e recebe eventos, como festivais de repentistas e encontros mensais dedicados à música nordestina. Inaugurada em 1986, a Casa do Cantador nunca passou por uma reforma completa. Os telhados foram trocados na segunda quinzena de novembro porque estavam dando infiltração e uma reforma completa do local, orçada em R$ 1,7 milhões, está prevista para 2013.

Teatro Nacional

Único elemento do setor cultural cuja localização foi definida por Lucio Costa, em 1957, o Teatro Nacional fica em localização privilegiada no Eixo Monumental, diretamente conectado ao Setor de Diversões Norte e próximo da Rodoviária. A edificação tem forma semelhante a uma pirâmide com dois dos seus lados cobertos por blocos de cimento, obra de Athos Bulcão, e os outros dois marcados pela sequência de grandes vigas aparentes que se elevam do solo até o cume do prédio. O teatro começou a ser construído em 1960, foi oficialmente inaugurado em 1979 e reinaugurado em 1981. Em seus 50 mil metros quadrados, estão três salas de espetáculos. No governo passado, a fachada do teatro foi restaurada, apensar de ainda existir pichações na fachada, e o GDF pretende reformar todas as instalações do local ano que vem, obra que custará R$ 96 milhões e será realizada com recursos do governo federal.

Palácio do Itamaraty

As colunas emblemáticas projetadas por Niemeyer que adornam o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto ficaram reservadas para o Executivo e o Judiciário. Para a sede do Ministério das Relações Exteriores, Niemeyer criou outro marco: o clássico e nobre arco pleno, numa referência à antiga sede da diplomacia nacional no Rio de Janeiro. As obras do Itamaraty levaram oito anos, de 1962 a 1970. O interior do palácio é espetacular: no térreo há um imenso hall sem colunas de 2,8 mil metros quadrados de área e nos demais pavimentos há uma sucessão de salas suntuosas esplendidamente decoradas além de jardins de Burle Marx. O cuidado com a concepção do prédio existe até hoje com a manutenção do local. Funcionários limpam os espelhos d’água diariamente e o edifício está impecável.

Congresso Nacional

Projetado em 1958, o Congresso Nacional é uma edificação-chave na concepção espacial e simbólica do Eixo Monumental de Brasília e uma das mais importantes obras de Niemeyer. Resultado de uma concepção assimétrica de grande audácia, a concepção plástica do edifício é simultaneamente simples e revolucionária. De sua inauguração aos dias de hoje, o Congresso Nacional recebeu inúmeras reformas e ampliações, a maioria delas projetadas pelo próprio Niemeyer. Segundo vários depoimentos de Oscar, o Congresso Nacional é sua realização preferida na capital. E também a do mecânico Francisco Ângelo da Silva, 46 anos. Morador de Ceilândia, ele mora em Brasília desde 1989 e sempre desce do carro para fotografar o Congresso quando vai ao Plano Piloto. “É bonito demais, ainda mais na época da chuva, quando está tudo verde”, diz.

Concha Acústica

O mato está alto na Concha Acústica, que já foi palco de grandes shows na capital na década de 1980 e hoje está completamente abandonada. Localizada às margens do Lago Paranoá, foi inaugurada oficialmente em 1969 e doada pela Terracap à Fundação Cultural de Brasília. Projetada por Niemeyer para ser uma arena de espetáculos realizados ao ar livre formada por um palanque com cobertura em forma de concha. Foi o primeiro grande palco da cidade, mas hoje não é considerada própria para receber eventos culturais pela Secretaria de Cultura. “Em respeito à produção cultural da cidade, não colocamos a Concha Acústica à disposição para shows e outros eventos da maneira que ela está hoje”, reconhece o subsecretário do Patrimônio Cultural do DF, José Delvinei Santos. A Conha Acústica está à espera de recursos para a reforma, prevista para o ano que vem.

Brasília PalaceBrasília Palace

Logo na primeira viagem que Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer fizeram ao sítio da nova capital, em 1957, foi dado início à elaboração dos projetos do Palácio da Alvorada e do Hotel de Turismo, depois batizado de Brasília Palace. Com cerca de três mil metros quadrados, o edifício foi concebidopor Niemeyer segundo o seu repertório tradicional. Um prédio barra longo erguido sob pilotis com janelas protegidas por brise-soleil. Foi destaque na hotelaria e na vida social da capital até 1978 quando um incêndio destruiu o hotel, que passou décadas abandonado. Reaberto em 2006, o Brasília Palace tem 135 dormitórios e é hoje uma das mais luxuosas opções de hospedagem em Brasília. O local está muito bem preservado.

Edifício Oscar Niemeyer

Uma boa opção para conhecer a face menos monumetal e formalista de Niemeyer, o edifício de escritórios se encontra no Setor Comercial Sul e tem arquitetura como a dos outros prédios do local. Como os demais, tem planta com base retangular, subsolo, térreo, sobreloja e mais 15 pavimentos. A fachada leste é toda envidraçada e a fachada oeste recebeu um grande painel de brises verticais fixos de concreto. Vertical, sem curvas, o edifício é muito diferente dos monumentos da Esplanada dos Ministérios. Tão diferente que o projetista Hermínio Arantes Leão, 53 anos, que trabalha no prédio há um ano, não sabia que o projeto era de Niemeyer. “Por causa do nome do prédio, achei que era uma homenagem”, defende-se. “Esse prédio tem o mesmo padrão dos outros do Setor Comercial. Pouco luxo e funcionalidade. O que é meio padrão aqui”, acrescenta.

Fundação Educacional de Brasília

Uma das cinco obras de Niemeyer na Universidade de Brasília (UnB), o prédio foi projetado para abrigar o Instituto de Teologia da UnB que, apesar de vinculado à ordem dos dominicanos, tinha orientação ecumênica e fazia parte da estrutura universitária. Em 1964, com o golpe militar, o edifício foi vendido para a Fundação Educacional do DF e hoje funciona como sede da Secretaria de Educação do DF. O prédio de concreto aparente está mal cuidado, com pichações na fachada lateral, marcas de papel nas paredes e vidros manchados. Além desse edifício, Niemeyer projetou, na UnB, os Pavilhões de Serviços Gerais, o Centro de Planejamento, batizado em sua homenagem, O Instituto Central de Ciências, conhecido como Minhocão, e o Protótipo Habitacional, uma célula habitacional em concreto armado que ainda hoje é preservado no local.

Torre de TV Digital

Ponto Turístico mais visitado de Brasília, o monumento projetado em 2008 para ser inaugurado como marco dos 50 anos de Brasília levou quatro anos para ser construído, foi ameaçado pelo escândalo que tirou o governador José Roberto Arruda do poder e pela crise política que se instalou sobre Brasília e só foi entregue à população em 21 de abril deste ano, aniversário de 52 anos de Brasília. Fica em Sobradinho e é um dos poucos monumentos de Niemeyer fora do Plano Piloto. Em oito meses, a torre de 182 metros de altura, já virou point de brasilienses e turistas que vão ao local para apreciar o belo pôr do sol do Planalto Central. Ela fica no ponto mais alto do DF e recebe 3 mil pessoas no sábado e também no domingo, dias de funcionamento

Praça dos 3 Poderes

De um lado, o Palácio do Planalto. Do outro, a sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos fundos, o Congresso Nacional. Três das muitas obras primas de Niemeyer que abrigam, cada uma, as sedes dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Elas se juntam ao Museu da Cidade, ao Pombal, ao Panteão da Liberdade, ao Espaço Lucio Costa, ao marco Brasília Patrimônio da Humanidade e ao Monumento a Israel Pinheiro, todos projetados por Niemeyer, e formam uma harmoniosa praça com piso de mosaico português branco no final da Esplanada dos Ministérios. Embora descaracterizada, a Praça dos 3 Poderes segue sendo um dos melhores exemplos da integração existente entre Niemeyer e Lucio Costa.

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Palácio da Alvorada

O Palácio da Alvorada é uma das obras-primas de Oscar Niemeyer. Residência oficial do presidente da República, foi projetado entre 1956 e 1957, antes mesmo da escolha do plano urbanístico para a cidade. Primeira edificação definitiva construída na nova capital, seu elemento distinto está nas famosas colunas externas de mármore branco que emolduram as fachadas, que se tornaram o símbolo de Brasília, são conhecidas em todo o mundo e serviram de inspiração para as colunas feitas no Palácio do Planalto e na sede do STF. Completamente restaurado entre 2005 e 2006, o Alvorada destaca-se também pelo cuidado em todo o detalhamento do projeto e na escolha dos materiais do acabamento. O arquiteto também desenhou uma capela construída ao lado do Palácio que tem formas consideradas revolucionárias.