Na estrada pelo Chile: formas de conquistar a Carretera Austral

Carretera Austral

Do Lonely Planet

Seja a pé, em duas ou quatro rodas, a Carretera Austral é um desafio icônico e uma jornada pelas paisagens de fim de mundo mais sublimes da América do Sul.

Entre as viagens terrestres mais bonitas do mundo, a Carretera Austral – ou “Via Sul” – é uma estrada de 1240 km pelo Chile, não pavimentada na maior parte dos trechos. Enveredando por florestas milenares, ela percorre aldeias andinas empoeiradas e rios turquesa gerados por geleiras sem saída para o mar.

Descubra o caminho para a aventura na Patagônia

Foto por: hbrizard/ThinkStock

Os primeiros colonizadores passaram pela região durante o início do século 20, mas a simples ideia de construir uma estrada por lá veio depois, um legado da tentativa do General Pinochet de unificar o Chile até seus limites mais remotos. Quando finalizada em 1996, a Carretera Austral foi considerada um pouco mais que uma autoestrada para lugar nenhum de US$300 milhões. Levou por volta de 20 anos para ser construída e custou a vida de onze trabalhadores.

A Carretera Austral de hoje é um canal para o deserto em escala colossal, da água cristalina mundialmente conhecida do Rio Futaleufú às paisagens acidentadas perfeitas para caminhadas, cavalgadas ou pesca com mosca. É também uma imersão na cultura boiadeira da Patagônia, com churrasqueiras ao ar livre, rodeios de verão e estadias em fazendas. De norte a sul, parques icônicos ponteiam a estrada, do exuberante Parque Pumalín, com vulcões ativos, e o Reserva Nacional Cerro Castillo.

Há também novas atrações que vale a pena explorar. A Valle Exploradores é uma extensão acidentada de 77 km que lidera viagens guiadas em geleiras no Parque Nacional Laguna San Rafael, agora acessível para quem viaja por um dia só. Com inauguração oficial ainda pendente, o Parque Nacional da Patagônia oferece infraestrutura de primeira linha e observação de animais selvagens – flamingos, guanacos e condores – mundialmente conhecida.

Viajando em duas rodas

Foto por: kavram/ThinkStock

Para ciclistas que percorrem grandes distâncias e motociclistas, completar a Carretera Austral é um distintivo de coragem que está crescendo em popularidade. Alguns viajantes voltam para várias visitas a fim de conquistar toda a expansão. Outros a adotam como trecho final numa pedalada por toda a América do Sul.

Uma tendência mais recente é atravessar os Andes por onde as estradas não chegam, andando pela estrada até seu fim na Villa O’Higgins, onde uma trilha remota feita em balsas leva a El Chaltén, Argentina. Atenção: os que escolhem esse trajeto vão carregar a bicicleta nos ombros durante parte dele.

Ciclistas devem ter habilidades e materiais para consertar o próprio equipamento e planejar tirar um mês inteiro para a empreitada completa. De acordo com o ciclista italiano Tomas Balzk, a parte mais difícil não foi pedalar no terreno, mas ingerir calorias suficientes. Moradores podem ser extremamente generosos com quem viaja em selins, muitas vezes oferecendo um espaço para acampar ou um pão feito em casa.

Em Villa O’Higgins, a Hostería El Mosco é o núcleo para aqueles que vão a todos os cantos, com vários viajantes compartilhando dicas e um estoque de mapas topográficos detalhados.

Carona ou ônibus?

Foto por: Dmitry_Saparov/ThinkStock

Nessa região remota, a economia se move em câmera lenta e cada peso conta. Por um lado, a raridade do transporte público faz com que viajar pela Carretera Austral seja uma empreitada demorada que, por vezes, pode ser complementada por caronas – ainda que viajantes que levantam o dedo presenciem competição com moradores buscando caronas informais, e deixam de contribuir com a economia do transporte local.

A  Lonely Planet não é partidária de caronas; mas, àqueles que estão experimentando, recomendamos primeiramente paciência quase infinita, acompanhada de suprimentos em abundância em caso de não dar certo. Em muitas áreas, o trânsito é leve e a maioria dos veículos já está lotada até as tampas. É ilegal caminhonetes levarem passageiros na parte de trás, o que deixa os caroneiros com opções reduzidas. Uma aposta melhor para caroneiros é ter bagagem pequena e viajar só ou em pares – veículos raramente param para grupos. Também é educado oferecer aos motoristas remuneração pela carona.

Ônibus têm frequência extremamente reduzida fora da alta temporada de verão (Dezembro a Fevereiro). Passagens, se possível, devem ser compradas com antecedência. Em destinos intermediários sem terminais de ônibus, veículos cheios não fazem paradas. Algumas áreas não têm serviço diário; então, visitantes devem verificar horários com antecedência, mas também estar preparados para esperar.

Sente-se no banco do motorista

Autoestrada é um nome digno dela – parte da aventura da Carretera Austral é rastejar pelos atoleiros e buracos. Não poupe planejamento e uma boa dose de prudência. Ao dirigir, é prático encher o tanque em todo posto de gasolina, já que o próximo pode estar longe. Para aqueles que gostam de alimentos frescos, embalar frutas e comida natural é a solução, já que na seleção local isso pode faltar.

A seção norte da Carretera Austral requer frequentes travessias de balsa que exigem reservas antecipadas na alta temporada. O inverno proporciona seus próprios desafios, com menos saídas de balsa e deslizamentos de terra que podem fechar trechos da estrada durante dias. No sul, a estrada fica a apenas um metro acima da zona inundável de Baker, a hidrovia de maior volume do Chile. Para fechamentos, consulte o Ministerio de Obras Públicas.

Prepare-se para o inesperado

Foto por: Photon-Photos/ThinkStock

Viajar sem pressa é o mantra da Carretera Austral. Deslizamentos de terra fecham estradas. Trechos acidentados, cascalhos soltos e ladeiras íngremes aumentam a duração das viagens. Mas vamos encarar: este é um lugar bonito demais para ir com pressa.

Mesmo que alguns trechos da estrada, particularmente em volta de Coyhaique e Chaitén, sejam pavimentados ou estejam em processo de pavimentação, a maior parte dela é de cascalho. As cidades são bem distantes uma da outra, então os serviços são poucos. Em vez de hotéis, viajantes vão encontrar, sobretudo, acolhedoras pousadas familiares e acampamentos rurais. Aqui, um pouco de planejamento contribui muito. Viajantes sempre devem carregar mapas detalhados, comida e água extra, barracas e sacos de dormir.

O tempo determina o roteiro adequado

Se você tiver só uma semana, foque em um trecho da estrada, como a região em volta de Chaitén e Futaleufú, a ramificação de Coyhaique ou em volta do Lago General Carrera.

Um mês proporciona tempo suficiente para dirigir pela estrada inteira, embora ainda reste muito para ver numa outra visita. Dedique parte de seu tempo às estradas laterais leste-oeste que se ramificam da Carretera Austral. Essas áreas menos desenvolvidas proporcionam um dos lugares mais interessantes e experiências culturais mais autênticas.

Esse tempo escasso deve levar em conta o atalho de balsa ou o voo de longa distância. De Puerto Montt há balsas para Chaitén e Puerto Chacabuco e voos para Chaitén e Coyhaique. Coyhaique é o melhor lugar para alugar carros.

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Huilo Huilo, no início da Patagônia Chilena, também é para mochileiros

 

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As acomodações disponíveis na Reserva Biológica Huilo Huilo (Chile, 860km ao sul de Santiago) partem das mais econômicas às mais sofisticadas. Os destaques da reserva são os três hotéis exóticos: Montaña Mágica, Nothofagus e Reino Fungi, que assumem essa característica pela arquitetura e design diferenciados. Respectivamente, eles têm formato de vulcão, construção ao redor de uma árvore e formato de cogumelo!

Além destes, o complexo conta com mais um hotel, sendo o mais luxuoso, o Nawelpi Lodge. Mas Huilo Huilo também tem chalés, hostel, um complexo de acomodações em cima de árvores e um camping, se tornando o destino ideal também para mochileiros e para quem gosta de curtir ainda mais a natureza e a rusticidade do local.

Toda a arquitetura, assinada por Rodrigo Verdugo, foi projetada para se integrar o máximo possível à natureza, buscando harmonia com as belas paisagens da selva patagônica e com a atmosfera mágica de Huilo Huilo. Conheça as hospedagens ideais para mochileiros que querem visitar Huilo Huilo.

Canopy Village

Construídas nas copas das árvores, a 5 metros do chão e com cerca de 20m², essas habitações possuem janelas laterais com angulação específica para observação do meio ambiente. Ao todo são 20 alojamentos, divididos em acomodações com banheiros internos e externos. Cada cabana acomoda de 2 a 8 hóspedes.

 

Salto el Puma Backpackers Hostel

É o hostel de Huilo Huilo e a acomodação preferida de mochileiros que desejam conhecer e se aventurar pela Patagônia Chilena. Com aproximadamente 45 m², tem capacidade máxima para 10 pessoas, com acomodações distribuídas em quatro quartos, todos com chuveiro e banheira.  O hostel é equipado com cozinha, sala de estar e terraço.

 

Camping Huilo Huilo

Ideal para amantes da natureza e de grandes confraternizações, o Camping Huilo Huilo é uma ótima opção para churrascos ao ar livre. O local conta com 22 espaços com conexão a eletricidade além de chuveiros aquecidos.

 

Sobre a Huilo Huilo – Localizada no começo da selva da Patagônia do Chile, próximo ao vilarejo de Neltume (860 km de Santiago), a Reserva Biológica Huilo Huilo é um lugar mágico. Com mais de 100 mil hectares, abrange diversos ecossistemas, com uma riqueza de espécies nativas animais e vegetais. As opções de hospedagens vão desde hotéis de luxo até campings, todos com um diferencial arquitetônico que busca integrar a natureza local ao conforto. Além de atividades de esportes radicais, como tirolesa e rafting, a reserva ainda conta com o Bosque Nevado, um centro de neve ideal para iniciantes nos esportes de inverno. Mais informações pelo site  huilohuilo.com, ou no perfil da reserva no Facebook (www.facebook.com/HuiloHuiloBrasil).

 

O melhor da Patagônia chilena no verão

As trilhas em Huilo Huilo revelam lindas paisagens, além de belíssimas cachoeiras, como a Salto Huilo Huilo e Salto O Puma Divulgação/Huilo Huilo
As trilhas revelam paisagens e cachoeiras, como Salto Huilo Huilo e a Salto O Puma

O Chile acaba de vencer a 22ª edição do World Travel Awards, que premia os melhores do mundo todos os anos, como melhor destino de aventura. Famoso pela lista de opções para os aventureiros, o país é uma ótima escolha para os que querem praticar atividades diferentes e curtir bons momentos de adrenalina.

Mountain Bike também é opção para os aventureiros que querem conhecer Huilo Huilo - Divulgação/Huilo Huilo
Mountain bike também é outra opção para os aventureiros

Quem planeja conhecer o Chile deste perfil único tem destino certo: a Reserva Biológica Huilo Huilo. Distribuída em uma área de mais de 100 mil hectares, a reserva abrange diversos ecossistemas, com uma riqueza de espécies nativas animais e vegetais: no local existem cerca de 95 espécies de aves, 12 tipos de mamíferos e 328 espécies de flores. Além, é claro, da variedade de esportes de aventura oferecida.

O verão em Huilo Huilo tem atividades como trekking, mountain bike, rafting e tirolesa, além de cavalgada, pesca e passeio de caiaque. Saiba mais detalhes sobre as atividades desse pedaço do mundo que todo mundo merece conhecer.

Tirolesas

Huilo Huilo oferece diversos tipos de tirolesa para seus hóspedes que, durante o verão, permitem a visão das lindas paisagens da região. Há a tirolesa infantil (com 40m de comprimento e 2m de altura), a tirolesa Huilo Huilo (com 35m de altura e 180m de comprimento) e a tirolesa XL, considerada uma das mais radicais da América do Sul: 90 metros de altura e 500m de comprimento.

São três opções de tirolesa na reserva, passando pela infantil até a mais radical, de 90m de altura -Divulgação/Huilo Huilo
São três opções de tirolesa na reserva. A mais radical tem 90m de altura

Cavalgadas

Uma das atividades mais populares de Huilo Huilo são as cavalgadas, nas quais o hóspede pode passear entre montanhas, bosques primários e conhecer diversas espécies de pássaros e rios da Patagônia.

As cavalgadas são uma das atividades mais famosas em Huilo Huilo - Divulgação/Huilo Huilo
As cavalgadas são uma das atividades mais famosas

Rotas educativas         

Esses tours levam os turistas para o meio do bosque da Patagônia chilena e ensinam sobre as pequenas formas de vida que existem na área. Com a ajuda de lupas, os viajantes podem observar os minúsculos cogumelos (existem mais de 160 tipos deles na região) e a linda flora e fauna do bosque.

Termas do Lago

Visita fotográfica às termas, que de acordo com as crenças locais têm poderes curativos. Uma vez cruzado o lago, há cais e plataformas de madeira elevadas sobre o bosque. As piscinas são troncos ocos separados uns dos outros em quase 10 metros, onde a água se mantém entre 35º e 40ºC.

Salto Huilo Huilo e Salto O Puma

O Salto Huilo Huilo é um trekking onde é possível visitar diferentes mirantes, que oferecem vistas espetaculares para cachoeiras e observação da rica flora existente dentro da reserva. A trilha acompanha o curso do Rio Fuy e passa pelo Salto Huilo Huilo, uma formosa cachoeira com 40 metros de altura. Mais à frente, chega-se ao Salto O Puma, com aproximadamente 30 metros de altura.

Rafting em Huilo Huilo - Divulgação/Huilo Huilo
Rafting em Huilo Huilo 

Além disso, Huilo Huilo tem um Bosque Nevado, aberto apenas no inverno, entre os meses de julho e setembro. No entanto, por ter neve quase o ano todo, há atividades típicas do frio, mas que também podem ser feitas no verão, como trekking no vulcão Mocho-Choshuenco, ski randonee e caminhadas em raquetes de neve.

Huilo Huilo conta, ainda, com diversos tipos de alojamentos, desde campings e chalés, até hotéis de luxo. Porém, o grande destaque fica por conta de três hotéis com design diferenciado e formato surrealista: o Montaña Mágica, que imita o formato de um vulcão, o Nothofagus, construído em volta de uma árvore, e o Reino Fungi, semelhante à forma de um cogumelo.

Para os amantes de uma boa cerveja, dentro da reserva funciona a Cervejaria Petermann, onde é possível conhecer o processo cervejeiro e provar os quatro sabores produzidos no local. As bebidas são encorpadas, sem aditivos e elaboradas com 100% malte.

Mais sobre a Huilo Huilo – Localizada no coração da selva da Patagônia do Chile, próximo ao vilarejo de Neltume (860 km de Santiago), a Reserva Biológica Huilo Huilo é um lugar mágico. Com mais de 100 mil hectares, abrange diversos ecossistemas, com uma riqueza de espécies nativas animais e vegetais. As opções de hospedagens vão de hotéis de luxo até campings, todos com um diferencial arquitetônico que busca integrar a natureza local ao conforto. Além de atividades de esportes radicais, como tirolesa e rafting, a reserva ainda conta com o Bosque Nevado, um centro de neve ideal para iniciantes nos esportes de inverno. Mais informações pelo site huilohuilo.com, ou no perfil da reserva no Facebook ( www.facebook.com/HuiloHuiloBrasil )

A marcha dos pinguins na Patagônia chilena

IPinguineira em Punta Arenas

Os pinguins são os animais mais cobiçados pelos turistas na Patagônia e na Antártida. E nem é preciso se aventurar no mar para vê-los. Há colônia dessas aves perto das cidades, em terra. De Punta Arenas, a mais próxima fica a pouco mais de uma hora.

A pinguineira chilena em Seno Otway fica a 65km de Punta Arenas e atrai mais de 800 turistas por dia, que encaram o vento frio e a travessia em estrada de chão para aprender com o comportamento desengonçado e simpático dos habitantes ilustres desta colônia no extremo sul da América.

O passeio é oferecido por inúmeras agência e pode ser comprado um dia antes. Elas geralmente levam os turistas em van ou microônibus. Mas também se pode contratar um táxi, combinado o preço antes da partida.

Na parte de terra da estrada, já dentro da reserva, destaca-se a paisagem plana com vegetação rasteira e clima oscilante. Em meio è ela, outros animais, como lebres, gaviões e muitas ovelhas. Vale uma breve parada para fotografias.

Passarela

A colônia de pinguins fica à margem das águas represadas do Oceano Pacífico, com vista para uma cadeia de montanhas, com nuvens no topo. Nesse cenário, moram cerca de 11 mil pinguins-de-magalhães. Depois do trajeto de carro, van ou ônibus, é preciso percorrer uma trilha até eles.

O caminho dentro da reserva ecológica é feito em uma passarela de madeira, com placas indicativas sobre espécies de vegetais existentes na área. Há mirantes para facilitar a visualização da orla. Muitos levam binóculos.

Mas todos querem mesmo é ver os pinguins. Após cerca de 15 minutos de caminhada, chega-se à praia, o melhor lugar para apreciá-los. No caminho, alguns espécimes conservam seus ninhos. Eles caminham tranquilamente em meio à vegetação baixa, para delírio dos visitantes.

Na praia, há um mirante suspenso, para facilitar as imagens dos pinguins reunidos após um dia no mar e os fiscais melhorar controlar os turistas. Cercas indicam a proibição do contato direto com os animais. Mas é possível vê-los por até 1m de distância.

Volta para casa

O horário mais indicado para a visitação é o fim da tarde, pois, por volta das 18h, pinguins começam a brotar das águas. Em fila indiana, eles seguem trilhas em meio à vegetação em busca dos ninhos. Levam, no bico, a comida para os filhotes.

A procura do alimento começa cedo. Ao amanhecer, os habitantes do santuário partem para o mar. Avançam quilômetros oceano adentro em busca de peixes e crustáceos, capturados em mergulhos que podem alcançar os 70m de profundidade. Enquanto pescam, a colônia fica vazia.

Os ninhos ficam sob a terra. Na volta a eles, quando um companheiro fica pelo caminho, o líder do grupo estanca a caminhada, aguarda a recuperação do amigo e segue a jornada. Para os pinguins, o matrimônio é uma instituição sagrada. Quando um macho e uma fêmea se casam, só a morte os separa.

Quanto custa
Em média, o traslado Punta Arenas e a pinguineira custa 8 mil pesos chilenos, algo como R$ 32. Além do transporte, é preciso pagar 1,5 mil pesos (R$ 12) para entrar na área protegida que abriga a colônia, mais 5,5 mil pesos (R$ 22) para visitar a pinguineira

Passeio pelo Brasil
O pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) é uma ave sul-americana que vive em regiões frias, muitas vezes com temperatura abaixo de zero. Essa espécie pode ser encontrada na costa chilena e na argentina, mas também é vista com frequência nas praias brasileiras, no processo migratório pelo Oceano Atlântico. Eles vêm ao Brasil em busca de correntes de águas mais quentes e maior oferta de alimentos, podendo ser avistados normalmente na costa da Bahia, Alagoas e Pernambuco. No entanto, derramamentos de óleo e redes de pesca irregulares ameaçam a vida da espécie em território nacional.

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Praça de Armas Muñoz Gamero, em Punta Arenas

As argentinas Ushuaia e El Calafate e as chilenas Puerto Natales e Punta Arenas servem de base para quem pretende conhecer a Antártida e a Patagônia. A última tem o principal aeroporto da região, por isso tornou-se um dos destinos mais escolhidos pelos turistas.

Centro de Punta Arenas

Banhada pelo Estreito de Magalhães, a região foi descoberta em 1520 pelo navegador português Fernão de Magalhães, o que o fez ganhar um monumento na praça central de Punta Arenas e emprestar seu sobrenome ao principal estreito da Patagônia.

Punta Arenas vista do mar

Próxima à Antártida, Punta Arenas é porto seguro para exploradores há seculos.

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Líder da primeira equipe a invernar no continente gelado (1897-1899), o belga Adrien de Gerlache parou na cidade chilena.

O mesmo fez o britânico Ernest Schackleton quando foi resgatado da expedição que tentou cruzar o continente austral entre 1914 e 1916.

Tradição

Para conhecer a Patagônia, não é preciso enfrentar os perrengues da Antártida.

Muitos animais e outras atrações do continente gelado, como glaciares, podem ser visitados em passeios de ônibus ou pequenos cruzeiros por canais calmos, que saem de Punta Arenas ou passam por lá. Passeios que podem ser adquiridos em pacotes comprados previamente ou em pequenas agências instaladas no centro da cidade chilena.

Praça de Armas Muñoz Gamero, em Punta Arenas

Praça de Armas Muñoz Gamero, em Punta ArenasA maioria das hospedarias de Punta Arenas, que vão de hotéis de luxo a baratos albergues, estão no centro da cidade de 150 mil habitantes.

A principal referência é a Praça de Armas Muñoz Gamero. No meio dela, há um enorme monumento a Fernão de Magalhães, com a imagem de um do índio aónikenk. Dizem que se você beija o pé dele voltará a visitar a Patagônia.

Todos os dias, a praça é ocupada por uma legítima feira de artesanato. Muitas das peças a venda são produzidas ali mesmo pelos artistas locais.

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Eles oferecem de gorros de lá a miniaturas em pedra e pinguins de pelúcia, de todos os tamanhos e preços. Vale pechinchar.

História

Perto dali, fica o Museu Regional de Magalhães, onde, no subsolo, há uma cafeteria onde antes era o lugar dos serviçais do antigo palácio em art nouveau. Visite as exposições artísticas e a coleção de objetos e móveis de época da casa, que o empresário Mauricio Braun mandou construir em 1903, apenas com madeira vinda da Europa.

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Outra atração parecida é o Museu Naval e Marítimo, na rua Pedro Montt. Entre suas 1,6 mil peças históricas, há restos de navios como a corveta inglesa Doterel, afundada a 15m de profundidade e a 300m do cais do porto local.

Centro de Punta Arenas

Agora, se quer conhecer uma beleza de características mais melancólicas, você pode percorrer os silenciosos caminhos do Cemitério Municipal, considerado um dos mais belos da América do Sul. Seus túmulos cuidadosamente enfeitados, seus mausoléus, jardins e as extravagantes tumbas se misturam aos restos de imigrantes e marinheiros que fizeram de Magalhães o destino final de suas vidas.

Casario

O período áureo de Punta Arenas e seu porto está marcado na arquitetura. A cidade tem prédios de traços clássicos, muitos palacetes. Também há muitas casas mais simples, mas igualmente belas, feitas de madeiras e cobertas por metais — para aquecer o interior — com as fachadas coloridas. Tudo em ruas extremamente limpas e seguras.

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Em muitos dos edifícios clássicos, funcionam charmosas cafeterias. Em uma cidade em que a temperatura não passa dos 16ºC e permanece negativa durante todo o inverno, nada melhor que um café ou outra bebida quente, como chocolate. Esses estabelecimentos também oferecem delícias como tortas doces e salgados, além de tostados.

Cafeteria em Punta Arenas

São ao menos 20 cafeterias no centro de Punta Arenas, que, reza a lenda, tem ainda 100 casas noturnas voltadas ao público masculino. Além delas, há alguns pubs e um cassino, à beira-mar.

Cafeteria em Punta Arenas

Artesã na praça principal de Punta ArenasPara saber mais

Ligação importante

Fernão de Magalhães foi quem navegou pela primeira vez nas águas abrigadas do estreito, ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Colonizada no século 19, a localização fez de Punta Arenas a principal rota de comércio entre os dois oceanos até a construção do Canal do Panamá, em 1914.

Zona Franca

Punta Arenas é uma zona franca, onde há lojas com produtos livre de impostos. Mas, se você quer levar presentes ou comprar bebidas e eletrônicos para o seu uso, precisa andar uns 10km de carro na direção do aeroporto, onde ficam os galpões com essas lojas. Só lá estará livre das taxas do governo.

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Turismo na Antártida e na Patagônia chilena

Renato Alves (texto e fotos)

Localizada no extremo sul do planeta, a Antártida tem 13,6 milhões de quilômetros quadrados de neve e água congelada, cobrindo 99,5% do continente. Trocar sol e praia por um verão ali parece uma escolha improvável. Mas, cada vez mais gente lá desembarca atrás de uma sensação única. Alguns a comparam a pisar na Lua. Lembram algumas semelhanças, como o solo escuro e pedregoso — no verão — e uma grande área inabitada.

Para chegar até esse lugar, onde cientistas registraram a menor temperatura da história, somente por meio de voos militares ou em cruzeiros para turistas. Há quem pague mais de R$ 20 mil para passar algumas horas na parte mais inexplorada da Terra. Mas há opções mais baratas e menos aventureiras para conhecer maravilhas parecidas com as encontradas na Antártida. Na Patagônia, última região habitada antes do continente gelado, há milhares de pinguins e glaciais de encher os olhos.

Prazer para poucos

Um século após os primeiros navegadores identificarem a Antártida, o continente continua sendo o lugar mais selvagem da Terra. Pisar nele é para poucos. Mesmo com os avanços tecnológicos, são necessárias logística e infraestrutura adequados, além de disposição, paciência e um estômago forte. Os voos limitam-se praticamente às forças aéreas. Aos turistas, o único caminho passa pelo Drake, o trecho de mar mais temido do mundo. As longas e cansativas horas em navio e bote são recompensadas pelo cenário e a façanha e de passear por um dos mais hostis e menos explorados destinos do planeta.

Como repórter do Correio Braziliense, cheguei à Antártida em uma expedição da Marinha, com jornalistas, militares e cientistas brasileiros. Os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram os primeiros a desembarcar na Estação Comandante Ferraz após o incêndio que destruiu 70% das suas instalações, em 25 de fevereiro de 2012. A nossa jornada teve início em Punta Arenas, no extremo sul do Chile. Lá, embarcamos em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Os aviões C-130 (Hércules) da FAB pousam na base chilena Eduardo Frei (fotos acima e abaixo), levando também suprimentos, entre outubro e fevereiro. Mas esse trajeto de 1,2 mil km, em um voo de três horas, só é realizado quando o clima permite.

Quase não há teto para a aeronave pousar no aeródromo chileno. Quando aparece o que os pilotos chamam de janela, ela tem que ser aproveitada. Nessas condições, as mínimas em uma semana, após duas tentativas de pouso frustradas, o repórter do Correio chegou à Antártida em 7 de fevereiro, com mais de 40 cientistas e militares. Na noite daquele dia, ele fez a travessia de 500m na Baía do Almirantado, entre o navio Ary Rongel e a Ferraz. Por causa da ausência de portos no continente, as embarcações ficam estacionadas no meio do mar. Só pequenos botes chegam às praias das ilhas. Os jornalistas visitaram a base mais uma vez e passaram quatro dias na embarcação da Marinha brasileira.

Cruzeiros

A outra forma de chegar à Antártida é em um dos 45 navios de Cruzeiro que fazem cerca de 250 viagens à região, com passageiros do mundo inteiro, a cada alta estação. Ela vai de novembro a março, o verão antártico, quando as temperaturas são suportáveis a um ser humano e as águas dos canais e baías não estão congeladas, permitindo a passagem de navios que não sejam quebra-gelos. Identificada por navegadores pela primeira vez em 1820, a Antártida atrai cada vez mais turistas interessados em ver de perto os pinguins, focas, geleiras, icebergs e montanhas cobertas por neve. Até o começo da década de 1980, havia menos de mil visitantes por ano. Hoje, passam de 35 mil. Antes da crise mundial, eram mais.

Apesar do turismo na Antártida ser ainda muito caro, 35 operadoras de 10 países atuam com navios no continente. Elas levam visitantes a curtas incursões nas regiões costeiras. Cerca de 150 sítios, incluindo 20 estações científicas estão nos roteiros das visitas. Alguns sítios recebem até 7 mil visitantes. Os turistas que ano a ano vêm popularizando a Antártida como destino turístico não sofrem tanto quanto os militares, cientistas e jornalistas. Os cruzeiros que chegam à região têm uma boa infra-estrutura de acomodação e alimentação. Eles levam a estações científicas, monumentos históricos e colônias de animais. Entre as atividades estão também alpinismo, acampamento e mergulho.

Na época das visitas, o clima costuma ficar nublado. A temperatura, em 1ºC, em média. Mas, os ventos, que ultrapassam corriqueiramente os 100km/h, podem levar a sensação térmica a -12ºC. Nessas condições, só mesmo com trajes especiais: botas pesadas, macacão corta vento, casaco, gorro, óculos escuros,. Tudo grande, pesado e a prova d’água. Misturados à paisagem e às instalações das estações científicas, contribuem para um cenário de outro mundo.

Cuidados
As atividades são supervisionadas pela tripulação do navio, que inclui ornitologistas, biólogos marinhos, geólogos, glaciologistas, historiadores e naturalistas. Todos os cuidados com o ambiente são devidamente tomados.

Variações
Com tanto gelo, as temperaturas antárticas são baixíssimas. Na região central, os termômetros oscilam entre -30ºC e -65ºC e, em 21 de julho de 1983, a base russa de Vostok, localizada a aproximadamente 3,4 mil metros de altitude, registrou aquela que até hoje é a menor temperatura registrada no planeta: -89,2ºC.

Qual o nome certo?
Antártica ou Antártida? Tanto faz. O nome vem do grego antarktikos, que significa oposto ao ártico, ou seja, na extremidade sul do planeta. Os portugueses adotaram a forma Antártida, também admitida no Brasil, mas menos popular no resto do mundo. O continente é o único no planeta que jamais foi manchado por uma guerra ou qualquer tipo de conflito armado. Embora militares de vários países tenham equipes trabalhando em diversos pontos da Antártida e haja reivindicações sobre a propriedade das terras, não ocorrem demonstrações de animosidade. Por enquanto, toda a massa de 14 milhões de km², o equivalente à soma das áreas do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia — mas que pode chegar a 32 milhões de km² no inverno, com o congelamento dos mares —, pertence simplesmente à humanidade, com base em um acordo firmado em 1961 e conhecido por Tratado da Antártida.

Reportagem completa na edição de 27 de fevereiro de 2012 do caderno de Turismo do Correio Braziliense e nos próximos post deste blog