Fazendinha JK, última morada de Juscelino, reabre ao público

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Renato Alves (texto) e Marcelo Ferreira (fotos)

Uma relíquia da história e da arquitetura nacional está em reforma para ser reaberta ao público, após quase cinco anos fechada. Última moradia do ex-presidente Juscelino Kubitschek, morto em 1976 em um acidente automobilístico, a Fazendinha JK receberá convidados em uma festa programada para setembro, quando o antigo dono faria 114 anos.

O imóvel conserva todos os móveis, artigos pessoais e itens de decoração de quando a família do político vendeu a propriedade, em 1984, a um ex-deputado paranaense, aliado dele. Além disso, localizada em Luziânia, distante 13km do centro da cidade goiana e a 60km de Brasília, a residência é a única obra de Oscar Niemeyer na zona rural.

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Juscelino comprou o imóvel em 1972, após ter o mandato cassado pela ditadura militar e de ser proibido de entrar em Brasília. Queria um lugar onde pudesse passar os dias, reunir os amigos e, de lá, ao entardecer, ver as luzes da capital que ergueu no Planalto Central. Encantou-se com a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista. Decidiu comprá-la e a apelidou de fazendinha. Virou a Fazendinha JK.

Ali, Juscelino se tornou produtor rural. Usou modernas práticas de irrigação. Plantou soja, arroz, café, eucalipto, na intenção de provar que o solo do cerrado era fértil.

Quando JK adquiriu a propriedade, ela tinha 310 alqueires e nenhuma moradia. O casarão só seria inaugurado em 12 de setembro de 1974. No quintal, o ex-presidente costumava reunir os amigos para almoçar ao redor de uma mesa de pedra.

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Na sala de jogos e na discoteca, Juscelino organizava festas regadas a pinga e embaladas por violeiros. A mesa de pôquer, com 11 cadeiras, continua intacta. As prateleiras são enfeitadas por presentes, como uma porcelana japonesa e uma licoeira com os traços do Palácio do Alvorada.

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Mineira e moderna

Com janelas grandes, o casarão parece uma antiga casa de fazenda mineira, mas com características modernas de Niemeyer. “Como Juscelino havia sido cassado pela ditadura e não tinha dinheiro algum, ela foi construída com doações de amigos. Por isso, é feita de materiais baratos, como o piso de ardósia da varanda. No entanto, a pedido de Niemeyer, a ardósia foi colocada como uma obra de arte, um jogral”, ressalta uma das administradoras da propriedade, Rosana de Queiroz Servo, 48 anos.

As grossas paredes de concreto também receberam um tratamento artístico. Com uma intervenção em baixo-relevo, ela ficou parecendo ser feita de tijolo. Todo o exterior é pintado nas cores branca e azul.

Dentro, ficam as maiores preciosidades. Entre outras coisas, os cômodos abrigam presentes dados a JK por chefes de Estado. Também guardam móveis luxuosos e de traços modernistas e raridades colecionadas pelo fundador de Brasília, como 1,8 mil livros expostos em sua biblioteca e organizados conforme a cor da capa. A maioria tem dedicatórias dos autores para o presidente.

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Nos quartos, além das camas originais e dos forros delas, há curiosidades da arquitetura, como a banheira da suíte de Juscelino e da mulher dele, dona Sarah. Na verdade, uma parte do piso de concreto liso, um desnível sob o chuveiro. Uma moderna banheira econômica. Joia de Niemeyer.

Os vidros envelhecidos e o tom alaranjado estão por toda parte. Eram moda na época. Uma lareira divide as salas de estar e jantar, de onde é possível ver o jardim com estilo de bosque e uma das três represas da fazenda, todas com água potável. Nas paredes, há pinturas de diversas cidades brasileiras, principalmente das mineiras Ouro Preto e Diamantina.

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Por um corredor de carpetes verdes, chega-se às quatro suítes. Três são iguais: armários revestidos com papel de parede floral, banheiros brancos e duas camas de solteirão, com colchões semiortopédicos sob um colchonete de 3cm de espessura — exigência de dona Sarah.

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O quarto dela e de JK tem uma cama de casal de pelo menos 80 anos, um crucifixo e um terço pregados na parede, e uma maleta de pôquer. Na cozinha, fogão industrial de seis bocas e panelas de pedra-sabão.

Compromisso

Com a morte do presidente, o imóvel ficou para a família Kubitschek. Oito anos mais tarde, ela o vendeu a Lázaro Servo, deputado estadual pelo Paraná e amigo de Juscelino, e à mulher dele, Walkíria Ganassin Servo. Na negociação, Sarah pediu aos novos donos para manter a casa e, principalmente, os móveis e objetos pessoais do marido dela como originais. Era um acordo verbal, mas Lázaro e Walkíria seguiram o desejo.

Sarah se mudou com as filhas para o único imóvel da família, um apartamento no Rio de Janeiro. Os seis filhos, os 13 netos e os quatro bisnetos de Lázaro e dona Walkíria, hoje com 82 anos, cresceram naquele ambiente de história viva.

Morando na Fazendinha, Lázaro morreu de infarto, em 1999. Tempos depois, quatro dos seis filhos dele decidiram fracionar parte da propriedade. Sobraram 78 alqueires, incluindo a área onde ficam os lagos a mansão e uma ermida — também projetada por Niemeyer, é uma réplica reduzida da capela do Palácio do Alvorada, com vitrais de Marianne Peretti, a autora dos vitrais da Catedral de Brasília.

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Desde então, Antônio Henrique Belizário Servo, caçula de Lázaro, e a mulher dele, Rosana, se dedicam a preservar o imóvel e a memória de JK, com o aval da matriarca Walkíria. Eles buscaram apoio, fizeram treinamentos e abriram a fazenda à visitação, em 2009, após ampla reforma. Mas as visitas guiadas, com média de mil pessoas por ano, foram insuficientes para manter a casa. Com isso, o casal encerrou a atividade em 2012.

Seresta

Agora, com a ajuda dos três filhos, Antônio e Rosana se preparam para retomar o tour turístico, com maior oferta de serviços. Após obras de manutenção, principalmente em função de vazamentos no casarão, ocorrerá a festa de reabertura, em 17 de setembro. Com uma seresta, celebrará também o nascimento de JK. A partir de então, a família Servo passará a receber grupos pré-agendados, de, no mínimo, 20 pessoas.

“Elas poderão escolher, ainda, tomar um café da manhã na varanda, almoçar, fazer um lanche da tarde ou mesmo todas as refeições, em um dia inteiro de visitação”, adianta Rosana. O preço, segunda ela, vai variar de acordo com a quantidade de visitantes e dos serviços contratados.

Além da visita guiada pelo interior da casa, que deverá durar duas horas, será possível fazer caminhada pela mata preservada da fazenda, conhecer e apreciar frutas típicas do cerrado, subir o morro onde está a ermida de Niemeyer e ainda ver — e até entrar — na Mercedes Benz 1963 usada na campanha presidencial de JK. Restaurado pelo Exército, o veículo luxoso conserva pneus originais, bancos de couro e volante de osso. Ele fica guardado em uma garagem coberta da Fazendinha JK.

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SERVIÇO
Grupos interessados em conhecer a Fazendinha JK mesmo em obras, ou em agendar o tour para a partir de setembro podem entrar em contato com os organizadores pelos telefones  (61) 98199-9206, 98247-0397 e 99845-9030, ou pelo e-mail rosana.servo@gmail.com

NÃO DEIXE DE CONFERIR

1,8 mil livros
Incluindo coleção rara de medicina, da época em que Juscelino fez pós-graduação em Paris

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Mercedes Benz 1963
Usada na campanha presidencial, com os pneus originais, bancos de couro e volante de osso

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Cadeira de JK
Ele usou quando governou Minas Gerais

Duas máquinas de escrever Olivetti
Também usadas pelo ex-presidente

Caixa de pôquer
Com a inscrição “20/11/1971” na tampa de madeira, dia em que JK estava jogando e fez um royal de copas

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Mesa de pôquer
Com 11 cadeiras intactas

Presentes de embaixadores
Ficam nas prateleiras da sala de jogos, como uma porcelana japonesa e uma licoeira com os traços do Palácio do Alvorada

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Quadros de fotos
Em preto e branco, da época da construção de Brasília, de JK e de dona Júlia, mãe de Juscelino

Roupas de cama
Todas originais

Pratarias, louças e cristais
Tudo também original

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Mesa de jantar
Com tampo de vidro

Cadeiras
Forradas com veludo alemão

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Encontro na Chapada: índios, rezadeiras, raizeiros, kalungas, em um só lugar

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Aldeia Multiétnica, Encontro de Cultura da Chapada dos Veadeiros – Foto de Anne Vilela/Divulgação

Há 16 anos, na segunda quinzena de julho, o Brasil se encontra na Chapada dos Veadeiros. A Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso (GO), recebe representantes de diferentes povos e comunidades de todo país para celebrar os saberes e fazeres da cultura tradicional. Durante 15 dias, os olhares se voltam aos interiores, às roças, às aldeias indígenas, aos remanescentes quilombolas, aos pequenos produtores, artesãos, raizeiros, rezadeiras, parteiras, batuqueiros, aos artistas populares. Uma representação da riqueza imensurável do patrimônio cultural imaterial brasileiro e da força da fé popular brasileira.

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Chapada dos Veadeiros – Foto de André Amorim/Divulgação

As atividades do 16º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros começam em 15 de julho, sexta-feira, com a décima edição da Aldeia Multiétnica, que este ano apresenta o tema “Comunicação, Saberes Tradicionais e Novas Linguagens”.

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TUDO SOBRE O TURISMO EM ALTO PARAÍSO

Serão sete dias de convivência com diferentes etnias indígenas, como Fulni-ô – os grandes anfitriões do encontro deste ano, Krahô, povos do Alto Xingu, Xavante, Kayapó, Kariri-Xocó, Guarani Mbya e Avá-Canoeiro. Pacotes incluindo alimentação, camping e vivência estão sendo vendidos pelo site http://www.aldeiamultietnica.com.br.

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Aldeia Multiétnica, Encontro das Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros – Foto de André Amorim/Divulgação

A proposta é que, iniciada a experiência, todos os participantes incorporem-se ao cotidiano de uma aldeia. Em 10 anos, mais de 20 etnias diferentes já passaram pela Aldeia, localizada a cerca de 10 km da Vila de São Jorge, em uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), às margens do rio São Miguel e entrecortada pelas serras da Chapada dos Veadeiros.

A vivência possibilita o aprendizado sobre os fundamentos da organização social indígena, além de rudimentos do idioma, do artesanato, da gastronomia, das pinturas corporais, dos cantos, das danças e de outras manifestações culturais desses povos. É a oportunidade de conviver com líderes, xamãs, artesãos, agricultores. Uma dinâmica que oferece conhecimentos históricos, culturais e sociais das etnias participantes e dos povos indígenas em geral.

Comunidade Kalunga

No dia 22 de julho, como manda a tradição, ao final da vivência na Aldeia os indígenas se direcionam à Vila de São Jorge e passam o comando da festa aos remanescentes quilombolas da Comunidade Kalunga e aos povos e comunidades tradicionais convidados. Até o dia 30, a vila será tomada por atividades, como shows, apresentações dos grupos de cultura tradicional, oficinas, rodas de prosa, intervenções artísticas e espetáculos teatrais.

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Congada, Encontro das Culturais Tradicionais da Chapada dos Veadeiros – Foto de André Amorim/Divulgação

Raizeiros e pajés

Este ano, pela primeira vez, o evento recebe o I Encontro de Raizeiros e Pajés na Chapada dos Veadeiros, que acontecerá de 20 a 22 de julho na Aldeia Multiétnica, e o Encontro de Lideranças Negras, que será realizado de 23 a 25 de julho em São Jorge. A Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado é um dos destaques desta edição e contará com 14 estandes, que terão como foco a economia criativa do Nordeste Goiano.

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Aldeia Multiétnica, Encontro das Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros – Foto de Anne Vilela/Divulgação

A programação cultural contará com a participação das cinco comunidades precursoras do evento, representantes da região da Chapada dos Veadeiros: a Caçada da Rainha de Colinas do Sul (GO), a Comunidade do Sítio Histórico Kalunga (GO), o Congo de Niquelândia (GO) e a Folia de Crixás (GO).

Shows musicais

Além destes grupos, a 16ª edição contará com atrações musicais. Já está confirmada a participação de artistas como Mariana Aydar, Mestrinho, grupo Berimbrown, Gabriel Levy, Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti e o grupo mexicano Danza Del Venado.

Esta edição também contará com o Dia da Lavadeira. Realizado em 25 de julho, é uma releitura da tradicional Festa da Lavadeira, permeada pelas cores do Maracatu de Baque Virado, Ciranda, Afoxé e Caboclinhos do Côco, marcantes na cultura pernambucana.

 

Serviço

XVI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

Quando? 15 a 30 de julho de 2016

Onde? Vila de São Jorge, Alto Paraíso, Goiás

Site oficial: http://www.encontrodeculturas.com.br

 

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Caçada da Rainha – Foto de Décio Gonçalves/Divulgação

 

 

As 30 melhores cachoeiras de Pirenópolis e da Chapada dos Veadeiros

Cachoeira dos Dragões

Verão é tempo de calor e, contra ele, a água é um dos melhores remédios. Por isso, nessa época, as cachoeiras de Goiás aparecem como um dos pontos turísticos mais procurados por quem mora no Distrito Federal e no Entorno. Elas se concentram ao redor de duas cidades do estado vizinho da capital da República: Pirenópolis e Alto Paraíso. Escolhemos 30 das mais belas e disputadas atrações de ambos. Há opções para todas idades e gostos.

Principal destino dos brasilienses nos fins de semana, além do centro histórico, com quase 100 construções centenárias em estilo colonial, Pirenópolis também tem como grande atrativo 82 cachoeiras. Muitas ficam a poucos minutos de carro da cidade goiana e são abertas para visitação e banho, mediante o pagamento de ingresso que vale para o dia inteiro. Algumas contam com pontos de apoio, como barzinhos, lanchonetes e bares. Na grande maioria, a água é cristalina.

Alto Paraíso fica na Chapada dos Veadeiros, a 243km de Brasília e a cerca de três horas de carro da capital do país, por rodovia asfaltada. É uma região de cerrado no nordeste do estado de Goiás. A altitude ultrapassa os 1,6 mil metros e é bastante conhecida pela beleza natural. São mais de 300 cachoeiras espalhadas por três principais municípios: Alto Paraíso, Cavalcante e a pitoresca Vila de São Jorge.

É aconselhável a todos que pretendem viajar para a Chapada dos Veadeiros sempre consultar os Centros de Apoio ao Turista (CAT), pois muitos dos passeios só podem ser feitos com o acompanhamento de um condutor de visitantes.

Beleza hídrica

Chapada dos Veadeiros

Alto Paraíso

Loquinhas: acesso pela Rua do Segredo, a 3km do centro da cidade, um complexo de sete poços de beleza única, caracterizados pelas águas cor de esmeralda. Fácil visitação para crianças e pessoas da terceira idade. Muro de pedra feito por escravos, trilha ecológica, ponte pênsil, 780m de passarela de madeira, ladeando o Córrego Passatempo e facilitando os banhos e preservando o meio ambiente. A Fazenda Loquinhas também oferece hospedagem na Druid’s Pousada Xamânica do Cerrado.

Cachoeiras Almécegas 1 e 2: de Alto Paraíso, 9km de asfalto na estrada para São Jorge, até a Fazenda São Bento e mais 3km de estrada de terra, a partir de uma trilha de mais ou menos 1km, no Rio dos Couros, chega-se a Almécegas 1. Seguindo pela estrada de terra, fica a Almécegas 2, a poucos metros de caminhada. Na Almécegas 1, nível de dificuldade médio pela subida e descida. Na 2, fácil.

Cachoeira São Bento: a 9km de Alto Paraíso, na Fazenda São Bento, e menos de 200m de trilha, ou dando a volta, margeando o Rio dos Couros por um caminho suspenso de madeira, em um percurso de mais de 2km. A cachoeira de mesmo nome da propriedade, com uma linda piscina natural, recebe até campeonatos de polo aquático. Nivel fácil.

Parque Solarion: na estrada para o Moinho, no parque, encontram-se as cachoeiras dos Anjos e a dos Arcanjos, que formam piscinas naturais. O acesso para as cachoeiras é feito em terreno rústico e acidentado, exigindo preparo físico.

Cataratas dos Couros: na Fazenda Boa Esperança, sequência de quatro quedas no Rio Couros. Aconselha-se uso de veículo com tração nas quatro rodas e guia credenciado, pois o acesso é difícil.

Cachoeira do Rio Cristal: a 5km de Alto Paraíso pela GO-118. Estrada asfaltada para Teresina de Goiás e mais 1km de estrada de terra para chegar ao Rio dos Cristais, com diversas cachoeiras e piscinas naturais. Níveis baixo a médio.

São Jorge

Saltos do Rio Preto: localizados no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a 1km do povoado de São Jorge, a trilha de aproximadamente 5km passa por minas desativadas de cristal conhecidas como garimpão. Depois de uma descida de quase 100m de desnível, avista-se, do mirante, o Salto 1 do Rio Preto, com 120m de altura. Mais alguns metros de caminhada e surge a cachoeira de 80m de queda (Salto 2), com um poço de quase 200m de diâmetro. Na volta de aproximadamente mais 5km, a subida exige um esforço maior, mas oferece a opção de passar pelas corredeiras para relaxar. Nível de dificuldade alto.

Canyon 2 e Cariocas: no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com uma caminhada leve de aproximadamente 4km, atravessando alguns riachos e veredas, a beleza dos campos rupestres chama a atenção. O Canyon 2 é um estreitamento do Rio Preto, que, entre rochas de quartzo, forma um delicioso poço. Mais aproximadamente 1km de trilha e aparecem entre as pedras do Rio Preto um espetáculo de quedas, as Carioquinhas. Nivel de dificuldade médio, com atenção principalmente na descida das cariocas.

Vale da Lua: de São Jorge, a 10km de estrada de terra, ou de Alto Paraíso, são 23km de asfalto e 11km de estrada de terra, com cerca de 700m da portaria, chega-se ao Vale da Lua (foto abaixo). É um dos lugares imperdíveis da Chapada dos Veadeiros, acompanhando a Serra do Segredo, com leito de pedras em formatos arredondados, lembrado as crateras da Lua. Nível de dificuldade baixo a moderado. Atenção extra no período de chuvas por causa das enxurradas.

Chapada dos Veadeiros - Vale da Lua

Morada do Sol: saindo de São Jorge em direção a Colinas por estrada de terra a menos de 3km a portaria da Morada do Sol, mais 1km de estrada de terra e menos de 1km de trilha um local com piscinas naturais cachoeiras e cânions do rio São Miguel. Nível de dificuldade fácil.

Abismo: em São Jorge, no período de chuvas, as águas canalizam pelas fendas das rochas que formam cachoeiras grandes e pequenas, com piscinas de hidromassagem. Linda caminhada de aproximadamente 40 minutos a partir do mirante do pôr do sol, com vista panorâmica da Estrada de Colinas. Nivel médio.

Raizama: um pouco mais de 3km do povoado de São Jorge, o Sítio Espaço Infinito oferece um dos mais belos atrativos da Chapada dos Veadeiros, com um circuito de caminhada de pouco mais de 2km. Lá, o Córrego Raizama forma uma deliciosa hidromassagem, na qual despenca em um cânion de mais de 100m de extensão. Em alguns pontos, a água chega a mais de 50m de profundidade. Percorre-se uma trilha esculpida nas paredes do cânion até as piscinas. Nível de dificuldade baixo. Atenção no cânion.

Encontro das Águas: a 20 km de São Jorge, os Rios Tocantinzinho e São Miguel se encontram. Nível fácil.

Cachoeira Segredo: depois de São Jorge, ande 14km até a fazenda do seu Claro, deixe o veículo. Mais 8km a pé de trilha, cruzando o Rio São Miguel, e chega-se ao espetáculo. Nível difícil.

Cordovil: a 6km de São Jorge, o Cordovil cai no São Miguel. Passeio para o período de seca. Nível difícil.

Pirenópolis

Araras: no Rio Dois Irmãos, com um poço de 90 metros quadrados e queda de 7m. Acesso pela GO-338, saída para Goianésia, com 15km de asfalto. Entrar à direita e rodar mais 2km de terra. Trilha fácil, com 300m. Não tem estrutura para receber turistas.

Meia Lua: no Ribeirão Santa Maria com um poço com 300 metros quadrados e altura de 15m. Acesso pela estrada para as pedreiras, com 2km de asfalto. Entrar à direita e percorrer mais 3km de terra. Trilha de aproximadamente 50m. Estrutura: banheiros e lanchonete.

Cachoeira da Santa: no Ribeirão Santa, com queda de 2m. Chega-se pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 16km de terra. Trilha com 200m, com acesso fácil. Estrutura: Não tem. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira das Andorinhas: no Córrego Barriguda, com queda de 10m. Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 5km de terra. Trilha com 1km de acesso difícil. Não aconselhada para idosos e crianças.

Cachoeira das Freiras: no Rio Dois Irmãos, com queda de 4m. Acesso pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 38km de terra. Trilha com 300m, com acesso médio. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira do Abade: no Rio das Almas, com um poço com 900m quadrados e queda de 22m (foto abaixo). Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto. Entrar à direita, mais 12km de terra. Trilha fácil, com 300m.

Pirenópolis - Cachoeira do Abade

Cachoeira do Amor: no Córrego Barriguda, com queda de 4m. Acesso pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 5km de terra. Trilha de 600m, com acesso fácil. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira do Canyon: no Rio das Almas, com um poço com 200 metros quadrados e altura da queda de 8m. Chega-se pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto. Entrar à direita e percorrer mais 12km de terra. Trilha fácil, com 50m.

Cachoeira do Coqueiro: no Ribeirão Santa Maria, queda de 10m. Acesso pela Estrada das Pedreiras, em 17km de terra. Trilha para a cachoeira de acesso médio, com 200m. Não é aconselhada para crianças de colo e idosos. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira do Paredão: no Rio Dois Irmãos, com um poço de 10m quadrados e altura da queda 3m. Acesso pela GO-338, com saída por Goianésia, com 15km de asfalto. Entrar à direita e percorrer mais 2km de terra. Trilha média, com 2,5km. Não é aconselhada para crianças e idosos.

Cachoeira do Pilão: no Córrego Barriguda, com queda de 7m. Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 5km de terra. Trilha com 1,2km de acesso difícil. Não aconselhada para idosos e crianças. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira dos Pireneus: uma queda de 4m e um grande poço. Acesso pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 20km de terra. Trilha com 400m e acesso fácil. A região tem mais três cachoeiras: a Vale Encantado, Gruta e a Pedra Furada. Estrutura: pode ser usada a da Pousada Tabapuã dos Pireneus, com piscina, banheiros, restaurantes.

Garganta do inferno: no Ribeirão Santa Maria, queda com altura de 10m. Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 15km de terra. Trilha de 300m, com acesso fácil. Sem estrutura.

Cachoeira Sonrisal: no Córrego Capitão do Mato, há seis cachoeiras em sequência. A maior queda tem altura de 10m. Chega-se pela estrada das pedreiras, 15km de terra, no Parque Estadual dos Pireneus. Trilha com 2km de acesso fácil. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira dos Dragões: no Córrego Chapadão, há oito cachoeiras, sendo a maior com uma queda de 73m. Duas cachoeiras secam entre junho e setembro. Acesso pela GO-338, saída para Goianésia, com 25km de asfalto. Entre à direita e percorra mais 18km de terra. Trilha média com 4km. Não é aconselhada para crianças e idosos. Estrutura: banheiros, mosteiro, restaurante com reserva e trilha demarcada.

 

 

 

Chapada dos Veadeiros recebe seu primeiro festival de gastronomia

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Cachoeiras, boa comida e música ao vivo. Essa é a previsão para quem viajar para a Chapada dos Veadeiros (GO) neste fim de semana. A região receberá, a partir desta quinta (10/12), o 1º Festival Gastronômico de Alto Paraíso que vai durar até domingo (13/12), com programação gratuita. Além de Chefs renomados, o evento contará, ainda, com apresentação da cantora Fernanda Abreu e outros músicos.

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Nos três primeiros dias, a festa acontecerá em Alto Paraíso e no último, saltará para São Jorge. Entre os chefs que ministrarão aulas estão nomes conhecidos como Bela Gil, Paula Labaki, Ana Paula Jacques, Maria França, Ademir Santana, Arthur Barbosa e o sommelier José Honorato (confira a programação abaixo).

O evento faz parte do Circuito Gastronômico Goiás 2015, organizado pelo governo do estado, e já passou por Pirenópolis, Cidade de Goiás, Goiânia, Caldas Novas, Rio Quente e termina em Alto Paraíso e São Jorge.

Programação

Quinta feira (10/12)
11h30 – Abertura Solene com participação do Grupo infantil Camerata Municipal de violões e orquestra Kokopelli de flautas (Paróquia Alto Paraíso)
13h – Abertura Gastronômica – Chef Renato Valadares e Chef Sagari com uso de florais terapêuticos do Cerrado
19h às 20h30 Leitura do mapa astral do país e de Alto Paraíso – Lilian C. Moraes
21h – Chapa da rima – batalha de MC’s
22h20 – N’golo – show cultura herança africana
24h – Pacatto do Alto e Banda

Sexta feira (11/12)
14h – O Buriti e suas múltiplas aplicações – Chef Fabiana Pinheiro
15h15 – As delícias de Alto Paraíso – Chef Gabriel Fleijsman
16h30 – A influência da Lua nos alimentos – Chef Paula Labaki
17h45 – A Cozinha tecnológica com sabores da terra – Chef Leandro Andrade
18h35 – Construção de sabores – Chef Jimmy Ogro
21h – Ação Bistrô Nômade na Confraria do Café – Chef Karla e sua Gastronomia vibracional preparando –Risoto de Pequi com gorgonzola – Risoto de buriti com creme de barú servidos com Moqueca de cajuzinhos do Cerrado e Chutney de mangaba
21h30 – Show com Maira Lemos
23h00 – Show com a dupla Rei do Gado e Fazendeiro

Sábado (12/12)
13h – Vivência e aromoterapia com Luciane Schoppan (Vish Wa)
14h – Gastronomia Alternativa: Segredos e Encantos – Chefs Nives e Ana Paula
16h30 – Cor, sabor, textura, perfume e surpresa – Chef Guga Rocha
17h45 – O Charme e o sabor da carne suína – Chef André Rabelo
19h – Os encantos saudáveis de Bela Gil
21h – Chef DJ André Barros
22h – Show Fernanda Abreu

Domingo (13/12)
13h – A Conexão de sabores entre Recife e São Jorge – Chef Renato Valadares
14h30 – Gelados Gelatos, Refrescantes Refrescos – Chef Arthur Barbosa e Rosane Santos
15h45 – Alimentação Viva e criativa – Chef André Barros
17h – Cor, sabor, textura, perfume e surpresa – Chef Guga Rocha
18h15 – A magia do Cacau na terra dos cristais – Chocolatier Diego
19h45 -A cozinha de São Jorge falando sobre tradição e continuidade com Uiter e Maria França e os sabores de Goiás com chef Ademir Santana
22h – Doroty Marques e Turma que Faz

Planetário de Brasília reaberto

Projeto do novo Planetário de Brasília

Luiz Calcagno, do Correio Braziliense

Para muitos brasilienses, o Planetário de Brasília não passa de uma memória distante, de infância. Para outros, mais jovens, nem isso. Apenas uma obra parada de um prédio desconhecido no Eixo Monumental. Uma cúpula escura. Mas o céu vai voltar a se abrir no Planalto Central e estudantes, curiosos e amantes das constelações e da Via-láctea terão um lugar para contemplar estrelas de todo o globo. Com 38 anos de idade e fechado há 17, o Governo do Distrito Federal vai reinaugurar o prédio na primeira semana de junho, após um investimento de R$ 10,5 milhões, sendo R$ 7,4 milhões em infraestrutura e R$ 3,1 milhões em tecnologias. A sala de projeção da casa, o plenário coma cúpula terá capacidade para 108 pessoas por sessão e receberá cerca de 600 por dia.

A expectativa é que a parte física do planetário fique pronta até o fim de março. Em seguida, técnicos instalarão o projetor antigo, de 1974, e outros nove projetores novos de tecnologia alemã, que proporcionarão aos visitantes uma experiência visual próxima da realidade no céu projetado na cúpula.Com o equipamento, o centro de estudos astronômicos se torna referência em tecnologia no Brasil, embora não seja o maior do país. A cúpula exibirá projeções celestes de vários países. Serão quatro sessões diárias durante a semana e duas aos sábados e domingos. O local ainda contará com biblioteca digital e área de alimentação. A Secretaria de Ciência e Tecnologia promete um ambiente acesso facilitado a portadores de necessidades especiais.

Planetario

De acordo com o secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação, Washington Luiz Sales, além de visualizar as estrelas posicionadas de pontos de vista, por exemplo, de Lisboa, em Portugal, ou de Paris, França, simulações levarão os visitantes à órbita de Saturno ou ao solo de marte, usando como referência, imagens de satélites que percorreram o trajeto interplanetário. “Teremos seis estudiosos, diariamente, para atender os visitantes. Teremos sessões para escolas infantis ou de ensino médio e, nos fins de semana, receberemos toda a população. A linguagem e os trabalhos serão adequados a cada tipo de público. Nossa expectativa de formar um polo de desenvolvimento científico da ciência astronômica de Brasília e levar esse conhecimento ao público”, explicou.

Professor de astronomia do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), José Leonardo Ferreira comemorou a notícia. Segundo ele, com a reabertura do planetário, a comunidade escolar de Brasília terá acesso a novos conhecimentos. “Uma geração perdeu a possibilidade de ser exposta a esses conhecimentos. A astronomia ajuda não só a física, mas também a história, a filosofia e o meio ambiente. E o planetário faz uma divulgação científica desses temas. É todo um universo que a população quer, merece e precisa conhecer. Além disso, complementam o estudo, incentivam professores e abrem as portas da física para os mais novos”, comentou.

Memória

A história do Planetário de Brasília é repleta de indas e vindas. Projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, o local passou metade de seus 39 anos de existência fechado. Confira, na linha do tempo, o que aconteceu com o centro científico desde sua inauguração:

1974 – O planetário é inaugurado em 15 de março, mas fecha um mês depois.

1975 – O centro científico é reaberto em agosto. O prédio recebe visitantes por um breve período, até ser fechado novamente em 1979.

1980 – O planetário volta a receber o público em outubro. Passa cinco anos aberto e é fechado novamente devido a problemas técnicos.

1997 – Reformas são realizadas, mas são insuficientes para a reabertura.

2004 – Convênio firmado entre GDF e União dá início a uma obra com previsão de conclusão em 2006. O cronograma, mais uma vez, não foi obedecido.

2008 – Em 17 de julho, tem início a reforma prevista para terminar em 10 meses.

2013 – Depois de várias paralisações, o GDF promete entregar o Planetário de Brasília para os brasilienses em junho.

Fonte: Secretaria de Ciência e Tecnologia do GDF

Imagens do cerrado candango

Zuleika de Souza, da coluna Photo & Graphia, do Correio Braziliense

A seca pinta o cerrado de muitas cores e transforma as paisagens em pinturas. Visitamos  alguns lugares onde essas telas podem ser admiradas e fotografadas.

Uma vista linda pode ser admirada do Morro do Centenário, onde fincada a Pedra Fundamental da Capital, pertinho de Planaltina. Além de um ponto histórico, tem visão de 360 graus da parte norte do quadradinho.

De lá o cerrado se mostra em uma palheta de cores: o céu azul de agosto, o capim dourado, o marrom dos galhos secos, o verde das áreas irrigadas, o vermelho das caliandras e o pó laranja da terra seca.

Outro lugar muito interessante é o mirante do Jardim Botânico de Brasília (enorme reserva natural, próximo ao Lago Sul).

No alto de uma estrutura de madeira, dois bravos bombeiros civis, Junior e Valdeir, vigiam o cerrado para que não vire cinza.

Os simpáticos guardiões do bioma fazem as vezes de anfitriões do parque e descrevem e identificam as paisagens enquanto vasculham o horizonte, de binóculos, à procura de fumaça.

De lá, se vê em primeiro plano um mar de canelas de ema, algumas com a marca de fogo do ano passado, várias camadas de Cerrado e, no infinito, o Plano Piloto.

Com sorte, dá pra ver alguns animais como o sabiá-do-campo.


No centro da cidade, do mirante da Torre de TV, temos uma visão mais urbana da seca, os gramados ressecados, a cidade acinzentada e uma camada de poeira rosa no horizonte.

Na praça do Cruzeiro, onde foi realizada a primeira missa da cidade, atrás do Memorial JK, nos fins de tarde, acontece um espetáculo com hora marcada. Dezenas de pessoas se juntam na praça, mesmo nos dias de semana, para aplaudir quando o sol começa a descer atrás do Parque Nacional, e o firmamento se transforma em uma grande tela alaranjada.

Já que temos que conviver com a seca, vamos aproveitar e contemplar o belo.

Os tesouros das cavernas de Unaí

Renato Alves e Ronaldo de Oliveira (fotos), do Correio Braziliense

Muito antes dos integrantes da Missão Cruls, dos fazendeiros e dos candangos, homens, mulheres e crianças já exploravam o Planalto Central. Essa gente começou a chegar à região há mais de 10 mil anos. Vivia da caça de pequenos animais e da coleta de frutos, como o ainda abundante pequi. Buscava abrigo em grutas, onde também expressava sua arte e deixava seus mortos. As cavernas ocupadas por nossos ancestrais ainda são pouco conhecidas dos homens modernos. Muitas delas, com seus desenhos e até ossadas, ficam em meio a propriedades rurais de Unaí (MG), distante 160km de Brasília.

Em terras do município mineiro de 80 mil habitantes, pesquisadores identificaram ao menos 10 cavernas com formações geológicas milenares, lagos transparentes e pinturas feitas por alguns dos primeiros habitantes do centro do país. Os homens das cavernas também deixaram gravuras em paredões e pedras encravadas no cerrado. Museus pré-históricos explorados por poucos cientistas, minguados adeptos de esportes radicais e quase nenhum turista, por falta de informação e infraestrutura para a visitação. O Correio percorreu a região em busca desse tesouro esquecido.

As pinturas das cavernas de Unaí estão bem nítidas, levando-se em conta o desgaste sofrido ao longo de tanto tempo de exposição. As mais expressivas ficam na Gruta do Gentio II, a 30km do centro da cidade. Ela começou a ser ocupada há cerca de 10.250 anos, de acordo com pesquisas realizadas nas décadas de 1970 e 1980. Os arqueólogos levantaram a data a partir dos pingos de tinta no solo original. Vestígios de um ponto cerimonial, com pinturas em vermelho no teto e nas paredes, onde depositaram corpos parcialmente cremados.

Nesses estudos do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), encontraram os restos mortais de uma criança que ali viveu há 9 mil anos. Ela tinha entre 9 e 10 anos e estava envolta em uma rede de algodão. A conservação do corpo indicou que o sepultamento teve características de ritual funerário e possível embalsamamento. A criança integrava uma comunidade de coletores, que, naquela região, se alimentava de coquinhos de guariroba e pequi. Por meio de objetos e das pinturas, os pesquisadores concluíram ainda que pequenos grupos habitaram a gruta entre 7.350 e 8.250 anos atrás.

A caverna voltou a ser habitada por um grupo que ali desenvolveu pequenas hortas. Esse povo viveu na região entre 3,5 mil e 1 mil anos atrás. A Gruta do Gentio II é naturalmente bem iluminada e seca, o que permitiu a preservação de exemplares arqueológicos em bom estado apesar da sua antiguidade. Nas três últimas décadas, os pesquisadores encontraram e recolheram na caverna uma grande variedade de objetos milenares, como artefatos de pedra, de cerâmica, de osso, restos de fios de algodão e cestaria, além de alguma poucas peças de madeira. Neste sítio arqueológico também localizaram a mais antiga cerâmica em território brasileiro, fora da Amazônia, com cerca de 3,5 mil anos.

Água milagrosa

Enquanto a Gentio II era usada para funerais dos homens das cavernas, a Lapa do Sapezal, distante 25km do centro da cidade, hoje serve de cenário para manifestações religiosas. Nos dias 1º, 2 e 3 de maio, peregrinos vão à lapa, em meio a uma mata, exaltar a Santa Cruz e São José Operário. A festa mobiliza parte da população residente nas comunidades próximas e de municípios mineiros vizinhos, como Paracatu, Vazantes e Buritis. Todos acreditam haver poderes divinos na caverna.

Durante a festa, no entorno da lapa são construídas barraquinhas de comidas. A capela sedia orações, batizados, missa e dela parte uma procissão. No interior da Sapezal há um lago de origem freática onde são jogadas moedas, acompanhadas de pedidos. Muitos acreditam em um poder curativo dessas águas. Há ainda no interior da lapa uma abstrata figura de uma Nossa Senhora a se formar em escorrimentos de calcita sem que haja, contudo, referências a milagres seus ou culto a uma Nossa Senhora da Lapa.

Um lago cristalino também é uma das grandes atrações da Gruta do Tamboril. No entanto, não é fácil chegar até as águas e o acesso à caverna é controlado pelos órgãos de saúde, por causa da suspeita de um foco de histoplasmose no local, nunca comprovado nem estudado. Assim como na maioria das grutas, por causa da ausência de sinalização, iluminação e os riscos do solo acidentado, a visita ao Tamboril só deve ser feita na companhia de guias especializados e equipamento adequado.

Com cerca de 4km de extensão, a caverna tem sete salões ornamentados por estalactites e estalagmites, sendo o último coberto pelo lago totalmente limpo e transparente. Até lá, porém, gasta-se pelo menos uma hora e meia de caminhada, com descidas e subidas em pedras pontiagudas e escorregadias. Mas se não quer tanta aventura nem correr o risco de adquirir uma doença, a entrada no primeiro dos sete salões é o suficiente para uma prova das maravilhas da gruta.

Ajuda de moradores

Como Unaí não dispõe de política para exploração do turismo nem sequer placas que indiquem a localização das suas grutas e cachoeiras, os visitantes precisam da ajuda de moradores para chegar aos atrativos. Gente simples e prestativa como o vaqueiro Ademir da Silva Leite, 32 anos (foto abaixo). Desde que começou a trabalhar na Fazenda do Gentio, há 10 anos, ele serve de guia aos cientistas vindos de todo o país para estudar a caverna com o mesmo da propriedade rural, onde se cria gado nelore.

Mas Ademir começou a entender por que aquela gente vinha de tão longe para embrenhar-se na mata e passar o dia numa caverna somente há seis anos, quando teve a atenção chamada por uma professora da Universidade de São Paulo (USP). “Mostrei pra ela o meu nome escrito na caverna e ela disse para eu nunca mais fazer aquilo. Hoje, não deixo ninguém escrever lá”, conta. Apesar da consciência do vaqueiro, ainda há vândalos escrevendo sobre pinturas milenares.

Outro que faz as vezes de guardião das cavernas é o estudante de biologia Emmanuel Nicodemos, 25 anos. Ele e colegas da unidade da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) em Unaí montaram um grupo de espeleologia para explorar as grutas e divulgar a beleza e importância delas. “Além de passeios para esportes de aventura, como rappel, estamos catalogando cavernas ainda não estudadas. Mas temos algumas barreiras, como fazendeiros, que impedem o acesso às grutas”, conta.


SAIBA MAIS
http://www.limiteverticalunai.blogspot.com
Guias para visitação: Emmanuel Nicodemos, 38-9847-4017