Tesouros da pré-história do Centro-Oeste

 

Paredão onde fica a Toca da onça, em Formosa (GO)
Paredão onde fica a Toca da onça, em Formosa (GO)

 

Renato Alves e Leilane Menezes, do Correio Braziliense

Um passeio pelo Entorno do Distrito Federal pode revelar um pouco mais sobre a evolução da humanidade. A região guarda verdadeiras relíquias ignoradas pela maior parte da população. São sinais da presença do homem pré-histórico, à disposição de qualquer interessado em descobrir como ele vivia. Há pontas de lanças, machadinhas e uma infinidade de outros instrumentos fabricados há até 12 mil anos. Estão enterrados ou jogados no meio do caminho, como se não tivessem valor.As lembranças dos primeiros seres humanos que habitaram o Planalto Central escondem-se em pelo menos 29 grutas da região, catalogadas por historiadores. O Correio percorreu alguns pontos e encontrou contrastes. Beleza e também degradação e abandono.

Em alguns locais, como na Toca da Onça, em Formosa (GO), a 80km do Plano Piloto, os homens das cavernas deixaram também pinturas rupestres. Pesquisadores acreditam que eles tenham usado um tipo de pincel feito especialmente para esse fim e os próprios dedos. Os desenhos mostram animais, retratos rústicos do ser humano e representações do céu, além de muitos outros símbolos ainda não desvendados. Os tons variam do alaranjado ao vermelho, com traços em preto.

A nitidez das imagens — feitas há, no mínimo, 10 mil anos — impressiona. No teto da caverna, é possível ver desenhos de pés achatados, sem a curva lateral com a qual o homem atual está acostumado. Alguns têm quatro dedos; outros, seis ou cinco. À primeira vista, o visitante se pergunta: como aqueles pés foram parar ali, tão alto? Habilidades do homem da caverna.

O dono da Fazenda Toca da Onça é Herculano Lêdo Filho, 65 anos, nascido em Formosa. Comprou o terreno há 20 anos. Desde então, mantém as porteiras sempre fechadas, para controlar o acesso. “Visita aqui, só acompanhada. O pessoal vem, vê as pinturas, faz rapel. Mas sem depredar”, afirmou. Ainda assim, o homem deixa seu rastro de destruição. Mesmo diante da tentativa de preservar o meio ambiente e a história, alguns vândalos picham o próprio nome ou arrancam pedaços da caverna.


Riqueza

O Sítio Arqueológico do Bisnau, também próximo a Formosa, não escapou da ação do ser humano. Ali, os primeiros habitantes esculpiram símbolos em um tipo de rocha frágil, chamada de arenito. As gravuras em baixo-relevo são classificadas como petroglifos pelos cientistas. Alguns dos poucos turistas que visitam o Bisnau não ajudam a preservá-las. Para aumentar a visibilidade do desenho, eles riscam o baixo-relevo com giz, tinta e outras pedras. Técnica desnecessária, pois a própria natureza dá destaque à obra pré-histórica.

A natureza, aliada à falta de intervenções humanas positivas, também contribui para a destruição. Enxurradas fortes que descem sobre o paredão arrancam finas camadas de rocha. Plantas crescem em meio à tela rochosa e escondem os desenhos. Recentemente foi instalada uma cerca em volta do paredão. Mas, até dois anos atrás, sem barreiras, o gado pisava nas gravuras e deformava o relevo.

Para conhecer as preciosidades de Bisnau, é preciso passar por algumas fazendas. O dono de uma delas, Gilberto Thomé, 59 anos, não consegue impedir a entrada de visitantes mal intencionados. “Só existe uma entrada para essa região. Aqui dentro tem outras fazendas, por isso não posso trancar a porteira sempre que quero. Fico muito indignado quando alguns grupos de turistas aparecem, fazem a maior bagunça e vão embora. Eles deixam latas, garrafas e estragam o baixo-relevo”, reclamou.

Por outro lado, há quem venha de fora do Brasil para conhecer a riqueza histórica de Bisnau. Gilberto recebe frequentemente a visita de geólogos africanos e franceses, por exemplo, interessados em desvendar os segredos daqueles símbolos. “Quando chegam aqui, ficam impressionados. Dizem que viram as mesmas figuras na África, o que é muito intrigante. Um francês me disse que já viu esses desenhos, só que feitos por homens da região do Pacífico”, relatou Gilberto, o guardião do Bisnau.

Desde o fim do século 19, quatro expedições científicas visitaram as grutas e sítios arqueológicos de Formosa. A maior contribuição foi dada por arqueólogos goianos e cariocas integrantes do Projeto Bacia do Paranã, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Por dois anos, na década de 1970, eles exploraram as cavernas da bacia hidrográfica do Rio Paranã. O resultado do trabalho deu origem à publicação de um relatório detalhado sobre a fase pré-cerâmica e de arte rupestre do Planalto Central, em 1977. O DF também tem sítios arqueológicos, espalhados por Taguatinga e Gama.

 

COMO CHEGAR

Sítio do Bisnau — Entrada no Km 46 da BR-020, 45km após Formosa. Depois de deixar a rodovia, siga de carro por uma trilha de terra. São cerca de 5km até a pedra. Também há uma cachoeira no local. É preciso agendar horário com o dono da fazenda, Gilberto, antes de visitar. Preço: R$ 5. Informações: 6958-3889.

Toca da onça — Pegue a GO-116, em direção ao Salto do Itiquira. Ande 2km pela rodovia asfaltada e entre no primeiro acesso à direita. São 7km até a porteira da Fazenda Pedra, onde ficam as grutas. Para informações sobre guias turísticos e agendamento de visita, ligue para 3631- 4478. Preço da visita: R$ 10 por pessoa.

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7 comentários em “Tesouros da pré-história do Centro-Oeste

  1. Pra quem da valor ao patrimônio histórico,pra mim por exemplo,a reportagem é de grande importância,Parabéns!

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  2. Affz..Isso aqui nao me ajudou em nada, vou ganhar 0 no trabalho so por causa de vcs suas drogas nao fazem sati interessante

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