Guia completo de Goiás Velho, onde moram a cultura e a culinária goiana

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Centro histórico de Goiás Velho (Foto de Renato Alves)

Goiás tem duas cidades históricas que valem uma visita. A mais famosa é Pirenópolis. Certamente, por estar mais perto de Brasília (150km). A outra (a 310km de Brasília e 140km de Piri), no entanto, tem muito mais atrações.

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Ponte de madeira em frente à Casa de Cora Coralina (Foto de Renato Alves)

Mais conhecida como Goiás Velho, a Cidade de Goiás foi a primeira capital do estado. Desde 2001, ostenta o título de Patrimônio Mundial, concedido pela Unesco. Ela conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original. Uma vitrine do Brasil do século 18. Tudo em meio a um vale envolvido pelos morros verdes e ao sopé da lendária Serra Dourada.

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Sem a agitação de Piri, Goiás tem uma atmosfera bucólica. Suas ruas silenciosas e o seu casario colonial bem conservado convidam para longas e prazerosas caminhadas, sem roteiros pré-definidos. Feitas de pau a pique, sem muros ou grades e unidas umas às outras, as casas centenárias do centro histórico chamam a atenção de quem está acostumado com asfalto e arranha-céus.

O calçamento de pedra – construído com o suor e o sangue de escravos – e a arquitetura são testemunhas de outros tempos, iniciados com o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva. Mais conhecido como Anhanguera, ele liderou um grupo de desbravadores do Brasil Central que capturavam índios e buscavam ouro para enriquecer os colonizadores portugueses.

Goiás cresceu às margens do Rio Vermelho, se tornando um dos primeiros municípios fundados no Brasil colonial. A cidade foi a capital do estado de Goiás por mais de 200 anos. Perdeu o posto com a inauguração de Goiânia, em 1933.

“Goiás é o Brasil Colônia nos casarões, nas ruas de pedra, no jeitão de Cora Coralina. Um jeito de Brasil furioso, doido pra crescer, querendo se libertar.”
Lima Duarte, ator

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A cidade de Goiás, que originalmente se chamava Vila Boa, também oferece aos turistas riquíssima arte sacra nas seculares igrejas e nos museus. De todos, o mais visitado é o Museu Casa de Cora Coralina, também conhecido como Casa Velha da Ponte. Ele fica à margem do Rio Vermelho e é a antiga casa da poetisa Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a Cora Coralina.

Famosa pelos inúmeros versos sobre a cidade de Goiás (1889-1985). Após a morte da poetisa, amigos e parentes se reuniram e criaram, em 1989, o museu em sua homenagem. A família doou o acervo: objetos pessoais, fotos, utensílios domésticos, livros e imóveis.

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Empadão e doces

Além do casario, dos museus e das belezas sacras, em relação a Pirenópolis, Goiás Velho tem como atrativo os preços. Em relação a Pirenópolis, as diárias de Goiás chegam a custar quase metade em hospedarias com estruturas equivalentes. Restaurantes e lanchonetes de Goiás cobram bem menos pelas bebidas e pelos quitutes e pratos do que os oferecidos em Piri.

Devido ao menor fluxo de turistas (o que barateia tudo), as opções para comprar, almoçar e jantar em Goiás Velho são poucas. Algumas casas transformadas em lojinhas vendem quitutes e artesanatos. Outras poucas abrigam restaurantes, lanchonetes e cafés. As mesas são colocadas nos cômodos, na calçada e no quintal.

Quando chega a fome, o visitante pode experimentar as comidas regionais como o empadão goiano, a pamonha ou o bolo de arroz, encontrados na maioria dos estabelecimentos, onde o turista desembolsa de R$ 20 a R$ 40 por um prato farto. O Mercado Central é outra opção. Lá, o turista encontra de comida típica a lojinhas de artesanatos.

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Comida goiana servida em restaurante de Goiás Velho (Foto de Renato Alves)

Aliás, nenhuma outra cidade goiana oferece o legítimo empadão goiano, criado em Goiás Velho, onde tem a receita original seguida à risca (com seu substancioso recheio que mistura linguiça, palmito, frango, queijo e um tipo de palmito amargo, a guariroba).

Outra antiga tradição da cidade são os alfenins, doces de origem portuguesa, preparados com açúcar e polvilho com simpáticos formatos de animais. Os doces de frutas cristalizadas também são famosos e se pode acompanhar o trabalho das doceiras.

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Nos doces e nas manifestações religiosas, como a impressionante Procissão do Fogaréu da Semana Santa (confira o calendário de eventos da cidade), permanecem as raízes culturais do passado. Para quem gosta de curtir a natureza, são organizadas caminhadas na reserva ambiental da Serra Dourada, que se ergue em um dos lados da cidade.

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Praça do Coreto

A Praça do Coreto é passagem e parada obrigatória em Goiás Velho. No meio do Centro Histórico, ela abriga a mais famosa sorveteria local e uma dezena de bancos. A sorveteria não tem placa e fica embaixo do coreto (este, não tem como não ser visto).

A loja oferece os mais diversos sabores de picolés e sorvetes produzidos em grande parte com frutas do cerrado goiano. Entre as opções, estão de murici, cajá, graviola, jabuticaba, cagaita e pitanga. Tudo por R$ 2,50 a unidade ou a bola. É escolher o seu e desfrutá-lo sentado em um dos bancos de madeira, vendo a gente e a vida passarem.

Na praça também acontece a maioria dos eventos de Goiás Velho. Rodeada de casarões e bares, o local é bastante conhecido por receber, entre outros, um dos mais famosos festivais de cinema ambiental do país, o Fica, que atrai turistas e cineastas de todo o mundo.

Estilo de vida

A estrutura em termos de pousadas e restaurantes é adequada a uma cidade que deseja ser turística mas não quer mudar seu estilo de vida. Goiás Velho se modificou bem menos que Pirenópolis, Ouro Preto ou Tiradentes, por exemplo.

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Em caso de feriados e datas comemorativas, reserve a hospedagem com bastante antecedência para não correr o risco de ficar sem opções. A cidade atrai muitas pessoas por ser um dos poucos locais turísticos da região.

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COMO CHEGAR

De avião – O aeroporto mais próximo fica em Goiânia e a partir de lá há duas opções: alugar um carro no aeroporto ou pegar um ônibus, com saídas diárias (dê preferência aos horários diretos).

De carro – Por Brasília (320 km): saia em direção a Anápolis pela BR-060. Depois pegue a GO-222 até Inhumas. Então siga pela GO-070 até Goiás. // Por Goiânia (136 km): saia de Goiânia pela GO 070 e siga sempre por esta rodovia, passando por Itaberaí até chegar à terra de Cora Coralina.

ONDE FICAR

Pousada Serra Dourada – Próxima da cidade. Piscina, lago e chalés. (62) 8412-0018.

Pousada do Sol Simples,mas decente. Centro .(62) 3371-1717 e (62) 3372-1344.

Pousada do Ipê – Melhor custo-benefício da cidade. Aconchegante, no centro histórico. Ambientação rústica (foto abaixo), café da manhã tradicional. Grande área verde, piscina e bar. Quartos comuns e chalés.

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Pousada Casa da Ponte Hotel – No centro, em frente à Casa de Cora Coralina. Quartos com TV de tela plana e banheiro privativo.

Pousada Chácara da Dinda No centro, tem piscina, terraço ao ar livre e jardim, quartos com ar-condicionado e Wi-Fi gratuito.

Pousada Colonial – Com estrutura simples, na entrada da cidade, a 1km do centro da cidade. Av. Dr. Deusdete Ferreira de Moura, 21 Tel: (62) 3372-1237.

Hostel Dedo de Prosa – Algumas unidades têm área de estar. Quartos com banheiro compartilhado e TV. Cozinha de uso comum na propriedade.

Hotel Atlanta – Bem distante do centro. Oferece piscina e é dividido em hotel e pousada. Setor Bacalhau, com entrada pela rodovia. (62) 3372-1658.

Hotel Vila Boa O mais tradicional da cidade, com piscina  e bons serviços, porém, com instalações antigas. Fica na entrada da cidade. (62) 3371-1000.

Hotel Fazenda Manduzanzan – A mais confortável e completa opção de hospedagem da cidade, mas a 9km do centro de Goiás Velho e com tarifas salgadas. Piscina, sauna e cachoeira particular na área ao ar livre.

O QUE VISITAR, VER E FOTOGRAFAR

Becos – Eles inspiraram a poesia de Cora Coralina e os versos e canções.

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Rio Vermelho – Corta a cidade, passando também pelo quintal de casas antigas.

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Cruz do Anhanguera um dos símbolos da Cidade de Goiás. A relíquia foi transferida para a antiga Vila Boa por Luiz do Couto, em 1918, que a reencontrou depois de ter sido levada, juntamente com a igreja da Lapa, pela enchente de 1839. Nova tempestade no final de 2001 destruiu mais uma vez a cruz, que será reconstruída nos mesmos moldes da original.

Casa de Cora Coralina – O casarão onde viveu a poetisa e doceira fica na cabeceira da ponte sobre o rio Vermelho. Uma das primeiras construções de Goiás, é uma típica residência do século 18 e inspirou alguns de seus poemas. Em uma parte da casa foi montado um pequeno museu que homenageia a mais famosa das filhas de Goiás.

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Espaço Cultural Goiandira do Couto – Outra celebridade local é a artista Goiandira do Couto, prima de Cora Coralina. Ela usava uma técnica de pintura com areias. São mais de 500 tonalidades encontradas na Serra Dourada. Na pequena galeria, estão expostos alguns quadros e amostras de areias. Rua Joaquim Bonifácio, 19, atrás da Igreja N. Sra. D’Abadia.

Igrejas –  A Igreja da Boa Morte (1779) é a única que apresenta elementos típicos do barroco na fachada (foto abaixo). Abriga o Museu de Arte Sacra, com destaque para as imagens de Veiga Valle, escultor local, que viveu no século 19. Igrejas São Francisco de Paula (1761), N.S. do Carmo (1786), N.S. da Abadia (1790) e de Santa Bárbara (1780) – com uma linda vista da cidade, esse é um dos pontos turísticos imperdíveis. Pequena e antiga, fica no alto do morro. Ela só é aberta na festa da padroeira em dezembro. Para chegar até ela, é preciso subir cerca de 100 degraus.IMG_4751.JPG

Museus  – No grande prédio construído em 1761, onde funcionaram a cadeia, a câmara e a justiça, fica o Museu das Bandeiras, que expõe objetos usados na exploração do ouro. O Palácio Conde dos Arcos (1755), onde há um museu, foi construído para acomodar o governador da capitania. Todos os anos, no aniversário da cidade, abriga a sede do governo, que se transfere de Goiânia por alguns dias (foto abaixo).

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Outras construções históricas – Outras construções significativas são o Quartel do 20 (obra de 1747, serviu de hospital durante a Guerra do Paraguai e atualmente seu pátio interno serve como local de festas populares), a Casa do Bispo, os chafarizes da Boa Morte, o Fonte da Carioca e a Casa de Fundição (1752, onde se fundia o ouro extraído das minas).

O QUE ASSISTIR

Semana Santa – Na quarta-feira, procissão do fogaréu, simbolizando a busca e a prisão de Jesus. Os fiéis saem com tochas na mão ao som de tambores e de músicas barrocas chamadas “motetes dos passos” compostas em 1855. Na igreja do Rosário ocorre a ceia do Senhor. Depois, na igreja de S. Francisco, encena-se a crucificação.

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ONDE NADAR

Balneário Cachoeira Grande – Queda do Rio Vermelho, abriga praia e piscinas naturais. Estrada para Jussara, 6km do Centro.

Cachoeira das Andorinhas – Queda de 9m de altura, entre rochas que abrigam andorinhas.  Seu acesso é feito por estrada de terra com saída pela lateral do morro de Santa Bárbara. Tem água limpa que forma poços piscosos. Local: Fazenda Manduzanzan, 6km do Centro.

PARA EXPLORAR

Furna da Bandeirinha – túnel escavado provavelmente por escravos, com 2m de altura, no Morro da Bandeirinha. Dá acesso a vários salões. As visitas só podem ser feitas com acompanhamento. Saída para Aruanã, a 500m do Centro.

O QUE COMER 

A culinária goiana une ingredientes locais, sabores indígenas e a influência dos paulistas, que buscaram ouro em Goiás no século 18, para criar receitas típicas.

O pequi, fruto do Cerrado, é usado na galinhada e na composição de um licor servido após as refeições (cuidado ao consumi-lo, pois o fruto esconde espinhos abaixo da polpa).

Outras receitas comuns: empadão goiano (frango, carne de porco, linguiça, palmito de guariroba e queijo), peixe na telha, arroz-de-puta-rica (com carnes defumandas), arroz com suã (espinha de porco), angu (milho verde ralado e cozido na água até engrossar) e leitão a pururuca.

O bolinho doce de arroz é a especialidade da cidade – servido na Lanchonete da Dona Inês.

ONDE COMER 

Braseiro – Comida goiana, no fogão de lenha. Pça. do Chafariz, 3 (Centro Histórico). Todo os dias, 11h às 15h. R$ 20.

Flor do Ipê – Pratos diversos. Pça. Boa Vista, 32-A (Centro Histórico). 3ª  feira às sábado, das 12h às 15h e 19h à 0h, domingo, das 12h às 16h. De R$ 26  R$ 50.

Dalí – Restaurante e confeitaria. Casa antiga transformada em restaurante que serve, entre outros pratos, o famoso empadão goiano e o delicioso doce Melado de Banana. Rua 13 de maio, 26.

Sorveteria do Coreto – É  imperdível, por exemplo, experimentar os sabores da Sorveteria do Coreto. Sorvetes e picolés com sabores tradicionais e exóticos, como tamarindo e castanha do barú. Tudo por R$ 2,50 (uma bola ou um picolé).

O QUE COMPRAR

Arte – Telas produzidas por Goiandira Ayres do Couto, a partir de 551 tons diferentes de grãos de areia coloridos da Serra Dourada. Pinta principalmente casarões e paisagens. O endereço é r. Joaquim Bonifácio, 19. Tel. (62) 371.1303 .

Doces – Entre os endereços mais conhecidos estão os de Dona Augusta (R. Eugênio Jardim, 23, 62/3371-1472), Dona Zilda (R. Bartolomeu Bueno, 3, 62/3371-2114), Dona Doris (R. d’Abadia, 17, 62/3371-4605) e Dona Divina (Travessa do Carmo, 2, 62/3371-1484). Cada uma tem um doce caseiro de sua especialidade e todas merecem uma visitinha.

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4 comentários em “Guia completo de Goiás Velho, onde moram a cultura e a culinária goiana

  1. Estive para visitar Goiás Velho e Pirenópolis há alguns anos mas acabei mudando de planos e até hoje não tive oportunidade de voltar. Obrigado pelo post tão detalhado e completo, para guardar e usar em breve (espero eu). Grande abraço de Portugal..

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